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Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Além de colunista, é editor-chefe de Cotidiano do O POVO. Já foi editor adjunto de Política, editor-executivo de Cotidiano no O POVO, editor executivo do O POVO Online e coordenador de plataformas digitais

Érico Firmo política

Tasso e a tentativa de um anti-Doria

Senador cearense segue na disputa para definir o candidato do PSDB e presidente e tenta atrapalhar a hegemonia de João Doria
Tipo Opinião
Tasso se inscreveu para prévias do PSDB a presidente (Foto: AURELIO ALVES)
Foto: AURELIO ALVES Tasso se inscreveu para prévias do PSDB a presidente

O senador cearense Tasso Jereissati (PSDB) formalizou a entrada nas prévias do PSDB. Especulava-se que desistiria para apoiar o governador gaúcho Eduardo Leite, o que ainda pode acontecer. Por ora, todavia, Tasso está no páreo para ser candidato a presidente, ao lado de Leite, do governador paulista João Doria e do ex-prefeito de Manaus e ex-senador Arthur Virgílio.

A disputa no PSDB envolve duas questões cruciais, uma fora e outra dentro do partido. Dentro é a tentativa de se contrapor a João Doria. Tasso tem explicitamente esse propósito. Já se desentenderam publicamente nesse processo mesmo.

Tasso verbaliza a voz dos históricos do PSDB, que rapidamente perderam o controle da sigla, cultivado por décadas, enquanto Doria avançou. Está de fato próximo de Eduardo Leite, enquanto Virgílio tem dado sinais de aproximação com Doria. Especulou-se que os dois podiam desistir. Nos respectivos lados, os dois podem cumprir papéis semelhantes: de tucanos históricos como fiadores de estrelas em ascensão na sigla.

Essa é a briga interna. A externa é qual papel o PSDB terá na eleição. Por duas décadas, de 1994 a 2014, o partido sempre foi alternativa real de poder. Ou fez o presidente no primeiro turno ou disputou segundo turno. Em 2018, o partido desmilinguiu-se de forma espantosa. Doria disse ontem que o partido será a tão falada terceira via entre PT e Jair Bolsonaro.

Pelas, pesquisas, o PSDB tem tantas possibilidades quanto muitos outros ainda bem longe de se apresentar de fato como alternativa real de poder. A eleição está longe, é claro, e pode acontecer tudo. Inclusive nada.

Não parece hoje provável que Doria seja derrotado por Eduardo Leite na disputa interna. Na briga externa, nenhum dos dois parece hoje competitivo, mas Doria parece mais promissor. Com Tasso seria diferente? Bom, no jogo interno ele tem mais história que ambos, o que não necessariamente significa ter votos internamente, O mesmo vale para fora.

A Presidência ou aposentadoria

Tasso confirma o nome nas prévias tucanas dias depois de afirmar que não será mais candidato a senador. Ou seja, pela forma como a questão caminha, ou disputa a Presidência ou se aposenta da política.

Reflexos no Ceará

O rumo que tomará o PSDB no Ceará é uma questão relevante. O partido passou uma década na oposição ao grupo Ferreira Gomes, do rompimento em 2010 ao apoio a José Sarto (PDT) em 2020. Presidente estadual da sigla, Luiz Pontes disse ao O POVO, na semana passada, que o partido segue oposição estadual. Há o fato de o governador ser Camilo Santana, do PT. Em que pese que, até dia desses, o secretário da Saúde do Estado era Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho, o Cabeto. Que Pontes vê como potencial candidato a governador, o que seria um tanto surpreendente. Mas, bem, o PSDB sempre tratou a ida de Cabeto como contribuição pessoal, não partidária. De todo modo, o candidato governista ao Palácio da Abolição no ano que vem deverá ser do PDT, não um petista. Isso pode facilitar o entendimento.

Em eleições anteriores, Tasso até se lançou candidato como forma de garantir palanque estadual ao partido. Ele não parece hoje nada disposto a fazer isso. É duvidoso até mesmo o esforço que dedicará para construir uma candidatura própria em nome do projeto nacional. Salvo, claro, se for ele escolhido candidato.

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