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Pocah resgata as raízes do funk carioca no EP 'A Braba é Ela'
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Pocah resgata as raízes do funk carioca no EP 'A Braba é Ela'

Com mais de uma década de carreira, Pocah lança novo EP intitulado "A Braba é Ela". O projeto reverencia o gênero popular do Brasil em cinco faixas
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Pocah lança o novo EP 'A Braba é Ela' (Foto: Flox/ Divulgação)
Foto: Flox/ Divulgação Pocah lança o novo EP 'A Braba é Ela'

O que poucos sabem é que, em seu princípio, a palavra “funk” ou “funky” era usada por músicos de jazz como uma forma de pedir aos colegas de banda que pusessem mais “força” ao ritmo. Os termos descreviam uma música com batida constante e melodia que permitisse dançar. No Brasil, o gênero chegou por volta da década de 1970, mas só ganhou as comunidades cariocas na década de 1980 misturando sons eletrônicos do hip hop com a habilidade dos artistas de retratar o cotidiano da periferia.

E foi em 2011, ainda sob o nome artístico de Mc Pocahontas, que Pocah, uma menina de Duque de Caxias, iniciou sua carreira pensando em se tornar um dos nomes mais influentes do funk nacional.

“Eu morava no alto do morro e de lá conseguia ouvir toda a animação dos bailes. Isso sempre me deixou tentada. Um dia, como minha mãe não deixava eu ir para festa, fui escondida e cheguei lá toda ralada. Descobri que é minha paixão. Hoje, minha mãe faz é ir comigo”, disse Pocah, aos risos, em entrevista exclusiva ao Vida&Arte.

O episódio citado rendeu à artista a música “Assanhadinha”, faixa que compõe o novo projeto audiovisual da cantora, “A Braba é Ela”. O EP, composto de cinco músicas, traz a vivência de Pocah em sua cidade natal, além de destacar o empoderamento feminino, os bailes de favela, e as raízes do ritmo carioca.
“Eu estou revisitando a Mc Pocahontas, onde tudo começou. Ela vive muito em mim e quero cantar sobre isso porque é um máximo”, conta a artista.

A voz de “Perdendo a Linha” reflete ainda sobre o ano nostálgico que tem sido 2023. Para ela, as pessoas estão saudosas e querendo reviver tendências e estilos de vida dos anos 2000, praticamente “voltar no tempo.”

“Vários artistas fazem reviver gêneros musicais de 10 em 10 anos. O legal é que é um trabalho que a nova geração pode conhecer e aproveitar. A garotada precisa disso”, diz ela.

O EP começou a ser trabalhado durante a montagem de seu novo álbum. Ela revela que o disco, por somar 50 faixas, precisou ser dividido em três projetos, sendo “A Braba é Ela” um deles. “Eu nunca fui de ficar prendendo músicas boas. É o meu jeito”, afirma.

Bebendo da sonoridade do funk, percorrendo sub-gêneros como o tamborzão raiz, funk melody e o trap-funk, Pocah se inspirou em nomes femininos da cena musical, desde Gaiola das Popozudas, Mc Sabrina e Tati Quebra Barraco, até Anitta.

A primeira canção do projeto é "Barulinho", lançada em julho deste ano. A faixa é um trap-funk com participações de MC Kevin O Chris, voz de “Evoluiu”, e Luck Muzik, artista, produtor e filho de Mr. Catra, conhecido como o "pai do funk".

Em seguida vem "Assanhadinha", faixa favorita da artista, acompanhada de MC Durrony, outro funkeiro de Duque de Caxias. Nesta música, Pocah canta de forma biográfica sobre sua juventude. A letra é fielmente reproduzida em um clipe que acompanha o lançamento, gravado em Campos Elísio, comunidade que sedia o Baile da RQ, que a cantora frequentava antigamente.

Já a música que recebe o mesmo nome do EP, foi composta pela artista em 2017. Questionada sobre o porquê de só chegar ao público seis anos depois, ela revela: “Compus em cima da batida do arrocha funk, mas não simpatizava tanto com ela. Não achava boa o suficiente. Entreguei nas mãos do meu DJ, que me conhece muito e eu confio demais, e ele alterou e acertou. Ficou incrível e foi o momento certo de lançá-la.”

"Olha E Baba" é a quarta faixa, uma mistura de funk eletrônico com o funk batidão, Terminando o EP, Pocah realça o ritmo do reggaeton em "Solta-Te", sua primeira parceria internacional com o grupo colombiano Piso 21, uma boyband latina que passeia entre o português e o espanhol.

“A banda estava aqui no Brasil em 2020 e me chamou para produzirmos algo juntos. Eles são muito legais, além de grandes profissionais que ficaram encantados com o Brasil. Na época, eu arranhei no espanhol, mas senti que não estava bom. Estudei e regravei, e agora sim ficou incrível”, conta Pocah.

Em um projeto que revive sua trajetória na música, a cantora comenta as principais mudanças em seu trabalho: É um amadurecimento pessoal e profissional. Mc Pocahontas e Pocah se complementam, a essência é a mesma. A evolução que eu tive na minha carreira profissional veio com muito estudo e muitas dificuldades, principalmente no início, a Mc Pocahontas foi muito desacreditada e criticada.”

A cantora completa afirmando que, embora suas primeiras faixas já tenham feito um bom sucesso, a parte mais difícil de uma carreira musical é a constância. “É uma trajetória de 12 anos, é um trabalho de reciclar os públicos, é desafiador.”

“A Braba é Ela” já está disponível em todas as plataformas digitais e chega com audiovisuais para todas as faixas, divididos entre clipes, vídeos de dança e visualizadores. A captação foi feita inteiramente no Rio de Janeiro, usando cenários como o Morro do Vidigal, Duque de Caxias e a Praia da Reserva.

OP+

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