Quase dois anos depois, Percy Jackson (Walker Scobell) retorna ao acampamento Meio-Sangue. Dessa vez, acompanhado do ciclope Tyson (Daniel Diemer) e da melhor amiga, Annabeth Chase (Leah Jeffries), o adolescente de 13 anos está ansioso para mais uma versão de aventuras.
O cenário é diferente do esperado, no entanto. Ao invés de encontrar os campistas realizando as atividades de sempre, como a caça à bandeira ou a limpeza dos chalés, o trio se depara com ataques à colina Meio-Sangue. O diretor de atividades do acampamento não é mais Quíron, e a árvore Thalia, que protege o local, está doente. Assim começa a segunda temporada de "Percy Jackson e os Olimpianos", da Disney+.
Baseada em "Mar de Monstros", segundo livro da saga escrita por de Rick Riordan, a segunda temporada da série homônima consegue um êxito maior do que sua antecessora usando praticamente o mesmo orçamento. Diferente da primeira temporada, os episódios inspirados em "A Odisseia" conseguem traduzir melhor a essência de Riordan.
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Embora o início seja um tanto distinto da obra original, trazendo Tyson como um filho adotado de Sally Jackson (interpretada por Virgínia Kull), a mãe de Percy, em vez de um menino em situação de rua, o roteiro transmite de modo hábil a essência presente nas páginas escritas por Riordan. A continuação imerge a audiência de fato na magia do mundo dos semideuses.
O foco são momentos de interação entre os personagens que são capazes de transparecer a intensidade da relação de cada um deles. Especialmente o grupo de semideuses, formado por Annabeth Chase, Grover (Aryan Simhadri), Luke Castellan (Charlie Bushnell) e Thalia Grace (Tamara Smart). O destaque sem dúvida vai para a cena em que Percy fala que "queimaria o Olimpo por Annabeth", dando indícios do tão shipp "Percabeth".
O elenco é um importante elemento que contribui para a melhora da série. Os atores principais mantêm sua química assim como na primeira temporada, apresentando personagens ligeiramente mais maduros em seu segundo ano de acampamento.
Os coadjuvantes Daniel Diemer e Dior Goodjohn, intérpretes de Tyson e Clarisse La Rue, respectivamente, têm uma performance notável. O primeiro apresenta o jovem ciclope de modo acurado com o dos livros, transmitindo todo o carisma do irmão mais velho de Percy. Já a segunda é hábil em traduzir a raiva, a pedância e o amor presente na filha de Áries.
Com o orçamento semelhante ao da temporada anterior - estimado em US$ 12 e US$ 15 milhões por episódio - a nova produção obteve êxito maior ao investir em cenários de efeitos práticos que conferiram maior realidade à obra. A fotografia é outro aspecto que adiciona camadas de melhoria na nova temporada. Além de cenários contemplativos, a cinematografia apostou em ângulos contra-plongée (técnica fotográfica em que a câmera filma a pessoa ou objeto de baixo para cima), brincando com a perspectiva de cada personagem.
Assim, conferindo maior ludicidade e fantasia às imagens apresentadas, algo presente em toda a saga de Riordan, o resultado final é uma leva de episódios melhor que sua temporada de estreia e com potencial de avançar ainda mais e se tornar, talvez, o que a franquia "Harry Potter" foi para a geração millennial.