Reportagem Especial

Advogado que levava bilhetes para presos por estar ameaçado tem registro suspenso

Alaor Patrício Júnior atuava na advocacia há um ano e meio e agora está impedido de exercer a profissão por 12 meses em todo o território nacional. Decisão foi anunciada pelo Tribunal de Ética da OAB-CE

Advogado que levava bilhetes para presos por estar ameaçado tem registro suspenso

Alaor Patrício Júnior atuava na advocacia há um ano e meio e agora está impedido de exercer a profissão por 12 meses em todo o território nacional. Decisão foi anunciada pelo Tribunal de Ética da OAB-CE
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O advogado Alaor Patrício Júnior, de 25 anos, afirmou que temia por sua vida e por isso se viu sido obrigado a levar bilhetes para presos da Casa de Privação Provisória de Liberdade Agente Elias Alves da Silva (CPPL IV). Ele acabou flagrado no início da tarde da última terça-feira, durante a vistoria dos agentes penitenciários, após ter visitado quatro detentos - não revelou quem seriam e negou atuar na defesa deles. Em depoimento tomado na Delegacia de Itaitinga, Alaor disse que também não poderia informar o nome de quem estava lhe ameaçando do lado de fora da cadeia - os supostos remetentes - e sustenta que não sabia qual era o teor das mensagens. 

Ao ser descoberto na saída da CPPL, foram encontradas seis folhas de papel ofício e várias canetas em seu paletó. Na inspeção mais minuciosa, os policiais civis acionados também se depararam com papéis escritos escondidos na cueca de Alaor. Eram diversas mensagens. A ideia seria sair com os bilhetes para levar a criminosos fora da penitenciária. Pouco antes de ser flagrado, havia se negado a passar pelo aparelho de raio X (body scanner). Alegou ter se submetido a uma cirurgia no baço e que temia riscos à sua saúde. Garantiu que não foi pago para entrar nem sair com as informações e que nem sequer conhecia os quatro presos com quem manteve contato. Alaor Júnior foi autuado por integrar organização criminosa e por associação para fins de tráfico. Ele continua preso na delegacia de Itaitinga.

Ontem, o Tribunal de Ética e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-CE), suspendeu cautelarmente, por 12 meses, o registro de Alaor (número 39422) junto à entidade. A medida impede automaticamente sua atuação na advocacia em todo o território nacional. A decisão foi tomada monocraticamente pelo presidente do Tribunal de Ética, Josué Lima, diante do flagrante-crime de Alaor na unidade prisional. Seu registro havia sido obtido há apenas um ano e seis meses. "A iniciativa busca preservar, essencialmente, a dignidade e a valorização da advocacia alencarina", afirmou Lima, em nota.

Também ontem foi determinada a abertura do Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra Alaor Júnior. Pode resultar até em sua exclusão dos quadros da Ordem. As penas mais brandas, de censura ou suspensão, são para situações de menor gravidade, diferentes do flagrante. Na próxima terça-feira, dia 1º de outubro, o Pleno do Tribunal de Ética se reunirá em sessão extraordinária, convocada ontem, para referendar a decisão do presidente Josué Lima. As medidas são passíveis de recurso junto ao Conselho Estadual da OAB-CE.

No depoimento ao delegado Wilson Camelo, Alaor Júnior disse ter ido à CPPL IV pelo menos oito vezes no período de dois meses. Em todas as visitas, confirmou que não estava atuando na defesa técnica dos presos "pois estava sendo coagido e ameaçado". Num dos bilhetes encontrados em sua cueca, havia a informação de que o advogado não queria levar os bilhetes pois temia por represálias. O interrogatório foi acompanhado advogado do Centro de Apoio e Defesa da categoria.

No dia 16 deste mês, um outro advogado foi descoberto ao repassar bilhetes a mais um detento, na Casa de Detenção Provisória (CDP), em Aquiraz. O preso estava com o papel da mensagem na boca e acabou interceptado. No último dia 19, as informações chegaram oficialmente ao Tribunal de Ética da OAB, que determinou também a abertura de mais um PAD. O nome do advogado, que também teria menos de dois anos na Ordem, não foi revelado. Ao O POVO Online, a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (Seap) negou que o bilhete trouxesse informações sobre o plano de ataques criminosos em andamento nas ruas da Capital e Interior. Mas o teor não foi revelado.

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