Escreve sobre política, seus bastidores e desdobramentos na vida do cidadão comum. Já foi repórter de Política, editor-adjunto da área, editor-executivo de Cotidiano, editor-executivo do O POVO Online e coordenador de conteúdo digital. Atualmente é editor-chefe de Política e colunista
Muitos prefeitos apostam em grandes atrações porque são os artistas famosos que trazem prestígio político para o gestor. Mais tarde, poderá se reverter em voto
Foto: FÁBIO LIMA
EMENDAS têm sido usadas para financiar Carnaval
Até a noite de sexta-feira, 13, as prefeituras do Ceará gastaram R$ 87,5 milhões com Carnaval, segundo informaram ao Tribunal de Contas do Estado (TCE). Desse valor, R$ 85,8 milhões foram para atrações musicais. Parte desse dinheiro é muito bem gasta, com festas que atraem multidões e impulsionam a arrecadação privada e pública. Isso vale para não mais que 10, 15 municípios cearenses no máximo. Mesmo assim, é uma exorbitância, considerando que o montante ainda irá subir.
A questão não é gostar ou deixar de gostar de Carnaval. Eu, inclusive, estarei nos festejos nos intervalos que o plantão permitir. Tampouco significa que os cerca de 170 municípios que não têm carnavais dos mais pujantes não possam ter festejos. Mas, nesses casos em que a festa não movimenta dinheiro para se financiar, os gastos devem ser mais modestos, com boas opções locais. É possível fazer uma comemoração divertida, tradicional e que valorize a cultura sem trazer os artistas do momento, a custos milionários.
Prefeitos estão preocupados com os cachês inflacionados e querem se unir para controlar a subida dos preços. Ótima iniciativa. Os artistas estão no papel que lhes cabe. A demanda sobe, o valor acompanha. Eles sabem que o ano eleitoral é uma oportunidade de ganhar mais. Isso explica a alta dos preços.
Efeito eleitoral
Sabe por que muitos prefeitos apostam em mega-atrações mesmo em lugares sem festas capazes de movimentar a economia e atrair turistas em massa? Porque são os artistas famosos que trazem prestígio político para o gestor. Mais tarde, poderá se reverter em voto.
Em muitos lugares, é mais proveitoso gastar menos e pagar músicos locais que aplicar o que nem se pode para trazer nomes famosos. Porém, o ganho político é para quem causa impacto. É a palavra de ouro na era da política em redes sociais.
Em muito boa hora, o Ministério Público alerta preventivamente para condutas carnavalescas que poderão levar políticos a serem punidos — inclusive cassados e presos.
Dinheiro, pra que dinheiro?
É legítimo e necessário investimento público em lazer, entretenimento e cultura. São direitos fundamentais, como educação, saúde e segurança. Quem pode pagar por essas coisas acaba achando que o Estado gasta demais com isso. Porém, há a razoabilidade do que pode ser usado conforme a realidade de cada lugar. O pequeno município não pode aplicar o mesmo que Salvador, indo a extremos. O lugar cheio de problemas precisa definir prioridades e se conter com despesas menos urgentes.
Uma coisa esquisita, para mim, é o crescente uso de emendas parlamentares para financiar Carnaval. Uma mostra do quanto o instrumento está desvirtuado.
Situação de Toffoli começou ruim e teve desfecho pior
A indicação de Dias Toffoli para o Supremo Tribunal Federal (STF) foi um equívoco percebido e apontado desde o início. A vinculação partidária, na ocasião, ao presidente Lula (PT) e a falta de estofo na trajetória já não recomendavam. Mas não é preciso ir tão longe. Quando começa o caso Banco Master e surgem as histórias de carona em jatinho, resort, estava na cara que a situação era difícil de sustentar. Toffoli poderia ter saído há muito tempo e preservado a si e à Corte. Todavia, a teimosia é pródiga em prolongar agonias, com resultados agravados.
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