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Saúde do papa gera preocupação e especulações sobre futuro da Igreja
Reportagem Especial

Saúde do papa gera preocupação e especulações sobre futuro da Igreja

Renúncia do Papa Francisco? É o cenário que se tem especulado após adiamento de viagens e fragilidade física de Francisco em imagens públicas recentes

Saúde do papa gera preocupação e especulações sobre futuro da Igreja

Renúncia do Papa Francisco? É o cenário que se tem especulado após adiamento de viagens e fragilidade física de Francisco em imagens públicas recentes
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O frágil estado de saúde do papa Francisco, que adiou viagem ao continente africano, alimenta os boatos sobre uma possível renúncia, mas os analistas alertam que tal cenário não deve ser considerado algo certo.

A visita à República Democrática do Congo e ao Sudão do Sul, prevista para para este início de julho, foi adiada por tempo indeterminado. A viagem ao Canadá, marcada para 24 a 30 de julho, foi confirmada, apesar das dores no joelho.

 Papa Francisco sofre dores intensas no joelho devido a um ligamento rompido (Foto: Alberto PIZZOLI / AFP)
Foto: Alberto PIZZOLI / AFP Papa Francisco sofre dores intensas no joelho devido a um ligamento rompido

O pontífice tem sido observado com expressões de dor durante algumas aparições públicas. Desde o início de maio, o pontífice de 85 anos utiliza uma cadeira de rodas ou uma bengala, debilitado por fortes dores no joelho direito.

Francisco recebe regularmente injeções e passa por sessões de fisioterapia, segundo o Vaticano, que mantém a discrição sobre a saúde do líder da Igreja Católica.

O tratamento "segue seu curso e está dando resultados", afirmou uma fonte do Vaticano. As mudanças de última hora na agenda da Santa Sé, no entanto, reacenderam as preocupações sobre a capacidade de Jorge Bergoglio para governar e despertaram boatos sobre uma possível renúncia.

"Esta teoria retorna de maneira cíclica", afirma o vaticanista italiano Marco Politi, autor do livro Francisco, a peste e o Renascimento. "Os rumores são alimentados pelos adversários do papa, que desejam apenas ver a saída de Francisco", disse.

Em 2014, o pontífice ajudou a alimentar a hipótese, ao considerar que Bento XVI "abriu uma porta" ao renunciar ao cargo.

 

 

Perspectivas para o futuro do papa

Alguns analistas reduzem as chances de uma renúncia. "No entorno do papa, a maioria não acredita muito na possibilidade de uma renúncia", disse uma fonte do Vaticano à AFP.

"A partir do momento que começam a falar que o papa está muito doente podem passar muitos anos: a doença de João Paulo II começou em 1993 e terminou em 2005", recorda Alberto Melloni, historiador do cristianismo e secretário da Fundação de Ciências Religiosas.

"São coisas em que há vontade de entender, de especular, mas há pouco a dizer", acrescentou, antes de lamentar um "frenesi excessivo da mídia a respeito do papa e da Igreja".

 

 

Saúde do papa Francisco

O estado de saúde de Francisco já havia alimentado especulações quando ele passou por uma cirurgia no cólon em julho de 2021. O pontífice sofre de uma ciática crônica e teve que remover parte de um pulmão em sua juventude.

"Com João Paulo II, o progresso da doença era muito visível, perguntas foram feitas durante anos e também havia notícias falsas", recorda o padre Federico Lombardi, ex-diretor de imprensa da Santa Sé.

"Com Bento XVI foi mais a fragilidade da idade que progrediu e o levou à renúncia, de forma gradual", acrescenta, em referência ao papa emérito, que tem 95 anos e vive em um mosteiro do Vaticano.

Em setembro de 2021, Francisco — que continua recebendo líderes políticos e religiosos a cada manhã — ironizou os boatos. "Ainda estou vivo, embora alguns desejem minha morte", disse.

Mas três eventos servem para aumentar os boatos, entre os quais o consistório de 27 de agosto que designará novos cardeais, incluindo os futuros eleitores em caso de conclave, um momento muito incomum para esta reunião.

Papa Francisco deixa o hospital(Foto: )
Foto: Papa Francisco deixa o hospital

Em seguida, o papa reunirá os cardeais do mundo em Roma e visitará o túmulo de Celestino V, que renunciou no século XIII, em L'Aquila.

