Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Já foi repórter de Política, editor-adjunto da área, editor-executivo de Cotidiano, editor-executivo do O POVO Online e coordenador de conteúdo digital. Atualmente é editor-chefe de Política e colunista
As manifestações da família Ferreira Gomes em relação a Camilo Santana (PT), estimuladas pela oposição, estão relacionadas à transição de hegemonia política dentro do governismo. Lia Gomes e Ivo Gomes (ambos PSB) verbalizam o protesto de forma mais direta, conforme a coluna abordou ontem. Cid Gomes (PSB) já havia reclamado da concentração de poder no PT e esteve na iminência de romper com o governador Elmano de Freitas (PT). São sintomas da perda de protagonismo de Cid, que se iniciou em 2022.
O hoje senador foi governador por oito anos e elegeu o sucessor. Na gestão do petista, o antecessor realmente se manteve distante do dia a dia administrativo, mais do que ocorre com Camilo em relação a Elmano. Mas a operação política seguiu passando pelo escritório de Cid. Era ele quem conduzia a estratégia e as articulações.
Quando o atual ministro da Educação se desincompatibilizou do Governo do Estado, instalou-se em um escritório político onde passou a receber líderes estaduais intensamente. Na época, houve aliados que comentaram, não sem certa ironia: “Agora ele virou articulador”. Até então, ele não se dedicava com aquele ímpeto a esse tipo de operação. Mas ali, na própria sucessão, ele começava a assumir o comando da política estadual.
Simultaneamente, Cid deliberadamente se afastou das negociações. Segundo relatou depois, para respeitar a decisão de Ciro Gomes (PSDB), de bancar a candidatura de Roberto Cláudio (União Brasil) a governador naquele ano, e não a reeleição de Izolda Cela (PSB), vice que havia assumido o governo. Nesse processo de isolamento do senador, Camilo consolidou a hegemonia no governismo.
O ministro nunca tinha tomado de fato as rédeas do grupo, embora comandasse o governo. Depois de abrir espaço ao se retrair em 2022, Cid não alcançou mais o mesmo protagonismo. Isso levou a tensões. Antes, mesmo com Camilo governador, o PT era coadjuvante no jogo da política estadual. Em 2018, o hoje ministro defendia Ciro Gomes candidato a presidente, com Fernando Haddad (PT) vice. Cid, por sua vez, não era coadjuvante desde que se tornou governador.
A tensão que existe entre os líderes da aliança é resultado dessa rearrumação de forças.
O mérito de Sarto e o erro do grupo
O ex-prefeito José Sarto (PSDB), a cada chuva, tem chamado atenção para um mérito inegável que possui: o crônico alagamento da avenida Heráclito Graça parece mesmo resolvido. Ele faz bem em explorar isso.
Infelizmente para Sarto, ele não pôde usufruir eleitoralmente da obra. A avenida só foi totalmente liberada ao final do quarto mês da gestão Evandro Leitão (PT).
A recorrente inundação da Heráclito Graça não era apenas um vexame para gestores, mas um perigo recorrente para a população. É ridículo que se tenha demorado tanto tempo para dar jeito numa avenida que alaga. Por complexo que fosse, resultado do inaceitável aterramento de corpos hídricos em Fortaleza — que se pretende perpetuar em medidas legislativas ainda presentes — não é possível que um problema daqueles dure tanto tempo.
Até pelo simbolismo, para evitar que todos os veículos de comunicação se dirigissem até lá em toda chuva, para produzir as previsíveis e impressionantes imagens, foi um erro também político que não se tenha resolvido antes.
Mérito de Sarto, sem dúvida. O que não elimina o fato de a situação ter persistido nos quatro anos de mandato dele. E nos oito do antecessor e aliado Roberto Cláudio. A despeito da celebração de Sarto, aquele grupo levou incríveis 12 anos para dar jeito na avenida. O que não foi solucionado nos oito anos anteriores, de Luizianne Lins, petista como Evandro...
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