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Quão seguro está o Rio de Janeiro desde a mortandade em operação policial
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Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Já foi repórter de Política, editor-adjunto da área, editor-executivo de Cotidiano, editor-executivo do O POVO Online e coordenador de conteúdo digital. Atualmente é editor-chefe de Política e colunista

Érico Firmo política

Quão seguro está o Rio de Janeiro desde a mortandade em operação policial

O número de mortos a bala cresceu 44,2%. Houve ainda 220 feridos a bala. Foram registrados 520 tiroteios e 12 chacinas. Quatro pessoas morreram vítimas de balas perdidas e 23 ficaram feridas
Tipo Opinião
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OPERAÇÃO no Rio foi a mais letal da história (Foto: Pablo Porciúncula / AFP)
Foto: Pablo Porciúncula / AFP OPERAÇÃO no Rio foi a mais letal da história

Em 28 de outubro, a Polícia do Rio de Janeiro realizou a operação mais letal da história da segurança pública no Brasil. O número de mortes somou 122: 5 policiais e 117 pessoas que estavam nas 26 comunidades da zona norte da cidade do Rio de Janeiro que formam o Complexo da Penha e o Complexo do Alemão. Participaram da chamada operação Contenção 2,5 mil policiais, para a execução de 100 mandados de prisão contra integrantes da facção criminosa Comando Vermelho. Foram cumpridos 20, conforme balanço feito ao final daquela semana. Foram 113 presos. O governador do Estado, Cláudio Castro (PL), surfava na popularidade por ter saciado a sede de sangue e brutalidade — talvez compreensíveis em uma sociedade que se habituou ao cotidiano de violência. No dia seguinte à operação, ele falou uma frase para a história: “Mostramos ontem um duro golpe na criminalidade”.

Dados do instituto Fogo Cruzado, em levantamento a pedido da Agência Brasil, mostram como está a violência desde então no Rio de Janeiro e na Região Metropolitana.

O número de mortos a bala cresceu 44,2%. Foram 329 mortos entre 28 de outubro de 2025 e 28 de janeiro de 2026. A comparação é com as 228 mortes entre 28 de outubro de 2024 e 28 de janeiro de 2025.

Os óbitos incluem envolvidos com crimes e procurados pela Polícia, mas também profissionais de segurança pública e pessoas, de diferentes idades, que não eram alvo de qualquer investigação ou acusação.

Nesse período, houve ainda 220 feridos a bala.

Panorama da violência no Rio de Janeiro no governo Cláudio Castro

No período de 92 dias entre 28 de outubro de 2025 e 28 de janeiro de 2026, o instituto Fogo Cruzado registrou 520 tiroteios na capital e Região Metropolitana do Rio. Passa de cinco por dia. Desses, 200 ocorreram em ações ou operações da Polícia — nos quais 210 pessoas morreram e 125 ficaram feridas.

Houve no período quatro mortos por bala perdida e 23 feridos. Oito desses casos ocorreram em ações policiais.

Nos três meses considerados, foram computadas ainda 12 chacinas.

Pirotecnia e a vida real

Na época da chamada “megaoperação”, escrevi que preferia esperar para conferir se havia sido mesmo um “duro golpe na criminalidade”, como disse o governador. Mencionei que queria ver como estaria a situação dali a seis meses. Passaram-se três.

Até agora, não há sinais de que a criminalidade tenha sofrido um golpe considerável. A facção criminosa — a mesma que tem hegemonia territorial no Ceará — segue em pleno vigor. Foi, sim, um grande golpe de marketing. Um governador visto como sem graça nem qualidades aparentes de repente virou emblema do combate ao crime.

Infelizmente, custou o sangue de muita gente.

Pior ainda que, para a população, não haja resultado concreto na melhoria da segurança.

Em tempos nem tão distantes, governos podiam ser eleitos pela retórica e a propaganda, mas eram avaliados pelos resultados.

Hoje, o que mais pesa é a propaganda. Uma vez conquistados os seguidores e mobilizados os influenciadores digitais, a vida real do impacto das políticas no dia a dia se torna secundária.

Desdobramento

Cinco policiais militares do Batalhão de Choque do Rio foram presos acusados de crimes durante a operação, um mês depois de realizada. Outros cinco foram alvos de mandados de busca e apreensão. Os atos investigados envolviam até roubo de fuzil — suspeita-se que para a revenda a criminosos.

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