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Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Além de colunista, é editor-chefe de Cotidiano do O POVO. Já foi editor adjunto de Política, editor-executivo de Cotidiano no O POVO, editor executivo do O POVO Online e coordenador de plataformas digitais

Érico Firmo política

Para o centrão, governo bom é governo fraco

Para eles, o governo de Bolsonaro é ótimo
Tipo Opinião
Bolsonaro tem ao seu lado o centrão, como todo presidente, e dá espaço no coração do governo como nenhum presidente (Foto: EVARISTO SA /AFP)
Foto: EVARISTO SA /AFP Bolsonaro tem ao seu lado o centrão, como todo presidente, e dá espaço no coração do governo como nenhum presidente

O presidente Jair Bolsonaro prepara mudança no governo, mais uma vez. Mexe, de novo, com o núcleo do governo. Trocará mais uma vez o comando da Casa Civil, a ser entregue ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). É a apoteose do centrão.

Atual detentor da Casa Civil, o general Luiz Eduardo Ramos deverá ir para a Secretaria-Geral, onde hoje está Onyx Lorenzoni (DEM-RS), que já esteve antes na Casa Civil.

Aliás, em dois anos e meio de governo, Onyx pode estar indo para o quarto ministério. Já passou por Casa Civil, Ministério da Cidadania, Secretaria-Geral. E agora se cogita que ele vá para um novo Ministério do Trabalho e Previdência, que ressurgiria de um desmembramento do Ministério da Economia. A se confirmar, será a retirada de poder de Paulo Guedes.

Tanta troca em equipe de governo não é rara. Dilma Rousseff (PT), por exemplo, trocou sete ministros no primeiro ano de governo, no que foi chamado “faxina”. Não creio que, para Bolsonaro, seja a melhor das referências. O que chama atenção são tantas mudanças feitas por Bolsonaro no coração do governo. A Casa Civil vai para o quarto ministro. O governo tem dois anos, seis meses e 22 dias. A Casa Civil faz o gerenciamento da administração. Uma empresa que troque de gerente a cada oito meses tem como dar certo? Que dirá um País.

A Secretaria-Geral vai para o quinto ministro. A Secretaria de Governo está sob terceiro comando diferente. Não só essa área. O governo está no terceiro ministro da Educação, quarto ministro da Saúde, terceiro ministro da Justiça e Segurança Pública. Isso para ficar no miolo do governo.

O centrão — aquele que o general Augusto Heleno cantava que se gritar "pega ladrão" não ficava um — já tomou assento no governo, em lugar de honra. Em março passado, a deputada federal Flávia Arruda (PL-DF) assumiu a Secretaria de Governo. O grupo, indo agora também para a Casa Civil, comandará o centro nevrálgico do governo Bolsonaro.

O centrão teve papel-chave em todos os governos desde a redemocratização. Todos. Mas, não me recordo de ter tido pastas tão estratégicas. Tão ligadas pessoalmente ao presidente. Justamente o presidente que dizia não fazer indicações políticas.

O centrão esteve junto de todos os governos. Quando debandou, como fez com Dilma, o governo caiu. A cada dia, Bolsonaro precisa mais desse grupo de parlamentares. Quanto mais fraco o governo é, melhor para o centrão. E o de Bolsonaro, para eles, é ótimo.

A emenda de Bolsonaro sobre a impressão de voto

Nas duas últimas colunas, escrevi que, em décadas como deputado, o hoje presidente Jair Bolsonaro não apresentou projeto para impressão de voto. Fiz a busca no sistema da Câmara, e projeto realmente não há. Ocorre, alertou-me o jornalista Luciano Cléver, que ele apresentou a emenda à proposta de emenda constitucional 344/2013, para estabelecer o "recibo" do voto na urna. Inclusive, a emenda foi aprovada na Câmara em 2015. Sobre isso, então, Bolsonaro tratou da questão no foro adequado, que é o Congresso Nacional. A ele cabe decidir. Não é nem ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nem ao Poder Executivo.

Mantenho a crítica, todavia, de que, numa democracia, o sistema que serve para colocar um governante no cargo também serve para escolher o sucessor dele. Não existe usar o modelo para se eleger e depois dizer que não aceita mais.

Se o Congresso aprovar a mudança, ela deve ser implantada e está tudo bem. Se o Congresso não aprova, segue a regra atual. Bolsonaro disse nesta semana não acreditar mais na aprovação. Mas, mesmo que seja aprovada, é pouquíssimo provável que haja tempo para que o novo sistema seja implantado já para as eleições de 2022.

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