Há cerca de 5 mil anos a humanidade usa infusões de plantas como receita de bebida medicinal e cultural. Teoriza-se que sua origem tenha sido na China antiga, por volta de 2737 a.C., com o imperador Shen Nong. Segundo a lenda, ele descobriu acidentalmente as propriedades da bebida após cair folhas na água que estava fervendo.
Gradualmente, os chás foram se popularizando na cultura chinesa, principalmente com a repercussão em textos médicos e filosóficos. Assim, a bebida passou a ser associada ao budismo, a processos de meditação e chegou nos demais países da Ásia — sendo incorporado a rituais no Japão, Coreia e Índia.
Apesar de popularmente usarmos "chá" para se referir aos líquidos quentes à base de plantas, o que costumamos beber em terras brasileiras são, na verdade, infusões.
Danielly Gomes, uma das proprietárias e baristas do Amika Coffe, explica: "O chá é um pouco mais difícil de trabalhar do que o café. Isso porque o Brasil não é um país produtor de chá. Existem algumas regiões e algumas famílias que produzem chá preto, branco e verde, mas é algo raro. As infusões são bem mais comuns".
"As infusões incluem flores, frutas e ervas. Quando a gente fala em 'chá de boldo', por exemplo, tecnicamente é uma infusão de boldo, não um chá, porque o chá de verdade é apenas aquele que vem da erva camellia sinensis", acrescenta a barista.
Ela explica que, dentre as infusões, entram as bebidas mate e o rooibos. "O mate é nosso, e o rooibos vem da África do Sul. Cada um tem suas particularidades: o mate tem cafeína, o rooibos não. A maioria das infusões também não tem cafeína. As infusões costumam ser mais coloridas, doces ou cítricas, enquanto os chás propriamente ditos são mais complexos", detalha Danielle.
Em entrevista ao Vida&Arte, ela e Thamires Studart, do Torra Café, falam sobre o interesse em expandir o mercado consumidor de infusões na Cidade, que tradicionalmente ainda associa essas bebidas ao poder medicinal.
Danielle relata, em tom bem-humorado, que frequentemente chegam clientes buscando tratamento de saúde nos chás de sua loja. "Eu respondo: 'A farmácia é ali do lado'", brinca.
Thamires relata: "Minha relação com o chá nasceu com as primeiras memórias que tenho da vida. Eu sempre gostei. Sempre teve chá em casa — não chás propriamente ditos, mas infusões. No começo, eu associava muito o chá à ideia de estar doente:'"estou mal do estômago, vou tomar um chazinho de boldo'. Com o tempo, fui crescendo e gostando mais das infusões de frutas, flores e ervas".
"Quando passei a tomar chá realmente de qualidade, comecei a encarar o chá como prazer. Deixei de consumir apenas pelos benefícios ou por estar doente e passei a tomar porque gostava, pelo sabor e pela experiência", adiciona.
Assim, ela abriu a Torra Café com ampla variedade de bebidas e comidas à base de ervas. Ela compartilha: "A ideia é ser atrativo tanto para quem já é público de chá — com os de origem e os puros — quanto para quem ainda está começando. Por isso, sempre temos bebidas diferentes à base de chá e também pratos quentes ou sobremesas que levam o insumo".
Blends artesanais
Do cheesecake aos chás puros, a Torra Café está apta para todos os públicos interessados em adentrar no universo das infusões. A casa dispõe de mais de 10 variedades quentes ou geladas, que variam dos sabores mais suaves aos mais intensos. Todos os dias, além das opções fixas do cardápio, é possível solicitar aos atendentes os chás de fora da carta.
Sabores vegetais
Da escola ao balcão
Localizada na Dionísio Torres, a Amika Coffe conta com uma barista de referência nacional em chás, a Carla Suarez — também proprietária do local. Lá, que também funciona como escola formativa, dispõe de mais de 12 opções de infusões. O menu dispõe também de sobremesas que levam chá na composição.
Gran Chá