Os primeiros meses de 2025 em Fortaleza vem sendo marcado por episódios de fortes chuvas e um clima que, para alguns, não está sendo nada agradável. É nessa época do ano que algumas doenças respiratórias ganham força, e uma delas é a rinite, uma doença que está entre as alergias mais prevalentes no Brasil.
Segundo estimativa da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), cerca de 30% da população brasileira sofre com essa condição, frequente após os dois anos de idade, atingindo cerca de 25% das crianças.
O médico otorrinolaringologista, Eduardo Younes, com pós-graduação em medicina ocupacional, aponta que os principais sintomas da rinite são a obstrução nasal, coceira (prurido) no nariz e/ou nos olhos, coriza (nariz escorrendo) e espirros seguidos, principalmente, pela manhã e à noite.
“A rinite é uma inflamação da mucosa nasal que pode ser classificada como alérgica, não alérgica, aguda ou crônica. Sua principal origem é o contato da pessoa com os agentes estimulantes, como poeira, fumaça, mudança de clima, cheiros fortes, produtos químicos, perfumes e pelos de animal”, explica.
O especialista comenta que infelizmente muitas pessoas confundem a rinite com a gripe, mas enquanto uma é desencadeada pelo contato com esses agentes estimuladores e não é contagiosa, a gripe só surge mediante o contato com o vírus de outras pessoas.
Tipos de Rinite
“Apesar dos sintomas serem parecidos, as pessoas não podem confundir rinite com gripe, resfriado ou sinusite, são doenças totalmente diferentes com condução do caso diferente”. O médico ainda comenta sobre a cultura da automedicação.
“Alguns medicamentos podem afetar a saúde ao invés de ajudar no tratamento, como a ingestão de antialérgicos, podendo ser prejudicial para o organismo da pessoa, ou medicamento nasal, que acelera mais ainda o batimento cardíaco de pessoas que sofrem arritmia no coração. Orientação médica sempre”, alerta.
Para o médico otorrinolaringologista, Eduardo Younes, se a rinite não for tratada adequadamente ela pode evoluir para outras doenças, como rinossinusite, podendo também trazer prejuízos diários, como déficit de aprendizados nas crianças, que ficam com o nariz escorrendo toda hora.
O especialista aponta umidificação do ar ambiente, quando clima está muito seco, anti-histamínicos, os antialérgicos, antibióticos, se houver infecção bacteriana associada, lavagem do nariz com soro fisiológico e medicamentos intra-nasais como as principais formas de tratamento.
“É importante tratar corretamente para evitar consequências. Existem as cirurgias, elas não vão curar, mas tratar sintomas relacionados, como obstrução nasal, além de corrigir
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Sobre as principais orientações para redução das crises, o otorrinolaringologista recomenda evitar os fatores agravantes, através da preferência de produtos neutros, a não inalação da fumaça do cigarro, perfumes menos fortes, não passar espanador na casa ou ficar com ventilador próximo ao rosto, entre outros.
“As mudanças climáticas têm tudo a ver com o quadro de início das rinites alérgicas, mas assim como a poluição, é impossível evitar. O que pode ser feito é tentar se preservar do contato com essas coisas para diminuir a frequência das crises”, conclui.
Outras doenças respiratórias
Gloria Sampaio, estudante universitária, foi diagnosticada com asma aos 4 ano. Durante tratamento, que veio logo em seguida, a sua rinite também foi descoberta.
Foram muitas aulas perdidas na escola pelos sintomas vividos por ela, como espirros e tosse frequente, além da secreção nasal. Medicamentos diversos e spray nasal começaram a fazer parte de sua rotina.
“Os meus principais gatilhos se dão quando entro em ambientes com mofo ou muito empoeirados. É um tipo de ambiente que evito justamente para não atacar a doença”, revela.
Hoje, com 23 anos, a jovem explica que a principal diferença na sua vivência como pessoas asmáticas e com rinite, são as manifestações. Enquanto a asma provoca cansaço, dificuldade de respirar e aceleramento do coração, a rinite ataca mais seu rosto.
“Com a asma tive até dificuldade para dormir, porque deitar era praticamente impossível. Já com a rinite eu tossia muito, além da coceira nos meus olhos e nariz, às vezes até com ardência. Se eu entrar em ambientes com ar-condicionado sujo ou muito gelados, o meu nariz começa a coçar, ficando bastante dolorido”, diz.
