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O alvo das críticas dos Ferreira Gomes
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Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Já foi repórter de Política, editor-adjunto da área, editor-executivo de Cotidiano, editor-executivo do O POVO Online e coordenador de conteúdo digital. Atualmente é editor-chefe de Política e colunista

Érico Firmo política

O alvo das críticas dos Ferreira Gomes

O governador Elmano de Freitas não é o principal alvo dos irmãos Ivo e Ciro Gomes
Tipo Opinião
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CID, Ivo e Ciro Gomes (Foto: Tatiana Fortes, em 3/3/2016)
Foto: Tatiana Fortes, em 3/3/2016 CID, Ivo e Ciro Gomes

Ao final da maratona de entrevistas de Ivo Gomes (PSB), um aspecto chama atenção. Daquilo que acompanhei — era coisa demais — não o vi fazer críticas diretas ao governo ou ao governador Elmano de Freitas (PT). Ele questiona a postura política e o que considera concentração de poder, algo que o irmão senador Cid Gomes (PSB) também contesta. Nem se diz oposição, mas afirma que poderá ser. A estocada mais incisiva ao Palácio da Abolição, da parte do ex-prefeito mais recente, foi direcionada ao secretário da Casa Civil, Chagas Vieira.

Nas manifestações de Ciro Gomes (PSDB), Elmano também não é o alvo principal. Ele bate bastante, mas não tem o governador como foco. Ou confronta o PT e o projeto, de forma geral, ou mira Camilo Santana (PT). O ex-ministro e ex-governador, a propósito, até apoiou Elmano na malsucedida campanha a prefeito de Caucaia, em 2020. O à época governador Camilo Santana (PT) gravou vídeo no momento final do primeiro turno em favor do então e atual prefeito, Naumi Amorim (PSD). O objetivo era derrotar Vitor Valim já no primeiro turno. Mas houve segundo turno e Valim derrotou Naumi e foi eleito. Acabou por se tornar forte aliado de Camilo e Elmano. Em 2024, não tentou a reeleição e viu o candidato apoiado, Waldemir Catanho (PT), ser derrotado por Naumi, que conseguiu voltar no ano passado. A política em Caucaia não é fácil.

De volta a Elmano, as cobranças mais diretas ao governador são feitas não pelos Ferreira Gomes, mas por Roberto Cláudio e também Capitão Wagner (ambos do União Brasil) e por membros menos graduados do grupo.

Até a campanha, a situação tende a mudar. Mas é interessante observar como se dá hoje o jogo de antagonismos e disputas.

Influência federal

Comentei dia desses sobre a influência de questões federais sobre a eleição estadual. Uma amostra desse fenômeno: desde a redemocratização, o governador eleito no Ceará sempre teve apoio do candidato a presidente mais votado no Estado quando as eleições coincidiram.

Isso começou em 1994. Fernando Henrique Cardoso (PSDB) liderou os votos presidenciais no Ceará e o governador eleito foi Tasso Jereissati (PSDB). Em 1998, Ciro Gomes estreou nacionalmente com maioria no próprio Estado. Tasso foi reeleito com respaldo tanto de Ciro quanto de FHC, embora tenha feito campanha pela reeleição do então presidente. Em 2002, novamente o ex-governador e ex-ministro foi o mais votado para presidente no Ceará. No palanque para governador estava o eleito Lúcio Alcântara. Detalhe: no segundo turno, o mais votado no Ceará foi Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O candidato dele era José Airton (PT), que não ganhou, mas passou muito perto, na eleição mais disputada já vista pelos cearenses. Chegou a se notabilizar o voto Lu-Lu, Lula e Lúcio. Um dos adeptos acabou sendo o próprio Ciro, que endossou a candidatura petista no segundo turno para presidente, mas manteve forte enfrentamento ao partido no plano local.

Em 2006, Lula, presidente, apoiou Cid Gomes (PSB) para o Executivo estadual. Em 2010, o hoje senador foi reeleito em aliança de Dilma Rousseff (PT), mais votada para presidente no Estado. Em 2014, a base federal se dividiu no Ceará entre PT e PMDB. Camilo Santana (PT) virou candidato a governador por pertencer ao mesmo partido da presidente, uma forma de evitar que ela e Lula estivessem no palanque adversário, de Eunício Oliveira.

Em 2018, o hoje ministro da Educação se reelegeu como candidato tanto de Ciro, líder no Ceará, quanto de Fernando Haddad (PT), segundo colocado no primeiro turno e líder em votos no segundo entre os cearenses. Em 2022, Elmano de Freitas (PT) e Lula foram os campeões.

Há diferentes circunstâncias. Em eleições como as de 1994, 1998, 2010 e 2018, é mais provável que os candidatos a governador tenham mais ajudado os respectivos candidatos que o inverso. O fato é que há uma vinculação significativa entre as duas disputas, que precisa ser considerada.

Errei: diferentemente do que escrevi originalmente, Vitor Valim não perdeu a reeleição para Naumi Amorim, pois nem candidato foi. A informação foi corridida acima.

Foto do Érico Firmo

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