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Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Além de colunista, é editor-chefe de Cotidiano do O POVO. Já foi editor adjunto de Política, editor-executivo de Cotidiano no O POVO, editor executivo do O POVO Online e coordenador de plataformas digitais

Érico Firmo política

Situação do PDT tumultuou de vez

Tipo Opinião
 Roberto Cláudio, Ciro Gomes e Carlos Lupi (Foto: FABIO LIMA)
Foto: FABIO LIMA  Roberto Cláudio, Ciro Gomes e Carlos Lupi

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Pelo gosto que Cid Gomes tem pela emoção e por adiar definições, os períodos pré-eleitorais no grupo Ferreira Gomes são sempre movimentados. Até então, havia uma briga pública envolvendo o PT. Desde a saída de Camilo Santana (PT) e da posse de Izolda Cela (PDT) no governo, a situação interna pedetista foi ficando mais tensa gradualmente. A impressão que se tem é que a escalada da disputa saiu do controle dos líderes — entre os líderes, até. Nesta semana, o evento de apoio a Ciro Gomes em Fortaleza, que pretendia mostrar força e união, escancarou as divergências. O presidente da Assembleia Legislativa, Evandro Leitão, puxou as críticas. Nos grupos de Whataspp do PDT, manifestou “indignação pelo comportamento inoportuno e desrespeitoso” do presidente nacional pedetista Carlos Lupi, que tratou o ex-prefeito Roberto Cláudio como se já escolhido candidato. Há outras três pessoas na disputa: Izolda, o deputado Mauro Filho e o próprio Evandro. Vários deputados acompanharam Evandro na crítica.

A resposta de Lupi aumentou a temperatura: “Inadequado e desrespeitoso é o deputado Evandro Leitão, que mesmo sendo do PDT, chegou ao encontro do partido atrasado, ficou cerca de meia hora e foi embora.” Ele reforçou que, embora na condição de presidente nacional, tem direito de manifestar opinião. Não são poucos os pedetistas com pressa por definição, para evitar mais atritos e para tentar cicatrizar as feridas expostas.

Bedel

As críticas de Lupi por Evandro chegar atrasado e ir embora logo cabem também em Izolda, que chegou e foi embora com ele. E podem ser estendidas ao prefeito José Sarto, que chegou depois ainda — embora tenha ido embora depois. De todo modo, controlar a hora de chegada e saída de autoridades parece futrica pequena diante do debate sobre o rumo do Estado.

O fracasso da vontade

O presidente Jair Bolsonaro (PL) quer poder sem responsabilidade. Mais uma vez, faz discurso contra a Petrobras e a alta de preços como se não tivesse nada com isso. Aliás, ele disse explicitamente isso, em live na quinta-feira. "Não mando nada lá." Não, quem manda deve ser eu. Deve ser você, leitor. É um método de Bolsonaro. Nada é culpa ou responsabilidade dele: o combate à pandemia, o aumento dos preços de alimentos, combustíveis, coisa nenhuma. Lembra quando foi à ONU e colocou a culpa nos índios pelos incêndios florestais? Sempre tem outra pessoa responsável, nunca é ele.

Ele disse que a empresa está "rachando de ganhar dinheiro" e esse lucro não interessa a ele nem à equipe econômica. Disse que não iria fazer apelo, porque tinha feito em outro momento e "quebrou a cara". É verdade, foi patético o pedido e ser ignorado. Mas, olha o ridículo. Bolsonaro pensa que isso se resolve com apelo em rede social. Não entende que precisa trabalhar para as coisas acontecerem.

Bolsonaro reclamou do conselho, cuja maioria ele indicou. Criticou o presidente. Ocorre que José Mauro Ferreira Coelho não arrombou a porta para entrar lá, não deu um golpe. Ele foi nomeado. Escolhido por Jair Messias. Foi o presidente quem o colocou lá, e é responsável, em última instância. Isso faz dois meses. Quando conseguir fazer a troca, Bolsonaro terá ido para o quarto presidente indicado por ele. Na média, um por ano de governo. Do ano passado para cá são três.

Outro dia um leitor me escreveu para dizer que, por Bolsonaro, a gasolina já teria baixado. Tudo bem, mas isso não tem a menor importância. Bolsonaro pensa que governar é ato de vontade. Querer e ver as coisas acontecerem. Não, governar exige muito trabalho. Significa se cercar de gente capaz para tomar as decisões certas, fazer o necessário para que as decisões sejam colocadas em prática, articular politicamente as condições institucionais para surtirem os efeitos necessários. Precisa trabalhar. Mas, Bolsonaro não faz isso. Ele quer que suas vontades se realizem, como por mágica.

Dava para saber que seria assim antes da campanha. Numa entrevista ao O Globo em 21 de julho de 2018, ele foi perguntado sobre sua política econômica. Narrou então os pedidos que fez à equipe: "O que a gente quer: inflação baixa, dólar compatível para quem importa e exporta, taxa de juros um pouco mais baixa e não aumentar mais impostos. Só pedi coisa boa." Não é a cara do governo Bolsonaro?

Ele falou de pedidos. Como se governar fosse dizer o que quer e esperar o gênio da lâmpada, ou do mercado, realizar os desejos.

Eu lá em casa adoraria que o orçamento doméstico fosse maior, as contas de água e luz fossem menores. Mas, eu só querer não adianta nada se algo não for feito.

Bolsonaro falou da tentativa de reduzir o ICMS sobre combustíveis e reclamou de o reajuste dos preços ocorrer enquanto essa tramitação está em curso. "Eu só posso entender que seria, um reajuste da Petrobras agora, interesse político para atingir o governo federal." Olha o nível de paranoia. Acha que a decisão de uma empresa controlada pelo governo é interesse político de atingir... o governo. A Petrobras é governo, parte do que se chama administração indireta. E o presidente, repito, foi indicado pela vítima da "conspiração" dois meses atrás.

No último dia 9, escrevi que a tentativa de reduzir o ICMS não era necessariamente ruim, mas não atacava a causa da alta dos combustíveis. Aí está.

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