Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Já foi repórter de Política, editor-adjunto da área, editor-executivo de Cotidiano, editor-executivo do O POVO Online e coordenador de conteúdo digital. Atualmente é editor-chefe de Política e colunista
Foto: LEANDRO CHEMALLE/ESTADÃO CONTEÚDO
POLÍCIA em prédios da
Faria Lima, em cumprimento de mandados da operação Carbono Oculto
A operação Carbono Oculto surpreende ao mostrar quão longe chegam os tentáculos das facções criminosas. O controle territorial de comunidades pobres é apenas a face escancarada de organizações que estão, já se sabe, infiltradas no poder político, com presença em eleições e influência em prefeituras. Também se sabia de algum nível de relações comerciais e interesse em serviços, inclusive cobrando pedágio e ameaçando empresários.
O que se encontra agora é um braço que envolve quantias bilionárias em relações com as chamadas fintechs — empresas financeiros digitais, charmosas, perfumadas e em endereços elegantes. Algumas delas estão metidas até o pescoço com poder político, articulam pesadamente para que não paguem mais tributos nem sejam mais fiscalizadas. Percebe o tamanho da complicação?
Até o momento, não há elementos para vincular pessoas com mandato eletivo à lavagem do dinheiro do crime pelas fintechs. Porém, existem parlamentares empenhados na defesa de empresas que, sabe-se agora, estariam envolvidas com tais grupos para lavar dinheiro.
Escolas afetadas pelas facções
O crime se envolve nas altas movimentações financeiras, mas não deixa de agir violentamente no cotidiano das populações pobres. Mensagens ameaçadoras circulam sobre conflitos nos bairros Papicu e Vicente Pinzón. Em função disso, as aulas têm sido afetadas. Difícil saber o que é verdade sobre as ameaças, mas quem quer arriscar, principalmente em relação aos filhos?
O papel de Nikolas
Na pressão contra a taxação e a fiscalização das fintechs, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) assumiu a linha de frente, na virada do ano. O que não significa que ele tenha envolvimento com ações criminosas, facções ou transações financeiras ilegais. Não há nenhum elemento nesse sentido. Mas seria bastante desejável que ele se reposicionasse em relação ao tema, em particular à necessidade evidenciada de averiguação rigorosa desse tipo de operações financeiras.
Blindagem
A política brasileira é uma montanha-russa mesmo. A chamada PEC da blindagem era prioridade num dia, motivo de muitas negociações. No dia seguinte, já se desistiu dela e os padrinhos mudaram o foco. Antes, a intenção era votar na madrugada. Como a repercussão da proposta era muito negativa, preferiram deixar para lá. Ao menos por enquanto — as coisas na política são assim. Quando uma ideia sofre resistências, ela não necessariamente é abandonada, apenas adiada para aguardar ventos favoráveis.
Ora, se a proposta era considerada necessária, não deveria ser abandonada porque pegou mal nas redes sociais. Da mesma maneira que é equivocado quando se resolve mudar as leis por causa da grita nos ambientes digitais ou mesmo na rua. O Legislativo precisa ter sintonia com a vontade popular, mas não pode mudar com o vento nem ir para um lado ou para o outro conforme as tendências variam nas plataformas.
Que a PEC da blindagem seja arquivada e esquecida é ótimo. Trata-se de uma pouca-vergonha, para evitar parlamentares de responderem por denúncias e se livrarem de prisões, salvo em casos muito específicos. Até 2010, nenhum congressista havia sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O pioneirismo é cearense, coube a José Gerardo Arruda. Depois que o pessoal começou a ser preso, cassado e condenado, veio a reação.
A PEC previa até que não caberia ao Judiciário julgar a legalidade quando o Congresso decidisse suspender ação contra um parlamentar, pois seria decisão de natureza política. Lembrou-me o ato institucional número 5, que previa que nenhuma medida relacionada a ele estaria passível de controle do Judiciário — uma mostra da consciência que tinham na ilegalidade de tudo.
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