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Colunista de política, Gualter George é editor-executivo do O POVO desde 2007 e comentarista da rádio O POVO/CBN. No O POVO, já foi editor-executivo de Economia e ombudsman. Também foi diretor de Redação do jornal O Dia (Teresina).

Uma forma de comemorar o 7 de setembro

Antes das manifestações do 7 de setembro, havia um temor justificado de que explodissem situações de indisciplina dos policiais militares pelo País
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Precisamos falar sobre o comportamento dos policiais militares no tenso 7 de setembro que o Brasil acaba de vivenciar. Havia um temor justificado de que explodissem situações de indisciplina pelo País e regras internas que impedem participação deles em atos políticos fossem desconsideradas, abrindo as portas para um quadro cujo desfecho seria um golpe contra a nossa frágil democracia. Nada houve, porém, e é necessário que destaquemos este "não acontecimento" como um dos fatos importantes daquela data.

É evidente que continua a existir um clima preocupante diante de um quadro que permanece de simpatia perigosa dentro das corporações militares estaduais à figura do presidente da República e ao seu jeito destrambelhado e pouco democrático de gerir o País. O que aconteceu nos dias que antecederam as manifestações foi importante, claro, com vários governadores e o Ministério Público, o federal e os núcleos de quase todos os estados, advertindo sobre as consequências de uma adesão indevida, lembrando da existência de uma Constituição e de regimentos internos que delimitam até onde pode ir o envolvimento, no campo sensível da política, de alguém que tenha optado por uma carreira militar.

É uma situação especialmente delicada para o governador cearense Camilo Santana, do PT, que no começo do ano passado, há pouco tempo, portanto, enfrentou um motim envolvendo parte dos quadros da PM estadual e até hoje busca punir os envolvidos numa situação que ainda está por ser resolvida. Aliás, pode-se dizer que é egresso da corporação o principal líder do grupo que hoje lhe faz oposição, no caso, o deputado federal Capitão Wagner, já anunciado, inclusive, como candidato ao governo em 2022. Como o seu primeiro nome (e a patente) indica, um policial militar até quando decidiu entrar na política, alguns anos atrás, significando que fez o caminho certo à época em que decidiu buscar seu primeiro mandato eletivo, em 2012, trocando uma coisa pela outra.

Por isso, talvez, Camilo adotou providências mais silenciosas e evitou uma postura que parecesse de confronto nas iniciativas que buscaram inibir a presença ostensiva de gente dos quadros militares nos atos organizados pelo bolsonarismo. Em pelo menos oito estados, ao contrário, as advertências foram claras, diretas e, parece, fizeram efeito, praticamente inexistindo um caso relevante registrado de mau comportamento de algum integrante de força de segurança estadual em meio às mobilizações. Talvez se possa citar como esquisito o episódio da noite do dia 6 em Brasília, quando um grupo invadiu sem maiores resistências das autoridades uma área proibida e já próxima ao visado prédio do STF. Posteriormente, porém, foi tudo contornado e utilizou-se até de repressão, quando necessário, para conter novas ações de avanço dos manifestantes.

O Brasil de hoje não permite garantir que seja um problema resolvido, que a situação esteja definitivamente pacificada dentro das estruturas das PMs, mas, olhando-se apenas para o capítulo 7 de setembro na dramática novela em que fomos envolvidos por estes dias, dá para concluir que a institucionalidade venceu. Pouco e insuficiente para que possamos dormir tranquilos, mas é o que temos para o momento.

Do historiador ao deputado

Acrísio Sena olha os eventos do último dia 7 com duas perspectivas: de historiador, que é por formação, e de deputado estadual, que está hoje pelo voto do eleitor. "Confirma-se a falta de vocação democrática do Brasil", avalia, listando os momentos decisivos do País nos quais, segundo avalia, o povo sempre foi excluído por "movimentos golpistas, motins, quarteladas". Do próprio grito de independência, em 1822, até o impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, segundo a longa lista de eventos que Acrísio, do PT, apresenta à análise.

Os 17 da lista de devedores

Os dados são do Sindicato dos Médicos e constam em indicador interessante que a entidade criou, apelidando-o de "devedômetro": pelo menos 17 prefeituras do Ceará, hoje, devem salários atrasados a profissionais médicos que mantêm sob contrato. Na lista sindical, que passa por checagem antes da divulgação pública, constam Acarape, Aracati, Aracoiaba, Alto Santo, Baturité, Caridade, Catunda, Chaval, Limoeiro do Norte, Pires Ferreira, Maranguape, Icó, Ipueiras, Itapipoca, Mulungu, Pacajus e Quixadá. Em tempos de combate à Covid, uma negligência ainda menos aceitável.

Já no ritmo de campanha

Deputado federal Moses Rodrigues (MDB) foi o principal anfitrião do colega de Câmara, e provável candidato ao governo, Capitão Wagner (Pros), na forte investida dele na semana passada pela região Norte. Foram pelo menos quatro municípios visitados - Sobral, Uruoca, Massapê e Tianguá - para encontros com lideranças locais, articulando apoios para uma aventura diferente em 2022. Claro que a Dayany do Capitão, mulher de Wagner e que ele definiu como herdeira dos votos como deputado, participou de tudo ativamente.

A nota de apoio à nota

Mais um ponto para Carmelo Neto na disputa particular com André Fernandes pela condição simbólica de maior bolsonarista entre nós. O vereador soltou uma nota de reafirmação de sua confiança no presidente na tarde de quinta-feira, no rastro daquela que, envergonhado, o próprio Bolsonaro apresentara ao País anunciando seu recuo quanto aos ataques e agressões do dia anterior contra o STF e o ministro Alexandre de Moraes. O deputado estadual ficou no habitat natural, nas redes sociais, com os posts e registros de sempre.

Uma CPI da Covid para chamar de sua

O senador cearense Eduardo Girão (Podemos) acha que a CPI da Covid não atingiu o objetivo e, na sua insistente visão, tem frustrado a expectativa da sociedade. Por isso, já colhe assinaturas para uma nova Comissão Parlamentar, que seria mista e teria como foco investigar os gastos dos governos estaduais no combate à pandemia. Garante já dispor de 33 assinaturas no Senado e corre atrás do apoio de deputados, precisará do autógrafo de 171 deles, para levar adiante seu sonho de desviar o foco para Camilo Santana e os colegas governadores.

 

Eduardo Girão (Podemos-CE)
Eduardo Girão (Podemos-CE) (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

Pacifista gritava, senador murmura

Girão, aliás, ainda deve um discurso mais enfático de críticas ao presidente Bolsonaro pela política do governo dele em relação às armas. Nas palavras e em iniciativas legais que alteraram as regras para posse, compra, registro e tributação, no sentido de facilitá-las e que estão sendo contestadas em ações que serão analisadas na próxima semana pelo ministros do mal falado STF. É um chance ao senador de recuperar seu viés pacifista, marca de seu tempo de militante, falando mal do governo e demonstrando, na prática, que não o apoia. Isso seria independência.

"O que mais ele precisa fazer pra deixar de ser nosso presidente?" Xuxa Meneghel, apresentadora de TV, referindo-se ao presidente Jair Bolsonaro depois do alvoroço político, social e econômico que ele criou em torno do 7 de setembro, dias antes, durante e alguns dias depois

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