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'Expedição Praieira': série disponível no O POVO+ analisa o turismo comunitário
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Vida & Arte

'Expedição Praieira': série disponível no O POVO+ analisa o turismo comunitário

Série "Expedição Praieira", produção da Nigéria Filmes que está disponível no O POVO+, analisa o turismo comunitário
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Foto: DAVI PINHEIRO/Divulgação Série "Expedição Praeira" - episódio 5 - "Além da Rua do Pecém" ambientado na praia de São Gonçalo do Amarante

Conhecer: tomar conhecimento de; ter noção; saber; averiguar. Aplicação em uma frase: Meu sonho é conhecer Canoa Quebrada, mas de um jeito diferente das viagens turísticas habituais. Ou seja, o sujeito (indicado pelo pronome possessivo “meu”) possui o desejo de visitar as praias de Canoa Quebrada, em Aracati, porém de um modo que fuja do turismo comercial.

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Logo, o que o sujeito procura é definido como turismo comunitário. Caracterizada por ser desenvolvida pelos próprios moradores de um lugar considerado paradisíaco, como o destino citado acima, essa modalidade é tema da série “Expedição Praieira”, produção da Nigéria Filmes que está disponível na plataforma de streaming O POVO+.

Dirigida por Bruno Xavier, Roger Pires e Yargo Gurjão, a obra surgiu a partir da temática de Turismo Sustentável em um edital do canal FDR, de 2018. “Já tinha uma vivência pessoal de idas a algumas pousadas e lugares e também já tinha feito alguns trabalhos, principalmente trabalhos ligados à especulação imobiliária que havia lá dentro”, justifica Bruno, que comanda a Nigéria ao lado dos realizadores mencionados.

Para ir além de juntar o útil ao agradável, o trio percebeu que a obra audiovisual precisava de incremento para atrair o público. Então, decidiram convidar a dupla de artistas visuais Robézio Marques e Tereza de Quinta, do projeto Acidum Project. “Porque a intenção era que a gente entrasse dentro dessas comunidades, não só simplesmente de mãos abanando, mas que a gente conseguisse também deixar uma marca, que deixasse também um presente, já que eles (moradores) estariam abrindo as portas para a gente”, continua Gurjão.

Ao longo de 13 episódios, a dupla visita as comunidades: Tatajuba (Camocim), Curral Velho (Acaraú), Caetanos de Cima (Amontada), Emboaca (Trairi), Pecém (São Gonçalo do Amarante), Pirambu (Fortaleza), Boca da Barra da Sabiaguaba (Fortaleza), aldeia indígena Jenipapo-Kanindé (Aquiraz), Quilombo do Cumbe (Aracati), Vila Estevão (Canoa Quebrada) e Icapuí.

As visitas mostram não só a beleza dos territórios, mas acompanham a rotina de cada morador com aventuras diversas para a dupla de artistas. Em um dos episódios, por exemplo, Robézio tenta aprender a fazer renda de bilro; em outro, Tereza se torna uma exímia caçadora de caranguejos.

Olhar para o que Roger Pires chama de “turismo predatório” foi essencial para construir a experiência do turismo comunitário na série. “É uma palavra muito forte, mas de fato é aquele turismo que olha apenas para a paisagem e não olha para as pessoas e para a história do território”, argumenta o realizador audiovisual.

“Há muitos empreendimentos, inclusive de estrangeiros, que chegam naquele lugar, se aproveitam de um valor (de venda) que é mais barato do que aquele da origem da pessoa que vem, instalam um equipamento com arquitetura e concepção bem diferentes daquilo ali e que dialogam muito mais com os turistas”, ilustra Roger.

Trazer esse debate num formato leve de uma série do tipo “road” (viagem, em tradução para o português) foi um desafio para os três diretores, pois se tornou necessário abranger tanto os amantes da arte quanto as pessoas interessadas nas questões climáticas, segundo explicou Yargo Gurjão.

“Uma boa parte da resistência à crise climática hoje é feita por comunidades tradicionais, que a partir de uma vivência, algumas vezes ancestral ou então uma vivência equilibrada com o meio ambiente, fazem com que tanto isso seja um modelo de turismo como também um estilo de vida”, pontua o cineasta.

Todos os episódios da série “Expedição Praieira” estão disponíveis no O POVO+. O lançamento da série faz parte de uma estratégia do Grupo de Comunicação O POVO para atrair parcerias com as produtoras de audiovisual do Ceará. A plataforma de streaming é um espaço aberto para realizadores de cinema distribuírem suas obras, quer sejam documentais ou de ficção, de acordo com Demitri Túlio, editor-adjunto do Núcleo de Audiovisual do O POVO.

No catálogo do OP+, o assinante pode encontrar produções diversas de realizadores cearenses. Além disso, há filmes originais da plataforma como “Ela não queria ser Santa”, “Castello, o Ditador”, “Enterrados vivos” e “Voo 168 - a Tragédia na Aratanha”.

"Expedição Praeira"

 

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