A conjunção de fatores sem precedentes intriga a imprensa italiana e internacional e alguns consideram uma oportunidade para o pontífice anunciar sua decisão.

"Mas no momento temos que ser realistas e não alarmistas", disse Marco Politi. Para ele, o encontro pode ser apenas um "momento de discussão geral sobre a reforma da Cúria", o governo do Vaticano, oficializada pela entrada em vigor de uma nova "Constituição" no início de junho.

Outro tema central para Francisco é o Sínodo Mundial de Bispos, uma amplia consulta sobre a organização da Igreja que terminará em 2023.

Este evento "é quase um miniconcílio: então parece difícil imaginar que o papa queira deixar este grande projeto que ele mesmo decidiu pela metade", opina Politi, que também aponta a dificuldade de ter três papas no Vaticano. 

 

 

Papas que tiveram pontificado interrompido, por renúncia ou forçados

O papa Bento XVI foi o primeiro papa a renunciar em sete séculos. O que se viu em 2013 não acontecia desde a Idade Média. Porém, por mais de um milênio, não era raro que papas fossem obrigados adeixar as funções. Alguns poucos também renunciaram por vontade própria, pelas mais diversas razões

 

 

 

Viagem ao Canadá é confirmada

O papa Francisco mantém a visita ao Canadá em sua agenda, de 24 a 30 de julho de 2022, apesar da dor no joelho direito que o obrigou a adiar uma viagem à África, informou o Vaticano.

Francisco, de 85 anos, irá a Edmonton, Quebec e Iqaluit, disse a Santa Sé, em viagem durante a qual se espera que ele se desculpe por décadas de violência contra meninos indígenas em internatos administrados pela Igreja Católica.

A viagem ao Canadá é um passo importante para abordar a questão do abuso sexual de crianças por religiosos e o acobertamento destes há décadas.

 

 

Papa emérito Bento XVI(Foto: Sven Hoppe / POOL / AFP)
Foto: Sven Hoppe / POOL / AFP Papa emérito Bento XVI

Papa emérito Bento XVI atingiu idade a que não chegou nenhum outro pontífice

Aos 95 anos, o papa emérito Bento XVI chegou a idade não atingida por nenhum outro pontífice na história. O recorde foi alcançado desde 4 de setembro de 2020. O alemão Josef Ratzinger renunciou em 2013, quando estava prestes a completar 86 anos. Ele nasceu em 16 de abril de 1927.

Antes dele, o papa mais velho havia sido o italiano Leão XIII, que morreu com 93 anos em 1903, segundo cálculos do jornal episcopado italiano Avvenire e da revista Famiglia Cristiana. Leão XIII segue o mais longevo entre os pontífices que estavam em exercício naquela idade. Ele era um aristocrata italiano nascido em 2 de março de 1810, conhecido por ter escrito a primeira encíclica dedicada aos problemas sociais. Há de se considerar, contudo, que os dados disponíveis sobre idade dos papas nem sempre é confiável, ao se considerar cerca de dois milênios de história. 

Diferentemente do curto pontificado de Bento XVI, o italiano Leão XIII liderou a Igreja Católica por mais de 25 anos e aparece na terceira posição de pontificado mais longo, atrás de Pio IX (1846-1878, 31 anos) e João Paulo II (1978-2005, 26 anos).

Bento XVI foi papa em uma época na qual as exigências como figura pública e personalidade midiática transformaram a função de líder do catolicismo, bem como as demandas por viagens internacionais.

Ratzinger ensinou Teologia por 25 anos em universidades alemãs, antes de ser nomeado arcebispo de Munique, virar por mais um quarto de século o guardião estrito do dogma da Igreja em Roma e, finalmente, tornar-se papa durante oito anos (2005-2013), antes de virar um pontífice "aposentado".

A decisão pessoal de renunciar foi causada pelo declínio de suas forças e não devido à pressão de escândalos, assegurou Bento XVI em um livro de confidências publicado em 2016. (Com AFP)

 

 

Papa Francisco e o papa Emérito Bento XVI se encontrando com novos cardeais após um consistório para criar 13 novos cardeais, em 28 de novembro de 2020 no Vaticano(Foto: AFP)
Foto: AFP Papa Francisco e o papa Emérito Bento XVI se encontrando com novos cardeais após um consistório para criar 13 novos cardeais, em 28 de novembro de 2020 no Vaticano

Francisco promove renovação e nomeará 21 novos cardeais: dois são brasileiros

O papa Francisco nomeará 21 novos cardeais de todo o mundo, incluindo quatro da América Latina, durante o próximo Consistório em 27 de agosto. Será o oitavo Consistório do pontificado. Em caso de conclave, apenas 16 deles, com menos de 80 anos, poderão participar da eleição de um novo papa.

