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A linda história de amor entre Donald Trump e Gianni Infantino
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Jornalista formado na Universidade Federal do Ceará (UFC). Foi repórter do Vida&Arte, redator de Primeira Página e, em 2018, virou editor-adjunto de Esportes. Trabalhou na cobertura das Copas do Mundo (2014) e das Confederações (2013), e organizou a de 2018. Atualmente, é editor-chefe de Esportes do O POVO, depois de ter chefiado a área de Cidades. Escreve sobre a inserção de minorias (com enfoque na população LGBTQ+) no meio esportivo no Esportes O POVO

André Bloc esportes

A linda história de amor entre Donald Trump e Gianni Infantino

Direto da Suíça, país da neutralidade, o suíço Gianni Infantino declarou "apoio incondicional" a Donald Trump. Os meandros da amizade entre os dois remontam a outros dirigentes e a outro presidente norte-americano
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Presidente da Fifa Gianni Infantino (de pé), ao lado do presidente dos EUA Donald Trump (sentado) (Foto: Anna Moneymaker / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP)
Foto: Anna Moneymaker / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP Presidente da Fifa Gianni Infantino (de pé), ao lado do presidente dos EUA Donald Trump (sentado)

Se os Estados Unidos jogassem bombas atômicas em todos os pontos do mundo, sobreviveriam as baratas e alguns dirigentes da Fifa. Há quem argumente, portanto, que só restariam as baratas.

No Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), o presidente da Fifa, Gianni Infantino, declarou mais uma vez apoio incondicional ao governo autoritário do bonapartista presidente norte-americano Donald Trump. Mais uma vez porque faz pouco mais de um mês que a entidade máxima do futebol criou um Nobel da Paz para bajular o sujeito.

Isso veio da mesma Fifa que baniu manifestações políticas em jogos de futebol e inscreve como regra a “neutralidade” — conceito que, quando apartado de contextualização, serve a alguém. Afinal, quem julga as fronteiras entre o “neutro” e o “parcial” define onde fica a linha de corte. Vai ver é por isso que suíços dominam a entidade há quase 30 anos, apesar de o país helvético ter um dos futebóis menos relevantes do continente europeu.

Fato é que 71% dos jogos da próxima Copa do Mundo serão nos Estados Unidos, país que sequestrou ditador na América do Sul, incita conflitos no Oriente Médio, ameaça países europeus, vive batalha comercial com rival asiático, insiste em ataques aos vizinhos e coanfitriões do Mundial e convive com clima de guerra civil em seus próprios territórios. Não que a maioria desses problemas seja nova ou inventada por Donald Trump, mas o republicano tem o talento único de transformar a sutileza em caos.

Antecessor do suíço Gianni Infantino no comando da Fifa, o suíço Joseph Blatter deu, nesta semana, rara declaração pública desde que entrou em ostracismo em 2015, quando renunciou ao comando da confederação em meio ao escândalo apelidado de FifaGate, desencadeado pelo FBI. “Aos torcedores, um conselho: evitem os Estados Unidos! Acho que Mark Pieth (especialista suíço em combate à corrupção) tem razão ao questionar esta Copa do Mundo”, escreveu Blatter, provando que sobreviveu à bomba atômica soltada pelo democrata Barack Obama na Fifa em 2015.

O FifaGate rendeu o indiciamento de dezenas de dirigentes esportivos. O então presidente da CBF, José Maria Marin, figurou no rol de encarcerados por alguns meses. Blatter foi banido do futebol. O pretexto da operação era o combate à corrupção. O subtexto foi a escolha do Catar como sede da Copa do Mundo de 2022 — com os Estados Unidos sendo preteridos.

A Copa de 2026 ajuda a Fifa a fazer as pazes com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos. A linda história de amor entre Gianni Infantino e Donald Trump tem motivos pragmáticos, que, de um lado, passam por conivência e sobrevivência e, de outro, por desejo de projetar poder e sede por um legado.

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