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Galeria Leonardo Leal incentiva produção de artistas contemporâneos no Ceará
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Galeria Leonardo Leal incentiva produção de artistas contemporâneos no Ceará

|artes visuais|Leonardo Leal fundou uma galeria no Ceará com o objetivo de projetar artistas contemporâneos; espaço participou da SP-Arte
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Obra 'Semente do amor', da artista Azuhli
 (Foto: FABIO LIMA)
Foto: FABIO LIMA Obra 'Semente do amor', da artista Azuhli

"Quando percebi, eu estava galerista". Assim Leonardo Leal explica o início de sua carreira como proprietário de uma galeria de arte em Fortaleza. Há dois anos, ele deixou seu antigo trabalho como sócio de uma empresa de segurança para adentrar no mercado das artes plásticas. Antes disso, costumava somente adquirir obras como colecionador. "Os artistas que me convenceram a ser galerista, principalmente, a Azuhli e o Marco Ribeiro", lembra. Surgiu, então, a Galeria Leonardo Leal. "A galeria começou por mero encontro. Eu gosto e meio que me sinto bem com as artes. Eu tinha outra atividade, mas tinha tanto prazer em rodar no meio da arte e entrar em contato com artistas, que aconteceu. Não foi algo pensado", afirma.

Mas, ao iniciar seus primeiros passos neste novo universo, decidiu seguir por um caminho que ainda não era tão explorado na capital: buscou artistas contemporâneos, com quem pudesse trocar ideias e incentivar o compartilhamento de experiências. "Uma das propostas do contemporâneo é que possibilita a troca de ideias. Recebemos os próprios artistas para conversar sobre seu trabalho. É uma interação diferente do segundo setor, por exemplo, que o artista já é falecido ou já não temos como acompanhar o surgimento do trabalho", diz.

Em alguns dias da rotina, seu espaço recebe os criadores para dialogarem sobre seus processos criativos. "A arte contemporânea permite isso. Como a gente vai bater um papo com a Tarsila do Amaral? Será sempre a interpretação que alguém teve. É diferente de conversar com o Francisco de Almeida diretamente, por exemplo", cita. Em sua perspectiva, essa comunicação traz mais profundidade para o trabalho e também para a relação entre o público e o artista.

Além de Azuhli, Marco Ribeiro e Francisco de Almeida, Leonardo Leal também trabalha com muitos nomes, como Arrudas, Artur Bombonato, Cadeh Juaçaba, Diego de Santos, Henrique Viudez, Mario Sanders, Cecília Bichucher e outros. "Eu procuro artistas que consigam dar identidade ao seu trabalho. Gosto de artistas que, quando você olha para a obra, você sabe que isso foi feito por determinado artista. Isso, para mim, é o mais impressionante: dar identidade própria. Também adoro obras políticas, que sirvam a discursos políticos, independente de eu concordar ou não. As obras precisam ter psiquê", opina.

De acordo com o galerista, o cenário contemporâneo ainda está "engatinhando" no Ceará. Ele defende que é um mercado interessante, em crescimento. Entretanto, é necessário avançar. "Durante muito tempo, víamos nossos artistas irem para fora para fazer sucesso. São vários os artistas cearenses que só foram reconhecidos quando moraram fora do Ceará, porque aqui não conseguiram ter uma zona de conforto", complementa.

Por isso, um dos compromissos da Galeria Leonardo Leal é o de fomentar o mercado regional para que os profissionais das artes possam permanecer em seu Estado sem a obrigatoriedade de exportar a produção para outros lugares. "O que a gente precisa hoje é criar os meios necessários para que as pessoas e os novos artistas possam chegar nessa condição de, se quiserem, escolher trabalhar a partir do Ceará", ressalta.

E, nos planos para o futuro, o intuito é incentivar esse cenário artístico cearense. Leonardo Leal indica que alguns artistas serão lançados em breve. Também há o objetivo de realizar residências artísticas, além de trazer alguns nomes da pintura nacional e da curadoria para rodas de conversa. "O contato com a arte nos ajuda. É como a literatura, que nos leva a viajar e refletir sobre como aquilo foi feito, porque foi feito. A arte me ajuda a entender a capacidade do ser humano. Através da arte, também se fala. Para mim, a arte reforça a sensibilidade humana", reflete.

 

projeção nacional

Em um de seus projetos recentes, a Galeria Leonardo Leal participou da SP-Arte, uma feira internacional de arte moderna e contemporânea, que aconteceu em São Paulo entre os dias 6 e 10 de abril. "Nossa galeria é nova e se propôs a trabalhar com o contemporâneo no Ceará, porque os cearenses não estavam trabalhando tanto com isso. Com a nossa chegada no mercado, resolvemos tentar apresentar um pouco dos artistas locais a críticos, curadores e outros meios de divulgação", explica o galerista.

