Se é possível vislumbrar a identidade de um povo, esse movimento acontece sobretudo na dimensão da cultura. É a perspectiva na qual tecemos a trama dos hábitos, direcionamos os olhares e repassamos as tradições. Quando aproximamos esta esfera para um Ceará expansivo, as manifestações se traduzem em múltiplas expressões artísticas e em distintos espaços que ocupam a região. Os tesouros cearenses, representados por meio dos habitantes e dos patrimônios, são alguns dos destaques do capítulo 11, intitulado “Ceará da Cultura”, do Anuário do Ceará 2022 - 2023, publicação promovida pelo O POVO e realizada pela Fundação Demócrito Rocha (FDR).
Para o jornalista e editor-geral do Anuário Jocélio Leal, o projeto é uma verdadeira “obra de arte”. “É desse modo que nós o tratamos. Ainda que os conteúdos estejam disponíveis gratuitamente no site, nós sabemos como o livro permite a fruição”, sintetiza o jornalista. A publicação física, entretanto, deve chegar às bancas e à sede do O POVO até o final de julho. A versão disponibilizada neste ano é uma homenagem aos 100 anos do artista cearense Aldemir Martins (1922 - 2006). “O projeto gráfico, a galeria de obras representadas na edição, este ano em homenagem e inspirado em Aldemir Martins, reforçam esse caráter artístico. A propósito, sucedendo outra edição em alta conta, quando o tema foram os 60 anos do Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará (Mauc-UFC). O capítulo da cultura é um dos destaques do Anuário”, detalha.
Nele, destaca o editor-geral, está o inventário de teatro, cinemas e museus do Ceará, na Capital e no Interior. Ao consultar as páginas, o leitor se depara com o número total de equipamentos culturais do Estado. Você sabia que existem 60 salas de Cinema na Capital e 43 entre os demais municípios? Ao mesmo passo, a região soma 108 palcos e 182 museus. Para a jornalista e editora-executiva Joelma Leal, essa é a principal novidade da publicação de 2022. “Essa ampliação pode servir até mesmo como guia, lá no Anuário vai ter todas as informações”, afirma.
O capítulo também traz a relação de todos os bens tombados pela União, Estado e Município. Vale mencionar o Sobrado do Barão de Aracati, instituto do Museu Jaguaribano. O Anuário detalha a história da edificação do século XIX e informa sobre a arquitetura do equipamento e a cronologia do desenvolvimento. Para elaborar o conteúdo, Joelma relata que foram utilizadas fontes oficiais. “A gente usa como fontes a Secretaria da Cultura (Secult), Secretaria da Cultura de Fortaleza (Secultfor), Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e Arquidiocese de Fortaleza. Nós também entramos em contato com os moradores para checar”, acrescenta.
Para Jocélio, a seção é uma forma de aproximar os cidadãos e os bens: “Quanto mais as pessoas conhecem, mais podem cuidar e cobrar responsabilidades”. O capítulo também adentra nas figuras que carregam por gerações os saberes tradicionais. Um dos destaques dos trechos é a relação de Mestres da Cultura, reconhecidos pelas leis 13.351/2003 e 13.842/2006. “Esta política faria menos sentido caso o elenco de mestres não esteja perto das pessoas. O Anuário traz a relação completa, desde 2004”, diz o editor-geral. Por lá você conhece a Mestre Zulene, do pastoril, dança do coco e maneiro-pau, no Crato; a Mestra Dona Dina, vaqueira aboiadora do Canindé; e o Grupo de Caretas Reisado Boi Coração, da tradição boi de reisado, da cidade de Quixadá.
“O Anuário é laico, mas pela referência social, política e histórica, ele publica informações detalhadas sobre a Igreja Católica no Ceará. Trazemos a relação dos bispos e o mapa das dioceses”, complementa Jocélio. Assim, com o agrupamento dos entes, o “Ceará da Cultura” busca entregar um panorama aos leitores. “A gente costuma dizer que o Anuário não é para um público específico, ele é para estudantes, professores, para alguém que queira investir no Estado. Está bem bacana”, opina Joelma.
Anuário do Ceará
Nesta nova edição, o Anuário é ilustrado com obras do artista cearense Aldemir Martins (1922 - 2006). A homenagem faz referência à celebração dos mais de 100 anos de nascimento do ilustrador. A publicação reúne dados e análises sobre o Estado em 14 capítulos, visto que o guia é a mais antiga publicação impressa em circulação no Ceará, com 150 anos de história. O conteúdo desta nova edição será atualizado no site e nas redes sociais.
Como adquirir
Edição digital disponível gratuitamente em anuariodoceara.com.br
A publicação impressa estará à venda, em breve, na sede do O POVO (avenida Aguanambi, 282 - José Bonifácio, Fortaleza) e nas principais bancas e livrarias do Ceará
Site: www.anuariodoceara.com.br
Instagram: @anuariodoceara
Twitter: @anuariodoCE
Podcast Vida&Arte
O podcast Vida&Arte é destinado a falar sobre temas de cultura. O conteúdo está disponível nas plataformas Spotify, Deezer, iTunes, Google Podcasts e Spreaker. Confira o podcast clicando aqui