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"Voo 168: A Tragédia de Aratanha" terá exibição em Pacatuba nesta sexta, 8

Sessão única acontecerá na Secretaria da Saúde do município. Evento irá reunir moradores que acompanharam o acidente aéreo da empresa Vasp
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Foto: Divulgação "Voo 168: A Tragédia de Aratanha" é o primeiro longa-metragem do O POVO

Era por volta das 2h53min da madrugada do dia 8 de junho de 1982 quando os moradores do município de Pacatuba, localizado a 32,4 km de Fortaleza, escutaram um estrondo. O ruído foi causado por um acidente na Serra da Aratanha com a aeronave Boeing 727, da empresa Vasp, que fazia trajeto de São Paulo com destino à capital cearense. A história é exposta no longa-metragem "Voo 168: A Tragédia de Aratanha", que resgata as narrativas da fatalidade por meio de relatos dos envolvidos. Nesta sexta-feira, 8, a produção retorna à cidade onde aconteceu o desastre aéreo para exibição do filme em sessão única, às 18 horas.

O processo de desenvolvimento do projeto, dirigido pelos jornalistas Arthur Gadelha, Cinthia Medeiros e Demitri Túlio, durou cinco meses e envolveu, aproximadamente, 12 profissionais. A construção foi feita de maneira imersiva na região, a partir de falas de jornalistas, familiares e amigos das mais de 100 vítimas, além dos moradores de Pacatuba. Segundo Arthur, a equipe circulou pela cidade durante o período em que esteve no território: "Nós subimos a Serra de Aratanha e, só quando a gente chegou lá, a gente teve uma noção do que é a história". As conversas com os habitantes foram o ponto de partida para "Voo 168". "A gente foi fazendo contatos. Alguns nós encontramos pela internet, mas a gente conversou com pessoas que testemunharam algo do acidente. Alguém que ajudou a resgatar os corpos, alguém que ouviu o barulho na madrugada e resolveu subir a serra. Tem pessoas que já eram adultas na época, pessoas que eram crianças, elas dão depoimentos muito vívidos", discorre.

O filme foi lançado na plataforma multistreaming de jornalismo e cultura O POVO + . Entretanto, como pontua Cinthia Medeiros, os idealizadores ficaram com o compromisso de retornar o trabalho ao local de origem. "A gente se viu no dever de devolver para Pacatuba, na forma de exibição especial desse filme, o acolhimento que recebemos enquanto estávamos produzindo. Para a gente seria muito importante que a cidade que foi palco daquele acidente, que é a principal base da nossa produção, visse o resultado", explica. A sessão será realizada de maneira gratuita e foi organizada em parceria com a Secretaria da Cultura e Turismo de Pacatuba. As inscrições dos espectadores foram feitas através do site Sympla, mas já esgotaram. A expectativa de público é, em média, entre 50 e 80 pessoas, com respeito aos protocolos necessários na pandemia causada pelo coronavírus.

Estarão presentes os personagens que participaram do filme, como a Dona Lucila; agentes do município, a exemplo dos guardas municipais e guias de turismo que ofereceram apoio logístico à produção; e os moradores inscritos. O evento terá formato parecido com a exibição que aconteceu no Museu da Fotografia, no dia 24 de fevereiro. Para Cinthia, a expectativa é que o momento promova um reencontro entre os residentes. "Os moradores mais antigos, que testemunharam aquele fato, que viram toda a rotina ser alterada por conta daquele acidente, essas pessoas que já eram nascidas e testemunharam isso, elas vão ter a possibilidade de se reencontrar neste momento e conhecer outras faces da história".

Quem acompanhou o desenrolar do acidente, que segue vivo na trajetória do município, poderá compartilhar experiências. O momento, eventualmente, deve ocasionar uma troca entre gerações. "A gente espera ver na plateia muitos jovens que só ouviam falar desse acontecimento que colocou Pacatuba no mapa do Brasil. Estes jovens que só conheciam a história por ouvir falar, agora eles vão poder ver e compreender através de imagens e depoimentos inéditos. Acho que o grande barato dessa exibição vai ser promover esses múltiplos encontros", desenvolve Cinthia.

Já Demitri Túlio acrescenta que a nova sessão é uma forma de agradecimento. "É uma oportunidade de fazer retornar a gentileza dos moradores de Pacatuba com a produção do documentário", afirma. Ele contrasta, também, com o sofrimento da catástrofe: "Uma forma de contribuir com a perenidade das memórias da cidade onde ocorreu a tragédia. Infelizmente, é uma construção sobre a dor do desaparecimento de 137 pessoas. E é, também, sobre o imaginário coletivo em torno da queda do avião da Vasp na Aratanha. Queíramos ou não, as memórias vão se construindo das formas mais inesperadas", declara. 

Sessão especial "Voo 168"

Quando: 8 de abril, às 18h

Onde: Secretaria de Saúde de Pacatuba

Filme está na seção "Séries e Docs" do O POVO

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