Com alusão ao manifesto da artista islandesa Björk, o Festival Barulhinho Delas traz shows, performances, feiras criativas, ações formativas e outras experiências artísticas integradas. A programação musical concilia tanto artistas locais, como Mumutante, quanto de outros estados, como a amazonense Djuena Tikuna e a banda carioca Vera Fisher Era Clubber.
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A programação inicia nesta sexta-feira, 16, e vai até domingo, 18, no Complexo Cultural Estação das Artes, equipamento localizado no Centro. Em material de divulgação, o evento coloca o "compromisso com uma cena cultural conduzida por mulheres e por identidades femininas".
Por isso, a cantora soteropolitana Jadsa e a artista gaúcha Catto são destaques da programação, trazendo os álbuns mais recentes. A primeira leva as canções de "Big Buraco", disco indicado ao Grammy Latino 2025 na categoria de Melhor Álbum de Música Alternativa ou Rock em Português para o palco.
Já a segunda performa as faixas de "Caminhos Selvagens", a obra musical lançada após um hiato de sete anos. Reunindo oito músicas, o disco começou a ser gravado no celular pela cantora, de modo despretensioso. "Eu estava fazendo, na verdade, como se fossem uns rascunhos do que eu queria para elas e acabou que esses rascunhos deram forma ao disco", explica Catto em entrevista ao O POVO.
"E eu achei um processo muito interessante, que foi muito intuitivo e que também colocou o meu jeito de tocar, o meu jeito de arquitetar a música como protagonista desse trabalho que era uma coisa que eu nunca tinha feito", detalha a também compositora.
A produção é assinada pela própria artista, ao lado de Fábio Pinczowski e Jojô Inácio. Além do aspecto experimental, houve uma atenção em trazer referências que já fazem parte da bagagem cultural da compositora de modo orgânico.
"Eu não fiquei muito preocupada em realmente, 'ai, quero que soe dessa forma'. O disco foi nascendo a partir dessas construções e das criações, mas claro, tinha ali uma linha de baixo ali do New Order, tinha também referências ao Rolling (Stones), ao grunge", exemplifica a gaúcha.
Com uma abordagem mais crua, Catto também se inspirou em outros grandes nomes como PJ Harvey, Jards Macalé, Gal Costa, especificamente seu álbum "Fa-Tal - Gal a Todo Vapor" (1971). "E essa coisa do violão áspero, da canção colocada ali de uma forma muito nua diante do público sempre me atraiu porque aquilo me passava uma vulnerabilidade, que também era uma coragem enorme", detalha.
A ideia, segundo ela, era trazer uma "história romântica e épica" que fosse "um contraponto entre instrumentos de cordas extremamente românticas e etéreas". Então, o rock dos anos 1980 com suas baladas e movimentos de metal, além da poética presente em narrativas vampirescas e obscuras, também foram referências.
A obra funcionou como uma forma de trabalhar dores do passado relativas ao amor: "Uma necessidade real de exorcizar as minhas histórias de amor e de ressignificar, entender, me aprofundar, saber fazer um paralelo de tanto, de como todas essas histórias, serviram para que eu também me conhecesse".
Olhar para a cultura local
Com a pergunta tema "Que cultura para qual futuro?", a sexta edição do Barulhinho Delas procura não só fortalecer a potência de mulheres artistas, mas também propor uma defesa da arte "como organismo vivo", segundo explica Nádia Sousa, diretora criativa do evento.
A articulação entre as linguagens artísticas é um dos modos de trabalhar essa dinâmica. "Música, artes visuais, performance, literatura, feira criativa e formação são campos de diálogo. Essa recusa da compartimentação estética é um princípio central da Björk desde os anos 1990 e está explícita na forma como o festival é desenhado como experiência integrada", explica Nádia.
Além disso, existe uma preocupação em centralizar a cena artística local ao trazer cearenses para a programação. "Fortaleza tem uma produção artística potente, com pensamento crítico e linguagens contemporâneas próprias. Quando essa cena ganha centralidade, trajetórias se consolidam e redes de trabalho se expandem, transformando a Cidade em lugar de referência para a produção artística nacional", diz a diretora criativa.
Mumutante, uma das artistas presentes na grade de atrações, pontua que é relevante trazer o debate. Para ela, Fortaleza é uma cidade na qual a cultura "pulsa a cada esquina".
"Debater sobre o futuro dessa cultura é debater também sobre o não sucateamento de equipamentos públicos e a construção de políticas públicas cada vez mais, o fomento da cultura começa quando a própria cidade olha para a cultura, principalmente para quem faz a cultura acontecer", argumenta a multiartista.
Confira os shows de Catto, Mumutante e Jadsa no 6º Barulhinho Delas
Show Mumutante
Quando: sexta-feira, 16, às 18h30min
Show Jadsa
Quando: sábado, 17, às 19h
Show Catto
Quando: sábado, 17, às 20h20min