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Análise: Segunda temporada de 'The Pitt' é segura e intensa
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Análise: Segunda temporada de 'The Pitt' é segura e intensa

Apesar da ausência do fator surpresa, "The Pitt" volta ainda mais segura, intensa e premiada. A segunda temporada reafirma a série como um dos dramas mais consistentes da TV atual
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A temporada anterior de
Foto: cena de "The Pitt"/Warrick Page/HBO/DIVULGAÇÃO A temporada anterior de "The Pitt" arrematou diversos prêmios em 2025

Dez meses depois dos eventos que fecharam a impactante primeira temporada, "The Pitt" voltou à HBO Max em janeiro deste ano demonstrando a segurança de quem já sabe exatamente o que é e não pretende se desviar disso, carregando agora uma enorme lista de premiações. Os episódios são semanais, sempre disponibilizados às quintas-feiras, totalizando 15 no total, com cerca de uma hora cada.

Ambientada durante o feriado de 4 de julho, data historicamente caótica para os serviços de emergência nos Estados Unidos, a segunda temporada mantém o ritmo sufocante e ágil, que transformou a produção em um dos maiores sucessos de audiência da plataforma no Brasil e no mundo.

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Criada por R. Scott Gemmill, a narrativa não perde tempo em reapresentações. O espectador é jogado novamente dentro do pronto-socorro de Pittsburgh, onde cada episódio corresponde a uma hora real de plantão. A sensação é a mesma da estreia: urgência constante, decisões tomadas no limite e um ambiente em que o erro não é apenas possível, mas inevitável.

Noah Wyle segue como o eixo absoluto da história no papel do Dr. Michael "Robby" Robinavitch. Se na primeira temporada ele era o pilar que sustentava o caos, agora surge mais desgastado, acumulando cicatrizes emocionais e físicas. Robby precisa entrar em um período de afastamento para cuidar da saúde mental, o que abre espaço para uma mudança relevante na dinâmica do hospital: a chegada da Dra. Baran Al-Hashimi, interpretada por Sepideh Moafi. Moderna, pragmática e defensora do uso de inteligência artificial para otimizar triagens e diagnósticos, ela representa um choque direto com a visão cética e humanista do protagonista. O embate não é apenas técnico, mas filosófico.

O elenco passa por ajustes naturais. Alguns personagens têm menos espaço, outros emergem com força, e novos residentes chegam para renovar as tensões do plantão. Parte dos jovens médicos apresentados na primeira temporada aparece mais madura, agora lidando com responsabilidades maiores e equívocos que não podem mais ser atribuídos apenas à inexperiência. A ausência da Dra. Heather Collins (Tracey Ifeachor), figura importante no primeiro ano, é sentida e incorporada à narrativa.

Apesar das mudanças, o que permanece intacto é o coração da série: as relações humanas em meio ao colapso constante. Médicos, enfermeiros, residentes e pacientes seguem conectados por decisões rápidas, diálogos curtos e emoções à flor da pele. Em meio a fraturas, overdoses, ferimentos graves, atendimentos pediátricos e emergências bizarras, surgem gestos de empatia que impedem "The Pitt" de se transformar apenas em um espetáculo de caos.

É importante repetir o alerta que já fiz no texto do ano passado, quando apresentei a produção nas páginas do Vida&Arte: a série continua extremamente realista. Cirurgias abertas, procedimentos invasivos e situações limite são mostrados sem qualquer pudor estético. Não há suavização nem concessões ao espectador mais sensível. Melhor nem ver se isso for um incômodo. A câmera observa, acompanha e insiste.

"The Pitt": segura, intensa e premiada

Esse rigor técnico e narrativo ajudou "The Pitt" a ultrapassar rapidamente a condição de novidade e a se consolidar como um dos dramas mais respeitados da televisão recente. Além dos números expressivos de audiência no Brasil e no mercado internacional, a produção audiovisual foi amplamente reconhecida em premiações de peso: venceu categorias importantes no Emmy Awards, incluindo Melhor Série Dramática e Melhor Ator para Noah Wyle, foi destaque absoluto no Television Critics Association Awards, conquistou prêmios no Critics Choice Awards e também no Globo de Ouro, confirmando a força de seu elenco, a precisão da direção e a solidez de um roteiro que sustenta tensão e humanidade ao longo de cada plantão.

Com atuações seguras, direção precisa e um texto que entende o valor do silêncio tanto quanto o da urgência, o segundo bloco de episódios deixa claro que "The Pitt" não depende mais do fator surpresa. Seu mérito está na consistência e na máxima futebolística de que em time que está ganhando, não se mexe. No feriado ou em um dia comum, o hospital segue lotado, o tempo corre contra todos e o plantão, como a própria série faz questão de lembrar, nunca termina de verdade.

 

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