Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Já foi repórter de Política, editor-adjunto da área, editor-executivo de Cotidiano, editor-executivo do O POVO Online e coordenador de conteúdo digital. Atualmente é editor-chefe de Política e colunista
Futuro da política na Venezuela é dúvida; o do petróleo, nem tanto
Tal tipo de intervenção não era visto há algum tempo na América do Sul. A instabilidade decorrente é motivo de preocupação para a região, em particular para o Brasil
Foto: Pedro Rances Mattey / AFP
Presidente venezuelano Nicolás Maduro foi capturado
Política não é feita de heróis e vilões e Nicolás Maduro definitivamente não é mocinho. A Venezuela é um país de instabilidade política e isso não tem lado. Hugo Chávez tentou um golpe anos antes de ser eleito. Ao chegar ao poder pelo voto — na época com a simpatia do deputado brasileiro Jair Bolsonaro — fez uma ampla reforma na estrutura política, que incluiu a extinção do Senado. Seguiu-se outra tentativa de tomada do poder, malsucedida, desta vez contra ele.
Na sequência, o regime tornou-se gradualmente mais autoritário. O modelo adotado passou pelo controle do Legislativo e o posterior aumento do número de cadeiras na Suprema Corte. Os novos membros eram claro, indicados por ele, garantindo a maioria. Assim, todos os poderes ficaram sob domínio do Executivo. Algo, aliás, que foi cogitado no Brasil por Bolsonaro e aliados em algumas ocasiões.
As eleições venezuelanas têm sido envolvidas em suspeitas de fraudes, mas a mais recente se superou. Candidaturas oposicionistas foram barradas sem que houvesse nem preocupação de dar explicações plausíveis. Na votação em si, os sinais de irregularidades proliferaram, num descrédito sem precedentes.
Nada disso é motivo para crer que a situação irá melhorar com a intervenção dos Estados Unidos, ordenada por Donald Trump. O método de Washington é imperial. Faz porque tem poder para tanto e ninguém tem condições de impedir. Não se contrapõe a um regime autoritário pelo uso da força, com método ilegítimo e truculento.
Tal tipo de intervenção não era visto há tempos na América do Sul. A instabilidade decorrente é motivo de preocupação para a região, em particular para o Brasil.
O que ocorrerá com a Venezuela é difícil projetar no momento. Tenho dúvidas se o país terá vigoroso avanço democrático. Parece-me mais claro o destino das reservas petrolíferas, as maiores do planeta.
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