O anúncio do papa era esperado há vários meses, já que o número de cardeais eleitores caiu para 117, quando tradicionalmente é pelo menos 120. Em 27 de agosto, o número de cardeais deve subir para 133.

Entre eles estão Leonardo Ulrich Steiner, arcebispo de Manaus no Brasil, e Paulo Cezar Costa, arcebispo da capital, Brasília. Também estão listados o arcebispo de Assunção, o paraguaio Adalberto Martínez Flores e Jorge Enrique Jiménez Carvajal, arcebispo emérito de Cartagena, na Colômbia. Este último está entre os cinco que não poderão votar durante o conclave por terem mais de 80 anos.

Além disso, em maio, Francisco nomeou como líder da Igreja italiana o cardeal Matteo Zuppi, conhecido por suas posições progressistas e membro proeminente da Comunidade de Sant'Egidio, envolvido em vários processos em favor da paz na África e na América Latina.

Arcebispo de Bolonha (norte) desde 2015, Zuppi, de 66 anos, é muito popular por ser um autêntico "pároco de rua", próximo do povo desde a década de 1980, quando era pároco da igreja romana de Santa Maria em Trastevere e mediava pela paz nos conflitos em Moçambique e na América Central.

O movimento católico conhecido como "ONU de Trastevere" está presente em mais de 70 países e costuma aplicar o que chama de método de Sant'Egidio: gerar nas partes de um processo de negociação a vontade de se chegar a um acordo e, para tanto, paciência é necessário, como demonstra o longo, mas duradouro processo, de paz em Moçambique (1992).

Com posições próximas às do pontífice argentino, Zuppi também defende o acolhimento de imigrantes na Europa e tem sido um defensor dos homossexuais dentro da Igreja.

Nomeado cardeal em 2019 por Francisco, terá que enfrentar as crescentes queixas de pedofilia contra padres da Igreja italiana. (AFP) 

 

 

Vaticano cria comissão ética para seus investimentos

O Vaticano, que há um ano enfrenta um importante julgamento por fraude financeira na compra de um luxuoso edifício em Londres, criou uma comissão encarregada de fiscalizar a ética de seus investimentos imobiliários.

Introduzido pela nova Constituição vaticana, que entrou em vigor em 5 de junho, o órgão consultivo será composto por quatro especialistas nomeados por cinco anos e presidido pelo cardeal irlandês Kevin Joseph Farrell, informou a Santa Sé.

Sua função será "garantir o caráter ético dos investimentos imobiliários da Santa Sé, segundo a doutrina social da Igreja e, ao mesmo tempo, avaliar se rentabilidade e riscos são adequados", afirma a Constituição.

A notícia é divulgada enquanto cerca de dez pessoas, incluindo o cardeal Angelo Becciu, são processadas por fraude, peculato, abuso de poder, lavagem de dinheiro, corrupção e extorsão.

O eixo central do julgamento é a compra pela Santa Sé de um edifício de prestígio em Londres, com uma série de irregularidades. Devido ao escândalo, Becciu foi afastado de suas funções e privado de seus privilégios como cardeal pelo papa Francisco em setembro de 2020.

A aquisição do imóvel foi feita por um preço superior ao seu valor real através de pacotes financeiros altamente especulativos, intermediada por dois empresários italianos residentes em Londres.

O caso representa um desafio para o papa Francisco, pois revela a falta de controle nas finanças do Vaticano, para o qual ele precisou iniciar uma reforma interna e eliminar os privilégios obscuros de várias entidades. (AFP)

Papa Francisco(Foto: SIMONE RISOLUTI / VATICAN MEDIA / AFP)
Foto: SIMONE RISOLUTI / VATICAN MEDIA / AFP Papa Francisco

 

 

As surpreendentes confidências do papa Francisco aos pobres

O papa Francisco partilhou confidências e anedotas com os pobres de todo o mundo, graças a uma ousada iniciativa de uma associação francesa, ilustrada no livro Dos Pobres ao Papa, do Papa ao Mundo.

