Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Já foi repórter de Política, editor-adjunto da área, editor-executivo de Cotidiano, editor-executivo do O POVO Online e coordenador de conteúdo digital. Atualmente é editor-chefe de Política e colunista
Foto: AURÉLIO ALVES
TODO profissional já foi estudante e teve professores
Medida provisória assinada na semana passada pelo presidente Lula (PT) reajustou o piso dos professores de R$ 4.867,77 para R$ 5.130,63. A categoria celebrou, pois estava projetado índice de 0,37%, muito abaixo da inflação de 2025, de 3,9% conforme o INPC. Mas representantes de prefeituras protestam e apontam impacto nas contas públicas.
Repete-se o discurso dos prefeitos, todos os anos, contra os reajustes. Eles não estão errados na preocupação com o equilíbrio fiscal. Mas parecem não compreender a dimensão da política pública em curso.
Não se trata apenas de os professores ganharem melhor. É uma maneira de reposicionar a forma como a profissão é vista. A docência não é apenas importante, é estruturante na sociedade. Todos os trabalhadores tiveram professores, de forma geral e específica para a área.
A carreira, porém, se tornou sinônimo de desvalorização. Sou filho e sobrinho de professoras. Sou provavelmente da primeira geração que passou a ver esses profissionais como alguém que ganha pouco e trabalha demais para ter o básico. Em sala de aula, quando se conversava sobre qual profissão seguir, praticamente ninguém falava da docência.
O piso dos professores e a política de reajustes são um passo para fazer com que a sala de aula volte a ser atrativa para os estudantes. É relevante para o Brasil, desde a economia até cultura, que os jovens voltem a se encantar e a desejar ser professores. Por isso é tão necessário que o piso tenha aumento real, acima da inflação. Para que nunca mais se desvalorize e o País ande para trás.
Beijo para a professora
Aproveito o tema para me permitir um parêntese e homenagear minha tia, Elzenir Sampaio, professora que nos deixou na semana passada. Obrigado, tia. Um beijo.
A pergunta desagradável para Ciro Gomes
Ciro Gomes (PSDB) foi indagado na sexta-feira passada sobre o possível apoio a Flávio Bolsonaro (PL) para presidente da República. Ele mostrou que não é o assunto mais confortável para ele. “Rapaz, tu só tem pergunta desagradável”, reagiu ao repórter Marcos Moreira, do Diário do Nordeste — cujo questionamento foi absolutamente pertinente. O tucano prosseguiu: “Por que eu apoiaria um camarada que não é do meu partido? O PSDB vai, nacionalmente, tomar posição. O União Brasil vai, nacionalmente, tomar posição. Então, quando estiver na hora, a gente conversa”.
A relação de Ciro com o PL é um assunto delicado desde há algum tempo. Aliados não escondem: uma candidatura de direita com Tarcísio de Freitas (Republicanos) seria muito mais interessante para a oposição estadual. Flávio, e o sobrenome Bolsonaro, carrega vários atributos — se bons ou ruins vai do juízo de cada um.
Mas, entre o eleitorado cearense, a marca do bolsonarismo tem um peso negativo. Ciro demonstrou isso. Parlamentares do PL local são os mais entusiasmados com Ciro como candidato, mas a aliança é uma interrogação. E talvez o pré-candidato não faça tanta questão assim do apoio formal no primeiro turno.
Influência federal
Ciro, se pudesse, adoraria isolar a eleição do Ceará da disputa presidencial. Comentou em algumas ocasiões que as diferenças nacionais entre os aliados talvez sejam “incontornáveis”. O bloco se sustenta no objetivo de derrotar o PT no Estado. O problema é que tal apartação não será possível. A eleição presidencial irá ocorrer e será simultânea. A vinculação nacional, por outro lado, é a aposta principal da base governista.
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