Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Já foi repórter de Política, editor-adjunto da área, editor-executivo de Cotidiano, editor-executivo do O POVO Online e coordenador de conteúdo digital. Atualmente é editor-chefe de Política e colunista
Até a década de 1960, Governo, Assembleia, Tribunal de Justiça, Prefeitura e Câmara funcionavam todos no Centro. Em menos de 30 anos, nenhum estava mais lá
Foto: FERNANDA BARROS
CATEDRAL vista a partir da Praça dos Leões
O Centro é a região mais importante de Fortaleza e a mais frequentada. Apesar disso, tem também muita degradação. Quando a expansão é deixada ao acaso, as cidades sofrem. Mas ali o gradual abandono não foi espontâneo, mas um projeto econômico e político. Se o poder público não promove o planejamento urbano, o dinheiro o faz. Ali, as ações convergiram entre empresariado e governos.
Até a década de 1960, Governo do Estado, Assembleia Legislativa, Tribunal de Justiça, Prefeitura de Fortaleza e Câmara Municipal de Fortaleza funcionavam todos no Centro. No início da década de 1990, nenhum estava mais lá.
A primeira sinalização de saída partiu do Governo do Estado. Antes funcionava no Palácio da Luz, na Praça dos Leões. Enquanto o Palácio da Abolição era construído para se tornar a sede do Poder Executivo, a residência oficial e o gabinete do governador se instalaram em frente, onde hoje ficam o Museu da Imagem e do Som e a vice-governadoria. O Abolição foi inaugurado em 4 de julho de 1970. Na década seguinte, os governantes acharam que não era distante o suficiente e levaram o Governo para o Cambeba. Ainda houve uma passagem pelo bairro Edson Queiroz, no Palácio Iracema, antes do retorno ao Abolição, em abril de 2011.
Em março de 1971, foi a Câmara Municipal que saiu. Deixou a sede da rua Barão do Rio Branco, perto do Passeio Público e da Santa Casa de Misericórdia, e foi para a pequena rua Antonele Bezerra. O poder se dirigia ao Meireles. Em 2004, em mais um indicativo de para onde a cidade se expandia, a atual sede foi inaugurada no bairro Luciano Cavalcante.
Em maio de 1977, foi a vez da Assembleia Legislativa deixar a histórica sede da Praça dos Leões e se mudar para o Dionísio Torres.
Naquela época, Fortaleza estava em transformação urbana. Em 1974, foi inaugurado o Center Um, pioneiro entre os shoppings. Na publicidade, o slogan: “O Centro vai se mudar para a Aldeota”.
O Tribunal de Justiça foi transferido para o centro administrativo do Cambeba em 1986, na época da mudança do Governo do Estado. Antes, foram três sedes. A primeira na rua Amélia, atual Senador Pompeu. A sessão inaugural foi em 7 de fevereiro de 1874. Em abril de 1875, já se mudou para a Rua da Palma, hoje Major Facundo. A terceira sede foi na Barão do Rio Branco, 1200, onde ficou até 1986.
A Prefeitura de Fortaleza deixou o Centro em setembro de 1991, quando se transferiu para a antiga avenida Dedé Brasil, atual Silas Munguba. A transferência foi realizada pelo prefeito na época, Juraci Magalhães. A verve fortalezense batizou o local de Jurubeba. Em outubro de 1996, o prefeito Antônio Cambraia levou o Paço de volta para o Palácio do Bispo. Mas Juraci retornou ao poder em 1997. Pelo visto, ele não gostava mesmo do local e promoveu nova mudança, em dezembro de 2001, para a avenida Luciano Carneiro, no Vila União. Em janeiro de 2010, com Luizianne Lins (PT), o gabinete retornou ao Palácio do Bispo.
Outro equipamento público de referência que ficava no Centro foi o Fórum Clóvis Beviláqua. Em dezembro de 1997, deixou o edifício da Praça da Sé e se mudou para o Edson Queiroz.
Quando ocorre uma saída em massa de órgãos públicos daquele espaço, é inevitável a degradação.
Sem memória
A Câmara teve como primeira sede, ainda no período colonial, a antiga Praça do Conselho, atual Praça da Sé, em frente à Catedral. Foi o núcleo em torno do qual a cidade se organizou. O prédio não existe mais.
Em seguida, a Câmara se instalou no atual Palácio da Luz, na Praça dos Leões. Trata-se de um dos prédios mais antigos e de maior valor histórico de Fortaleza. Foi depois sede do Governo. Parte dele foi destruída em 1960 para permitir o prolongamento da rua Guilherme Rocha até a Sena Madureira. O objetivo era conectar o fluxo de veículos à avenida Santos Dumont. Impressionante como Fortaleza destrói seu patrimônio por pouco, quase nada. Afinal, a Guilherme Rocha pouco depois se tornou exclusiva para pedestres.
A Câmara mais tarde se instalou no primeiro sobrado da Capital, pertencente a Francisco José Pacheco de Medeiros e por isso chamado Solar do Pachecão. A chamada Intendência Municipal, na praça que ainda não era chamada do Ferreira, tinha três frentes, para as ruas Guilherme Rocha, Floriano Peixoto e Travessa Pará. Depois de um incêndio em 1939, o prédio foi demolido. Foi construído ali o Abrigo Central, a parada dos ônibus, também já demolido. Fortaleza gosta de derrubar as coisas. O local foi incorporado à praça e abriga bancas de jornal.
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