Lançada em abril em três idiomas (francês, italiano e alemão), a publicação responde a uma centena de perguntas de habitantes de 80 países, dos bairros pobres do Brasil aos sem-teto da Índia, Irã e Madagascar. "Sou uma pessoa impaciente (...) Às vezes tomo decisões com pressa, com alguma autossuficiência", confessou o papa jesuíta, de 85 anos, segundo a versão francesa do livro.

A associação francesa Lazare, que oferece alojamento a jovens trabalhadores e moradores de rua, lançou a ideia do livro após um primeiro encontro com o pontífice argentino, em maio de 2020. "Nos surpreendeu com sua transparência, até falou sobre assuntos muito pessoais", disse o secretário-geral da associação, Pierre Durieux. "Apesar de uma agenda apertada, teve tempo para ouvir todas as perguntas, até a última", lembrou.

Jorge Mario Bergoglio, que se define como um "sonhador" e admite que "às vezes adormece durante a oração", reviveu nestas conversas momentos do seu cotidiano, falou da sua família, dos seus gostos, da sua vocação como sacerdote e até dos dias antes de sua eleição em 2013, quando escolheu o nome Francisco inspirado em São Francisco de Assis, o santo dos pobres.

"Me dói que homens da Igreja, padres, bispos, cardeais, dirijam carros de luxo e se tornem testemunhos negativos", admitiu Francisco, que muitas vezes critica os excessos do capitalismo e as desigualdades.

"Nós demos a ele um pequeno sino para os casos em que não quisesse responder. Nunca o usou", disse Loïc Luisetto, diretor do Lazare, que descobriu um "homem simples, próximo do povo, com um humor incrível".

A associação, que contou com a ajuda de vinte ONGs dos cinco continentes, envolveu pessoas de todas as idades, geralmente pobres, que "vivenciaram a exclusão social" ou "vícios".

Após receber mil perguntas, os responsáveis pela associação selecionaram 100, que dividiram em dez temas: riqueza, injustiça, paz, entre outros.

O papa Francisco se prepara para sair depois de presidir a Via Sacra na última Sexta-feira Santa, no monumento do Coliseu, em Roma(Foto: FILIPPO MONTEFORTE / AFP)
Foto: FILIPPO MONTEFORTE / AFP O papa Francisco se prepara para sair depois de presidir a Via Sacra na última Sexta-feira Santa, no monumento do Coliseu, em Roma

No total, foram realizados quatro encontros no Vaticano, em espanhol, com a participação de dezenas de pessoas por videoconferência.

"Para nós foi uma grande surpresa, nos acomodaram na Casa Santa Marta, a residência onde o papa mora com outros religiosos e reservada para cardeais e convidados", explicou Durieux.

"Nós o encontrávamos no elevador ou durante o café da manhã, enquanto ele carregava sua bandeja. Essa proximidade ajudou a criar um ambiente familiar para as entrevistas", reconheceu.

"Eu não ganho nada. Nada mesmo! Me alimentam e, se preciso de alguma coisa, peço", disse o papa, que confessou que se sente "um zumbi" ao acordar, pouco depois das 4 da manhã.

Entre os detalhes divertidos que o pontífice argentino confessou está sua recusa em usar calças brancas sob a batina, como é tradição. "Não sou um vendedor de sorvete!".

Também não poderia faltar uma alusão ao futebol, seu esporte favorito. "Quando eu era jovem, sempre me colocavam como goleiro porque eu jogava mal. Me diziam que eu tinha os dois pés no mesmo sapato", lembra sorrindo.

 

 

Constituição Apostólica sobre a Cúria Romana entra em vigor

Entrou em vigor em 5 de junho a nova Constituição Apostólica sobre a Cúria Romana e seu serviço à Igreja e ao mundo. O documento, com 250 itens, é fruto de longo processo de escuta, iniciado com as Congregações Gerais que antecederam o Conclave de 2013. A nova Constituição substitui a Pastor Bonus, de João Paulo II, promulgada em 28 de junho de 1988 e que está em vigor desde 1º de março de 1989.

O documento envolveu o Conselho dos Cardeais, com reuniões de outubro de 2013 a fevereiro passado, e continuou sob a orientação do papa, com contribuições de igrejas de todo o mundo.

