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Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Além de colunista, é editor-chefe de Cotidiano do O POVO. Já foi editor adjunto de Política, editor-executivo de Cotidiano no O POVO, editor executivo do O POVO Online e coordenador de plataformas digitais

Érico Firmo política

Bolsonaro quer obrigar brasileiro a conviver com não-vacinados

Presidente diz que é contra qualquer obrigação relacionada à vacina. Dessa forma, torna obrigatório conviver com quem não se vacinou e se expor ao risco
Tipo Opinião
 Bolsonaro: a única obrigação sobre a vacina é a de conviver com quem não se vacina (Foto: EVARISTO SA / AFP)
Foto: EVARISTO SA / AFP Bolsonaro: a única obrigação sobre a vacina é a de conviver com quem não se vacina

A patética passagem da comitiva do presidente Jair Bolsonaro por Nova York teve um séquito de contaminados com Covid-19, do ministro da Saúde ao filho do presidente. E ficamos sabendo que Michelle Bolsonaro se vacinou por lá mesmo. No discurso na ONU, o presidente disse ser contra “passaporte sanitário ou a qualquer obrigação relacionada a vacina.” O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que ninguém será vacinado à força, mas o Brasil já aplicava sanções a quem não sa vacina. Inclusive restrições a matrículas escolares. Quem não se vacina contra determinadas doenças é impedido de ingressar em alguns países. O próprio Bolsonaro sancionou, em fevereiro passado, lei que prevê vacinação compulsória.

Ninguém deve, de fato, ser vacinado à força. Porém, quando o presidente nega restrições a não vacinados, ele está estabelecendo uma obrigação, sim. Ele obriga os brasileiros a conviverem com gente que não quis tomar vacina e representa risco a todos. O presidente disse que se vacinar ou não é decisão individual. Não é. Imunização é questão de saúde coletiva e afeta a todos.

Jaguaribara e Castanhão, símbolos de um projeto de Ceará

A construção de uma nova cidade de Jaguaribara foi um marco muito além do pequeno município antes cortado pelo Jaguaribe. Tratou-se de uma das empreitadas mais ousadas do ciclo do PSDB no Ceará. Resultado da aliança entre Tasso Jereissati e Fernando Henrique Cardoso. Construir uma nova cidade, transferir toda a população de lugar, para dar lugar ao maior açude do Brasil.

O povo de Jaguaribara pagou o preço mais alto. Foi construída para recebê-los a primeira cidade planejada do Ceará. Bem maior, mais bem equipada. Gente que não sonhava em ter casa ganhou morada própria. Não são ganhos desprezíveis. São concretos. Intangível é o peso emocional. É um traço cultural do cearense a migração. Muitos de nós deixamos o lugar onde nascemos por razões diversas. Mas, é diferente não poder voltar, saber que o lugar deixou de existir.

A importância do Castanhão, na forma como os recursos hídricos do Ceará hoje se organizam, é inegável. Na última década, o Estado atravessou a mais longa estiagem já registrada. Se a Capital não padeceu sem água, não enfrentou racionamento, é porque o Castanhão existe. Porque, há 20 anos, um povo perdeu sua cidade, deixou a casa onde nasceu, o lugar onde os descendentes foram sepultados, para construírem uma nova cidade. O cearense precisa agradecer ao povo de Jaguaribara.

A política no tempo em que Jaguaribara se mudou

Quando Jaguaribara mudou de lugar, o Ceará atravessava uma crise política. Tasso era governador e estava rompido com dois ex-aliados de peso: o então senador Sergio Machado e o à época presidente da Assembleia, Welington Landim. Os dois deixaram o PSDB para concorrer a governadores. Na inauguração da cidade nova, Tasso admitiu o medo de não fazer o sucessor. “Temos muito receio de que as coisas voltem ao passado, que por algum acidente de percurso tudo que fizemos venha a ser destruído pelos que sentem saudade do passado.” Sergio e Welington eram ameaças reais à continuidade do chamado projeto mudancista. A eleição de 2002 foi, no segundo turno, a mais acirrada da história do Ceará. Mas, quem ameaçou o candidato de Tasso não foi nenhum dos dois, mas o PT, com José Airton Cirilo.

Tasso fez como sucessor Lúcio Alcântara. Quatro anos depois, rompeu duramente com ele, fazendo acusações duras. Talvez depois tenha achado que o melhor era o resultado ter sido outro. Ou não, já que mais tarde Lúcio retornou ao PSDB.

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