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Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Além de colunista, é editor-chefe de Cotidiano do O POVO. Já foi editor adjunto de Política, editor-executivo de Cotidiano no O POVO, editor executivo do O POVO Online e coordenador de plataformas digitais

Érico Firmo política

Presidente ameaçar democracia e instituições é inadmissível

O que acontecerá se as "duas pessoas" em função das quais Bolsonaro organiza os atos de 7 de setembro não atenderem ao ultimato?
Tipo Opinião
Bolsonaro esbraveja, ameaça e quer mostrar força porque está coagido e é um presidente fraco (Foto: Alan Santos/PR)
Foto: Alan Santos/PR Bolsonaro esbraveja, ameaça e quer mostrar força porque está coagido e é um presidente fraco

"Não podemos admitir que uma ou duas pessoas, usando da força do poder, queiram dar outro rumo ao nosso país. Essas uma ou duas pessoas precisam entender o seu lugar. O recado de vocês nas ruas, na próxima terça-feira, será um ultimato para essas duas pessoas. Curvem-se à Constituição, respeitem a nossa a liberdade e entendam que vocês dois estão no caminho errado, porque sempre há tempo de se redimir."

A afirmação foi feita ontem pelo presidente Jair Bolsonaro. É isso que significa, sem meias palavras, o 7 de setembro. Um ultimato, dado a duas pessoas. O endereço parece claro, aos ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso.

Escrevi ontem que democracia não é a praia de Bolsonaro. Nunca foi. Na democracia, as instituições existem para que ninguém tenha poderes absolutos. Elas têm o dever de impor limites a impulsos autoritários. Numa democracia, ninguém pode tudo, ninguém faz o que quer. Para um admirador de ditadores e torturadores, um projeto mal acabado de autocrata, forjado no mandonismo, é difícil aceitar isso.

Volto à fala de Bolsonaro. "Não podemos admitir que uma ou duas pessoas, usando da força do poder, queiram dar outro rumo ao nosso país." Qual outro rumo? Impedir que o rumo que ele, Bolsonaro, quer? Qual força do poder é essa? Está além das prerrogativas dos cargos que ocupam?

O presidente disse ainda: "Essas uma ou duas pessoas precisam entender o seu lugar." Qual lugar? E acrescentou: "Respeitem a nossa a liberdade e entendam que vocês dois estão no caminho errado."

Quem decide o caminho errado ou certo? Bolsonaro está confuso, equivocado sobre o papel que exerce.
Ele disse se tratar de ultimato a duas pessoas. Pois bem. Se não "entenderem o lugar" delas, se não entenderem que "estão no caminho errado", o que vai acontecer? Vão ser presos? Haverá uma sublevação? Um golpe de Estado? Bolsonaro não consegue ser claro. Nesse caso, não sei se quer. Carlos, o filho zero dois, não nega a quem puxou. Porém, deixa muitas coisas no ar. E elas são inadmissíveis.

É inaceitável, inconcebível e absurdo que alguém sentado na cadeira de presidente dê ultimato, faça ameaças, pressione de tal maneira as instituições. Bolsonaro foi além de qualquer limite. Demonstra reiteradamente que não tem condições de ocupar o cargo de presidente.

Já passou muita gente incapaz pela função. A minoria, eu diria, se mostrou à altura. Mas, jamais houve semelhante combo de inadequações. Nenhum foi tão disfuncional, distante do que deve ser um presidente. Se alguém não entendeu seu lugar esse foi Bolsonaro.

O que quer o presidente

Não tenho a menor dúvida de que as manifestações de 7 de setembro reunirão muita gente. Bolsonaro perde popularidade e apoiadores, mas acena cada vez mais aos mais radicais. Ainda há muita gente ao lado dele, e os que estão são dispostos a quase tudo por ele. Vai haver multidões. Para quê?

Bolsonaro quer mostrar força. Isso fica cada vez mais evidente em sua fala. Força para quê? Para colocar medo em quem fica no caminho dele. Para coagir e ameaçar.

Por que ele quer mostrar força? Porque é fraco e está cada vez mais combalido.

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