Érico Firmo
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Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Além de colunista, é editor-chefe de Cotidiano do O POVO. Já foi editor adjunto de Política, editor-executivo de Cotidiano no O POVO, editor executivo do O POVO Online e coordenador de plataformas digitais

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NOTÍCIA

O assassinato que levou o Dia do Jornalista a ser comemorado na data da queda de dom Pedro I

A data é comemorada no dia em que caiu o primeiro governante brasileiro
Dom Pedro I
Dom Pedro I

No dia 7 de abril se comemora o Dia do Jornalista. Trata-se da data em que o imperador dom Pedro I abdicou ao trono do Brasil. E a celebração tem a ver justamente por isso. O que uma coisa tem a ver com a outra?

Na segunda metade da década de 1820, anos que se seguiram à independência, o Brasil estava mergulhado em crise. Os acordos da separação de Portugal fizeram o império nascer endividado. Resultado: crise econômica. Ainda houve guerra: um conflito armado com a Argentina pela província Cisplatina. O Império sofreu derrota. Com mediação inglesa, o território não ficou nem de um lado nem de outro e formou o Uruguai.

Nesse período, a polarização política foi se acirrando. Desde o acordo da independência, Pedro I era visto como alguém que muitas vezes atendia mais aos interesses portugueses que brasileiros. Havia dois grupos políticos: um, conservador, defensor da centralização monárquica, pró-Portugal, alguns até a favor da restauração colonial; o outro, liberal, a favor de autonomias provinciais.

No meio dessa disputa, em agosto de 1830, o rei Carlos X, da França, abdicou. Foi a derrota do absolutismo monárquico. Em seu lugar entrou o "rei burguês" Luis Filipe. Os liberais no Brasil, opositores do imperador, festejaram. E aí entra o jornalismo.

O italiano Giovanni Battista Líbero Badaró era redator do jornal Observatório Constitucional, de oposição a dom Pedro. Ele organizava comemorações pela mudança de poder na França, quando foi assassinado em 20 de novembro de 1830. Sobretudo em São Paulo, onde ocorreu o crime, os ânimos se incendiaram. O imperador perdeu apoio. Houve quem o acusasse de ser o mandante.

O monarca decidiu se afastar da efervescência da corte e viajou a Minas Gerais. A recepção por onde passou foi, no máximo, fria. Ao retornar, em março de 1831, portugueses organizaram comemorações, repelidas por brasileiros. A resposta dos lusitanos foi violenta, no episódio que ficou conhecido como "Noite das Garrafadas".

A crise que se seguiu levou a batalhas campais nas ruas do Rio de Janeiro. Na madrugada de 7 de abril, o imperador não mais resistiu e abdicou.

A data do fim do primeiro reinado foi instituída como Dia do Jornalista 100 anos depois, em 1931, pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI).

Há 190 anos, um jornalista morria vítima de violência política, resultado das críticas que fazia ao governante.

É significativo que o Dia do Jornalista seja comemorado no dia da queda do primeiro governante do Brasil pós-independência.

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