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Dois filmes sobre Padre Cícero entram para o catálogo do O POVO+

Em comemoração aos dois anos da plataforma multistreaming O POVO , o filme "Padre Cícero: Os Milagres de Juazeiro" e o documentário "Padre Cícero - O Filme" entram para o catálago neste sábado, 14
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Em comemoração aos dois anos da plataforma multistreaming O POVO+, o filme
Foto: Divulgação Em comemoração aos dois anos da plataforma multistreaming O POVO+, o filme "Padre Cícero: Os Milagres de Juazeiro" e o documentário "Padre Cícero - O Filme" entram para o catálago neste sábado, 14

Em 1976, estreava o primeiro longa-metragem colorido produzido no Ceará: "Padre Cícero: Os Milagres de Juazeiro". Apesar de retratar a trajetória dessa figura religiosa que perdura até os dias atuais, a obra caiu no esquecimento. Até que mais de 40 anos depois, surge "Padre Cícero - O Filme", um documentário que mergulha em depoimentos de atores e figurantes, além de pesquisa historiográfica e registros da época, com o objetivo de rememorar o marco histórico dessa produção no cinema e audiovisual cearense. Essas duas obras, filme e documentário, estreiam nesse sábado, 12, no O POVO, celebrando os dois anos da plataforma multistreaming.

Dirigido por Hélder Martins de Moraes, foi o filme mais caro daquele ano realizado com apoio da Embrafilmes, empresa estatal responsável por produzir e distribuir filmes brasileiros, fundada em 1969 e extinta na década de 1990. A produção reuniu um elenco de primeira linha do Cinema Novo brasileiro: Jofre Soares, Ana Miranda, Dirce Migliaccio, Rodolfo Arena, José Lewgoy, Emanuel Cavalcanti, Nildo Parente, Ricardo Guilherme, Haroldo Serra, entre outros. 

Já o documentário, que teve concepção, pesquisa e coordenação geral de Raymundo Netto, iniciou sua produção em 2017, com participação do diretor Helder Martins de Morais, da produtora executiva Elvira Sá de Morais, dos atores Ana Miranda, Haroldo Serra e Ricardo Guilherme, do figurinista Walden Luiz, do produtor e ator Valmi Paiva, do assistente Nirton Venâncio, de Rosemberg Cariry, entre outros.

Entrelaçadas, as duas obras são quase interdependentes. Enquanto uma, esquecida, jamais perderá sua relevância na história do cinema cearense, a outra a resgata e propõe um olhar diferenciado ao público do século 21.

O Filme

Em meio à ditadura militar, o desejo por enaltecer figuras brasileiras era forte. Com isso, o diplomata Hélder Martins de Moraes propôs a produção do primeiro filme ficcional sobre Padre Cícero, sacerdote católico que teve grande influência na vida social, religiosa e política do Ceará durantes os séculos 19 e 20. O religioso foi eleito por uma campanha da Rede Globo, em 2001, “O Cearense do Século”.

Com o orçamento de dois milhões e trezentos mil cruzeiros, a produção do longa mobilizou vinte e cinco técnicos, vinte e um atores, cem coadjuvantes e cerca de mil figurantes. Do momento de sua concepção até a conclusão da obra, foram aproximadamente dois anos de duração. As gravações passaram por diversos territórios cearenses, mas tiveram base principalmente em Rosário, distrito de Milagres.

O enredo é focado nos milagres realizados pelo Padre em Juazeiro, retratando o ritual de comunhão onde a hóstia se converteu em sangue na boca da beata Maria de Araújo. O caso, que aconteceu em 1889, deu origem a vários inquéritos, levando Padre Cícero a ser julgado pelo Tribunal da Santa Inquisição.

Retratando uma figura tão conhecida, o diretor tinha certeza que o sucesso era garantido. No entanto, após seu lançamento, o filme ficou esquecido, tanto pela falta de articulação da equipe de produção, que não tinha tanta experiência no cinema, quanto pelo pagamento de dívidas devido ao grande orçamento do longa.

"Esse filme tem uma importância muito grande para o cinema do Ceará, porque ele foi o primeiro longa-metragem colorido cearense e é o primeiro filme ficcional do Padre Cícero", explica Raymundo Neto, que buscando trazer à tona essa obra para os telespectadores do século 21, deu início a um documentário que enaltece sua importância para o cinema local.

O Documentário

Em conversa com Elvira de Sá Moraes, filha do produtor do filme, Francisco Martins de Morais, Raymundo Netto, gerente editorial e de projetos da Fundação Demócrito Rocha, soube do seu desejo de fazer com que o longa ganhasse vida. Ele conta que o resultado comercial da obra incomodou profundamente o produtor e mesmo após a morte do pai, Elvira tinha o desejo de trazer à tona essa produção. É nesse contexto que surge o documentário "Padre Cícero - O Filme".

Além de trazer depoimentos de atores e integrantes da equipe de produção, a obra audiovisual exibe a influência do filme nos cearenses que presenciaram as gravações. "A gente foi pra cidade de Rosário, onde foi gravado o filme, porque a minha ideia era a seguinte: eu queria saber o que ficou do filme na cidade. Depois de 40 anos, a cidade de Rosário, o interior do interior, você imaginar: 'Será que essas pessoas lembram desses atores que foram lá gravar, falar de cinema naquela época?'. Era uma curiosidade minha", explica Raymundo.

Ao relembrar as gravações, o coordenador do projeto conta que se emocionou logo de cara ao se deparar com o local. "Eu vi tantas fotos e o filme tantas vezes que era como se eu estivesse entrando em um set de filmagens", declara. Na cidade, Raymundo bateu de porta em porta em busca de relatos dos próprios moradores sobre a produção do longa. Seja por meio de memórias ou vídeo cassete, "Padre Cícero - Os Milagres de Juazeiro" continuava vivo no imaginário daquelas pessoas. A partir disso, "Padre Cícero - O Filme" reúne essas vivências e conquista seu objetivo de estimular o interesse pelo filme.

Para os telespectadores do século 21 que nunca ouviram falar da obra, Raymundo aconselha a assistir primeiro ao documentário e explica o porquê. "O documentário cria uma expectativa muito grande em cima do filme. A pessoa assiste com outro olhar. Porque as vezes você assiste o filme e é um filme antigo, a imagem não é tão boa, com atores que hoje a juventude muitas vezes não conhece, mas quando você assiste o documentário, você vê o que existe por trás dessa coisa do fazer cinema. Você percebe que existe muito mais, um esforço, o que foi o pioneirismo, porque quando você assiste hoje um filme moderno você não entende como que as pessoas faziam filme antigamente e é importante esse conhecimento", afirma.

Lançamento no O POVO+

Filme "Padre Cícero - Os Milagres de Juazeiro" e documentário "Padre Cícero - O Filme"
Quando: sábado, 14 de maio
Onde: O POVO+

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