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Colunista de política, Gualter George é editor-executivo do O POVO desde 2007 e comentarista da rádio O POVO/CBN. No O POVO, já foi editor-executivo de Economia e ombudsman. Também foi diretor de Redação do jornal O Dia (Teresina).

Um país sem líderes e à beira do caos

Tipo Opinião
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O Brasil vive um momento de excepcional gravidade como resultado de uma infeliz coincidência histórica de termos inaptos ocupando, no mesmo período, os postos chaves de sua estrutura institucional de cúpula. O problema começa com Jair Bolsonaro e sua disposição de gerar tensões diárias com ataques a poderes e pessoas, desrespeitando os limites naturais do cargo que hoje ocupa e que faz dele o Chefe do Executivo, mas, na verdade, vai muito além dele. Falta qualidade também aos comandantes dos outros poderes da República, Judiciário e Legislativo, muito embora por razões diferentes daquelas que transformaram Bolsonaro no principal gerador de crises da atualidade brasileira.

O ministro Luiz Fux, que preside o Supremo Tribunal Federal (STF), há meses que assiste aos ataques repetidos contra o Judiciário e seus colegas de Corte sem esboçar qualquer reação institucional. Bolsonaro não usa mensagens cifradas, não recorre a indiretas, expõe nomes e situações, com menções agressivas e jocosas até a aspectos pessoais daqueles que tem como alvo. Claro que não seria de esperar que viessem resposta e reações no mesmo nível baixo, mas alguma coisa era para acontecer, como manifestação de apoio ao Poder e seus integrantes.

No ponto a que as coisas chegaram nos últimos dias, a prática do silêncio e da omissão ficou impossível e Fux, finalmente, falou e fez. Saiu em defesa pública dos ministros atacados, Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes, além de cancelar a conversa que havia organizado com Bolsonaro e os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG). Convenhamos, seria necessária muita dissimulação para se conseguir na reunião dos quatro a produção de imagens, porque era este o objetivo, indicando normalidade institucional. Trinta segundos de conversa de Bolsonaro com a turma do cercadinho põe a perder qualquer esforço que se faça nesse sentido.

Sobre Pacheco e Lira, são duas formas diferentes de vislumbrar falta de tamanho político para dar conta do desafio que a circunstância histórica lhes lançou no colo. O senador mineiro porque parece imaturo demais para entender que os tempos são de excepcionalidade e exigem atitudes concretas, e fora de um comportamento protocolar, para colocar o conjunto dos atores no enquadro do desenho institucional brasileiro. Já o deputado alagoano, ao contrário, é esperto o suficiente para não buscar tirar proveito da situação de bagunça política em que nos encontramos, exatamente o que ele faz em cada passo que dá desde a chegada ao comando da Câmara. Aliás, não fosse isso (a bagunça política), alguém com a ficha pregressa que apresenta o parlamentar da simpática Alagoas nunca chegaria à cadeira onde está sentado.

 

Brasília à vista

Para quem faz prospecção de candidaturas novas, olhando para o caso de 2022, sugiro anotar o nome de Janaina Farias. Uma das mais próximas e fieis assessoras do governador Camilo Santana desde a primeira gestão, movimenta-se, aos olhos de muitos, na perspectiva de entrar na disputa por vagas à Câmara Federal. É notório o trabalho em defesa de Crateús, sua origem, e, inclusive, já teria o prefeito Marcelo Machado (Solidariedade) como um dos primeiros apoiadores ao projeto de candidatura.

O alívio e a indagação

Vice-prefeito de Juazeiro do Norte, Geovani Sampaio (PSD) diz estar "satisfeito, mas não feliz" com a decisão do pleno do TRE que semana passada manteve seu mandato e o do prefeito, Gledison Bezerra (Podemos), derrubando sentença de juiz eleitoral do município que os havia cassado. Ele questiona a acusação de abuso de poder econômico quando a coligação vencedora elegeu apenas dois vereadores de um total de 21. Na matemática pura ele tem razão, mas quando aplicada a fórmula da política a conta pode não ser tão exata.

Ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, e o deputado federal cearense AJ Nogueira(Foto: ACERVO PESSOAL)
Foto: ACERVO PESSOAL Ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, e o deputado federal cearense AJ Nogueira

O amigo do homem

Um dos sorrisos mais largos na invasão da turma do Centrão ao Palácio do Planalto, quarta-feira, para prestigiar a posse de Ciro Nogueira como novo ministro da Casa Civil era de um cearense: o deputado federal AJ Nogueira, presidente da executiva estadual do PP e, localmente, um dos mais próximos hoje ao senador piauiense. O que indica que há chances de o controle de cargos federais no Ceará mudar bastante de mãos no novo cenário.

Política de faz de conta

No que depender do deputado federal Capitão Wagner, do Pros, que se diz pré-candidato ao governo do Ceará, a campanha de 2022 será mais ou menos assim: um parlamentar de oposição usa suas redes sociais para fazer post enganoso de solidariedade ao governador por ele ter sido vítima de golpistas que invadiram seu celular e, na verdade, ataca-o, pela alegada compra de respiradores para o combate à pandemia que nunca teriam chegado. Alto nível, se é que me entendem.

Palanques antecipados

Foi surpresa para ninguém, dentre os que acompanharam a tensa disputa em Martinópole, o arranca-rabo entre os deputados Romeu Aldigueri e Sérgio Aguiar, ambos do PDT, na primeira sessão da Asssembleia pós-eleição suplementar. Aliás, adverte-se, é apenas o começo de um ambiente que vai tomar de conta da Casa e o presidente Evandro Leitão, também pedetista, precisa se preparar para administrar o que está por vir.

Pacto da tolerância

Aliás, Leitão mostrou habilidade ao conseguir, depois de resistências nesse sentido, juntar os deputados Agenor Neto (MDB) e Marcos Sobreira (PDT), além dos muitos aliados de ambos, no mesmo ambiente de Iguatu onde realizou seu encontro do Pacto contra Covid. Talvez seja um exemplo do que é preciso fazer para conter ânimos entre adversários, às vezes inimigos, que precisam conviver dentro de um mesmo espaço. No caso iguatuense, tudo aconteceu na sede local da CDL.

A pauta e a boiada

Enquanto o governo distrai o País com um debate inócuo sobre volta do voto impresso, algo que sabe que não acontecerá, a Câmara vai dando andamento a matérias que de fato impactarão na vida do brasileiro. A história de "passar a boiada", como deu-se na quarta-feira com aprovação de projeto que autoriza privatizar 100% da Empresa de Correios e Telégrafos, estatal que registrou lucro de R$ 12 bilhões nos últimos 20 anos, 73% dos quais transferidos para União. Quer saber como votou seu deputado? Pois confira:

 

SIM

AJ Albuquerque (PP)

Aníbal Gomes (MDB)

Dr. Jaziel (PL)

Genecias Noronha (SDD)

Heitor Freire (PSL)

Vaidon Oliveira (Pros)


NÃO

André Figueiredo (PDT)

Célio Studart (PV)

Eduardo Bismark (PDT)

Idilvan Alencar (PDT)

José Airton (PT)

José Guimarães (PT)

Júnior Mano (PL)

Leonidas Cristino (PDT)

Luizianne Lins (PT)

Odorico Monteiro (PSB)

Pedro Bezerra (PTB)

 

AUSENTE

Capitão Wagner (Pros)

Danilo Forte (PSD

Domingos Neto (PSD)

Moses Rodrigues (MDB)


ABSTENÇÃO

Totonho Lopes (PDT)

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