Tratamento da Rinite
O médico clínico, Régis Rony, explica que a rinite é uma doença relacionada à nossa imunidade, onde os anticorpos reagem ao cenário ambiental na qual a gente está presente. Além disso, ela tem também relação com histórico familiar.
“É uma doença que está cada vez mais presente no nosso dia a dia. Como uma doença alérgica, ela está associada sim com asma, ou
Para o especialista, é muito importante uma avaliação médica em quadros de rinite alérgica, seja aquela rinite que começou agora ou aquela rinite persistente, até mesmo para evitar a automedicação dos pacientes, algo bastante comum e perigoso.
“É uma doença que, muitas vezes, só com orientações de ambiente e mudanças no estilo de vida você já consegue melhorar o quadro, sem precisar ingerir uma quantidade absurda de remédios. Avaliação médica vai ser o diferencial no tratamento, pois vai apontar o antibiótico, ou até mesmo cirurgia, como solução”, destaca.
O médico Régis Rony também esclarece a questão das vacinas; um tratamento que vem se atualizando no mercado. Apesar disso, as vacinas só são utilizadas, como também as cirurgias, quando os sintomas são persistentes ou refratários, onde mesmo com o tratamento não há melhorias.
Atualmente, Gloria Sampaio segue controlando a asma e sua rinite com tratamento mediante medicações. “Até hoje continuo o tratamento, mas as crises são mais raras. Os sintomas da rinite só aparecem mais em época de chuvas, mas consigo ter mais controle”, finaliza.
Mesmo com um histórico familiar com bastante problemas respiratórios e um diagnóstico de desvio de septo bem acentuado para o lado esquerdo, Laura Diógenes, de 25 anos, só recebeu seu diagnóstico de rinite em 2021.
Espirros constantes, dores nos olhos, na face, na região da bochecha e no nariz eram algo constante na vida da estudante universitária. Foi através de uma
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“Iniciei logo os tratamentos, com a lavagem nasal com soro, ao acordar e antes de dormir, além do uso de alguns antialérgicos. Foi essa manutenção dos cuidados que me ajudou a amenizar as crises e seus grandes efeitos. É preciso ter esse cuidado contínuo”, comenta Laura.
A jovem revela que um dos seus principais gatilhos é a mudança repentina de clima, a deixando com muita dificuldade de respirar. Além disso, durante uma crise de rinite suas narinas tapam, se agravando devido ao desvio de septo, a deixando com muita secreção.
“Em 2023 tive a pior crise da minha vida. Fiquei com inchaço nos olhos e na garganta, além de uma enxaqueca muito forte. Mas normalmente é mais essa dificuldade de respirar, o nariz inteiro congestionado, o meu rosto inteiro fica bem dolorido e as dores na face sobem para a testa”, desabafa.
Laura afirma que só consegue controlar as crises se seguir o tratamento corretamente. “A rinite afeta em tudo, no sono, no olfato, no humor, porque vem uma dor de cabeça bem chata. Sempre mantenho esses cuidados diários”, diz.
Para ela, algo que também ajuda é manter uma alimentação saudável e uma boa ingestão de água.
“Muita gente não associa, mas alguns alimentos são inflamatórios. Quando me alimento o mais corretamente possível, minhas inflamações são reduzidas. Também procuro dormir em locais arejados, além de fazer a higienização correta do ventilador e do ar-condicionado”, finaliza.
Para o médico clínico Régis Rony, os principais alimentos que devem ser evitados para quem tem rinite são os industrializados e aqueles que contêm lactose. Ele explica que ao ingerir esses alimentos pode acontecer uma piora na inflamação da região nasal.
Fique atento aos principais cuidados para prevenir a Rinite
“É preciso se alimentar de maneira mais natural e saudável para poder evitar reações do seu corpo, não só com a rinite. Os industrializados, por exemplo, têm diversas propriedades desconhecidas do corpo humano, gerando um risco maior de gerar crises”, clarifica.
O especialista ainda revela outras dicas, como o uso de máscara durante a limpeza da casa e em áreas próximas de queimadas, ter uma frequência de limpeza dos filtros do ar-condicionado e do ventilador, a troca de coxa de cama a cada 7 dias, entre outros.
“São uma série de fatores que a gente pode orientar para reduzir essas crises. É muito importante a frequência do acompanhamento médico. Geralmente é uma doença que tem que ser acompanhada a longo prazo com todas essas orientações”, conclui.