Com a resposta positiva do público, o espaço ganhou um estande próprio no evento. Leonardo Leal estudou quais eram os trabalhos mais aceitos no circuito e conversou com várias pessoas para entender o que se encaixaria no cenário nacional. "Retornei a essas pessoas depois do contato com alguns artistas e pedi um feedback, para saber se minhas impressões estavam corretas. Houve um bom retorno", afirma. Azuhli, por exemplo, está em residência artística no programa educativo Soma, no México. "A própria feira convidou a gente a dobrar o tamanho do estande, que geralmente é destinado a galerias mais tradicionais", exemplifica.

Sobre a SP-Arte

Depois de dois anos de isolamento social e medidas de distanciamento para evitar a contaminação da covid-19, a SP-Arte - Festival Internacional de Arte de São Paulo retornou com sua programação anual no Pavilhão da Bienal, na capital paulista. O evento, que durou cinco dias e finalizou sua 18ª edição, tem o objetivo de incentivar o mercado nacional das artes visuais e impulsionar a economia criativa do País.

Além disso, a programação apresentou novos projetos para fomentar a produção artística brasileira. Ocorreu, por exemplo, o "Radar SP-Arte", um programa que aproxima o mercado da arte de artistas que ainda não têm representação comercial. Neste ambiente, coletivos e espaços autônomos mostraram seus trabalhos.

Foi o caso, por exemplo, da Casa Chama, uma organização não governamental que atua nas áreas de sociopolítica e cultura para garantir a emancipação e a valorização da população trans. A instituição, que surgiu há quatro anos, acolhe pessoas LGBTQIA . Durante a pandemia do coronavírus, seus organizadores criaram ações para garantir a sobrevivência das pessoas trans de São Paulo.

Outros grupos participaram, como o Levante Nacional Trovoa, coletivo de artistas visuais e curadoras racializadas de todas as regiões brasileiras; a MT Projetos de Arte, uma plataforma de colecionadores que viabiliza a produção de pessoas fora do eixo Rio de Janeiro-São Paulo; a GDA - Galeria de Artistas, em que artistas fazem o trabalho de galeristas; e 01.01 Art Platform, plataforma que busca uma forma sustentável de adquirir arte contemporânea focada nas temáticas da diáspora africana.

Dentro do mesmo projeto do "Radar SP-Arte", aconteceu a exposição "Hora Grande", que divulgou nove artistas: Simon Fernandes, de Fortaleza; Allan Pinheiro, Anitta Boa Vida, Tatiana Chalhoub e Yhuri Cruz, do Rio de Janeiro; Felipa Queiroz e Luisa Brandelli, de Porto Alegre; e Natalie Braido e Raphaela Melsohn, de São Paulo. A proposta era descobrir e apresentar novos produtores de artes para o mercado e favorecer sua inserção profissional.

A SP-Arte também contou com a exposição "Arte Natureza: Ressignificar para Viver", que teve curadoria de Ana Carolina Ralston. A mostra tinha o intuito de refletir sobre a relação entre arte, natureza e sustentabilidade. Alguns dos nomes expostos foram: Ernesto Neto, Joseph Beuys, Frans Krajcberg e Daiara Tukano, Regina Vater, Sonia Gomes, Bené Fontenele, Amélia Toledo, Frans Krajberg, Juliana dos Santos e Caio Reisewitz.

 

Conheça os artistas da SP-Arte

- Azuhli (@azuhli)

- Armarinhos Teixeira
(@armarinhosteixeira)

- Arrudas (@oarrudas)

- Artur Bombonato (@otanobmob)

- Cadeh Juaçaba (@cadeh.juacaba)

- Cecília Bichucher (@ceciliabichucher)

- Diego de Santos
(@diegodesantosarte)

- José Guedes (@joseguedesart)

- Francisco de Almeida
(@delalmeida_)

- Henrique Viudez (@henriqueviudez)

- Marco Ribeiro (@marcoaoribeiro)

- Mário Sanders (@mariosanders)

- Tetê de Alencar (@t2dealencar)

- William Mophos (@williamophos)

Galeria Leonardo Leal

Quando: de segunda-feira
a sexta-feira, das 10h
às 18 horas

Onde: na rua Visconde de Mauá, 1515 - Aldeota

Mais informações: pelo número (85) 3111.5378 ou pelo perfil do Instagram @galerialeonardoleal

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