Logo O POVO+
Iury Simões: cearense radicado em SP faz arte a partir da observação
Comentar
Vida & Arte

Iury Simões: cearense radicado em SP faz arte a partir da observação

Artista cearense radicado em São Paulo, Iury Simões desenha as pessoas e o mundo a partir de uma janela
Edição Impressa
Tipo Notícia Por
Comentar
O cearense Iury Simões produz obras de arte a partir do olhar atento para a rua (Foto: Mirela Albuquerque Brito/divulgação)
Foto: Mirela Albuquerque Brito/divulgação O cearense Iury Simões produz obras de arte a partir do olhar atento para a rua

Olhar ao redor, registrar o momento e, por mais rápido que seja o encontro, eternizá-lo em desenho. O artista plástico e estudante de arquitetura cearense, Iury Simões, mora em São Paulo há sete anos, desenhando o "ordinário" e dando destaque para aqueles que são passageiros das ruas da capital paulista - em uma praça ou na sacada de seu apartamento.

INSTAGRAM | Confira noticias, críticas e outros conteúdos no @vidaearteopovo

A arte surgiu quando o pai lhe entregou uma resma de papel e, a partir daquele momento, começou "a desenhar na frente e no verso do papel, coisas de criança, como Pokémon e Power Rangers". Ele acrescenta que, na infância, seu tio tinha um livro sobre o artista cearense Raimundo Cela e as imagens o encantaram.

Iury se intitula um "artista plástico autodidata" porque desde os 12 anos estuda a história da arte e diversas técnicas sozinho a partir do livro de Raimundo Cela e de revistas. Mas foi somente na faculdade que ele entendeu quem era o cearense que tanto admirava e descobriu que queria trabalhar com arte. Com a entrada no curso de Arquitetura, ele pode desenvolver mais as técnicas de ilustração e trabalha atualmente com aquarela, óleo, acrílico, carvão, nanquim e guache. "Por mim, eu estaria trabalhando até com mármore se eu tivesse a oportunidade", brinca.

A mudança de Iury Simões

De uma conversa com a mãe, Iury decidiu se mudar para São Paulo, inicialmente para realizar cursos rápidos de arte, "porque toda a minha vida eu só estudei sozinho e tinha a sensação de precisar de mais", explica. Então, em 2019, foi morar na casa de um tio na capital paulista e a estadia que deveria durar apenas alguns meses, já completou sete anos.

Trancou a graduação de Arquitetura e Urbanismo na Universidade de Fortaleza (Unifor) e foi em busca de novas experiências no Sudeste. Frequentou diversos cursos de arte ofertados em "todas as unidades" do Sesc São Paulo por serem acessíveis - Iury não queria perder nenhuma oportunidade. Ele relembra que foi em um dos seus primeiros passeios pela cidade no qual conheceu o ponto turístico Beco do Batman, onde notou que São Paulo respirava arte e poderia vender suas criações naquele ambiente.

Com ilustrações em nanquim - técnica de desenho rápidos com caneta do tipo brush - Iury realizava duas atividades simultâneas: conversar e desenhar os passantes. Ele relata que o "modelo ficava impressionado com a agilidade" e estas eram as peças com maior fluxo de comercialização.

Em 2020, a pandemia de Covid-19 foi um fator decisivo, ele poderia voltar a Fortaleza ou permanecer com o tio e "arriscar na arte". Por medo de regredir e perder "todo aprendizado, networking e visibilidade que estava conseguindo em São Paulo", a segunda opção foi a escolhida.

Iury conta que entre as primeiras impressões da capital paulista que ainda permanecem estão os fatos de conseguir "encontrar o país inteiro em São Paulo" e "não existir tanta interação" apesar da quantidade de pessoas por metro quadrado. Essas duas visões o motivaram a observar os indivíduos ao seu redor e registrá-los em desenhos rápidos.

Dessa forma, para além das vendas avulsas, ele explica que como forma de conectar a arte aos turistas e moradores, "batia o olho na pessoa e a desenhava rapidamente para lembrar de seus traços". O objetivo, aponta o artista cearense radicado em São Paulo, era presentear quem estava desenhando para poder surpreender e mostrar o trabalho. Essa rotina começou na sacada do seu prédio durante o período de isolamento e segue até os dias recentes.

 

Existe beleza no ordinário

Iury Simões explica que atualmente seu trabalho é voltado para as redes sociais, porque consegue "alcançar mais pessoas e de diversas regiões". Seu sonho é se tornar professor de arte e diz já praticar sua didática no seu perfil do Instagram: "Posto meu processo artístico com uma linguagem simples e acessível".

Há um quadro de postagens que ele criou chamado "Desenhando pela Janela", que consiste em observar a rua e desenhar quem está apenas passando ou trabalhando no espaço aberto. O objetivo é "retratar o ordinário, aquilo no qual muitos não prestam atenção e não enxergam beleza, mas há, sim, beleza no dia a dia, além de expor meu trabalho para que outros se sintam inspirados", relata.

Iury percebe que sua trajetória dentro da universidade foi fundamental para a formação como artista. Observar a cidade como personagem e também como uma fonte infinita de inspiração, ele diz, foi algo que aprendeu dentro do universo acadêmico.

Seus projetos futuros são se formar professor de arte - "para que eu possa seguir levando essa conexão entre desenho e a cidade para outras pessoas" - e realizar uma exposição com 1000 ilustrações de personagens urbanos. Para este segundo e ambicioso projeto, ele quer usar a denominação "andarilhos" e trazer "animais, trabalhadores, corredores, ciclistas, motoristas e muitos outros personagens que contemplam o ambiente urbano". E, além dos desenhos, o artista cearense radicado em São Paulo espera conseguir investimentos para que esse trabalho se torne possível.

 

Acompanhe o artista

Iury Simões

  • Redes sociais: @iurysimoes.art

 

O que você achou desse conteúdo?