Uma parte fundamental do texto é a que se refere aos princípios gerais e que lembra, no início, que todo cristão é discípulo missionário. Especifica que todos—- e portanto fiéis leigos e leigas — podem ser nomeados em funções de governo da Cúria Romana, em virtude do poder vicário do sucessor de Pedro: "Todo cristão, em virtude do batismo, é um discípulo-missionário, na medida em que encontrou o amor de Deus em Cristo Jesus. Não se pode ignorar isso na atualização da Cúria, cuja reforma, portanto, deve incluir o envolvimento de leigas e leigos também em papéis de governança e responsabilidade".

Entre outras inovações significativas está a unificação do Dicastério para a Evangelização, da precedente Congregação para a Evangelização dos Povos, e do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização: os dois chefes de dicastério se tornam pró-prefeitos, porque a prefeitura é reservada ao papa. A Constituição diz que o Dicastério para a Evangelização é presidido diretamente pelo pontífice. O Dicastério é formado pelos departamentos do governo da Igreja Católica que compõem a Cúria Romana. (Com informações da Agência Vatican News)

Esta foto tirada e distribuída em 18 de maio de 2020 pela mídia do Vaticano mostra que o Papa Francisco (Traseiro L) celebra uma missa particular para marcar o 100º aniversário do nascimento do falecido Papa João Paulo II, pelo túmulo de João Paulo II na Basílica de São Pedro no Vaticano, durante o bloqueio, com o objetivo de conter a propagação da infecção por COVID-19, causada pelo novo coronavírus. (Foto: Divulgação / Vatican Media / AFP)(Foto: Divulgação / Vatican Media / AFP)
Foto: Divulgação / Vatican Media / AFP Esta foto tirada e distribuída em 18 de maio de 2020 pela mídia do Vaticano mostra que o Papa Francisco (Traseiro L) celebra uma missa particular para marcar o 100º aniversário do nascimento do falecido Papa João Paulo II, pelo túmulo de João Paulo II na Basílica de São Pedro no Vaticano, durante o bloqueio, com o objetivo de conter a propagação da infecção por COVID-19, causada pelo novo coronavírus. (Foto: Divulgação / Vatican Media / AFP)

 

 

Vaticano publica os arquivos do papa Pio XII sobre os judeus

O Vaticano publicou online, em junho passado, milhares de cartas escritas por judeus europeus ao papa Pio XII (1939-1958) pedindo ajuda diante das execuções nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

Em torno de 40 milarquivos digitalizados e distribuídos em 170 pastas poderão ser consultados no site da Santa Sé. A maioria deles foi publicada hoje.

Em março de 2020, o Vaticano já permitiu que os pesquisadores tivessem acesso à 120 fundos e séries de arquivos históricos sobre Pio XII, a quem alguns acusam de ter se mantido em silêncio durante o extermínio de seis milhões de judeus.

Essa nova publicação, que obedece à vontade do papa Francisco, permitirá que os descendentes dos remetentes possam "encontrar o rastro de seus familiares de qualquer parte do mundo", explicou o monsenhor Paul Gallagher, responsável pelas relações com os Estados, em um artigo publicado pelo L'Osservatore Romano, o jornal do Vaticano.

Papa Pio XII(Foto: Arquivo)
Foto: Arquivo Papa Pio XII

Os autores das cartas, que chegaram de toda a Europa, buscavam principalmente conseguir vistos ou passaportes, obter asilo, ajuda para reunir parentes ou informações sobre pessoas deportadas. Alguns pediam ajuda para serem soltos dos campos de concentração.

Mas o destino da maioria dos que pediram ajuda é desconhecida, apontou o Vaticano.

Em uma mensagem escrita em 1942, um estudante alemão de 23 anos explica que quer fugir de um campo de concentração na Espanha. "Há poucas esperanças para os que não tem nenhuma ajuda de fora", escreveu o jovem.

Os arquivos não revelam nenhuma outra informação mas, segundo as investigações do United States Holocaust Memorial Museum de Washington, o homem foi libertado um ano depois de enviar a carta e se mudou para a Califórnia.

Esta publicação, que acontece um dia depois do papa se reunir com uma organização internacional judia, é resultado de décadas de pressão por parte de acadêmicos e historiadores, divididos sobre o papel do papa italiano durante o Holocausto.

O Vaticano defende Pio XII, afirmando que salvou muitos judeus, os escondendo em instituições religiosas e que, com seu silêncio, queria apenas não agravar ainda mais a situação.

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