Guilherme Gonsalves escreve sobre política cearense com foco nas atuações Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece) e Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor), mostrando os seus bastidores desdobramentos no jogo político e da vida do cidadão. Repórter de Política do O POVO, setorista do Poder Legislativo, comentarista e analista. Participou do programa Novos Talentos passando pelas editorias de Audiência e Distribuição e Economia, além de Política. Também escreve sobre cinema para o Vida&Arte
Foto: FÁBIO LIMA
Fachada do O POVO, avenida Aguanambi, 282
O POVO completa nesta quarta-feira, 7 de janeiro, 98 anos. Influenciado por um instinto nostálgico, recordo que caminhos costumam se cruzar com agentes em momentos diferentes da vida que por vezes nem percebemos.
Como diz a reportagem especial de aniversário: "Nunca é apenas memória, uma história do passado, mas segue como reflexo do agora. Prestes a completar seu centenário no dia 7 de janeiro de 2028, enquanto a vida insiste em seguir, O POVO registra o presente, para nos fazer presentes. Registra o tempo, para nos fazer de passado e de futuro".
Para falar de passado e presente, volto há muitos anos, quando os jornais impressos de O POVO escreviam sem saber a história, a minha história.
Na década de 1970, José Távora Gonsalves, servidor, apelidado de "distinto" do Tribunal de Justiça do então Território Federal do Amapá, mudou-se para Fortaleza após o decreto presidencial encerrando o TJ nestes territórios.
Na vida distinta do bucólico Amapá, José tinha uma rotina dominical sagrada. Em todas as manhãs, levava o filho mais novo, José George, para comprar em uma banca de revistas na avenida Aguanambi, em frente à sede do jornal, uma edição impressa.
"Lembro bem. Nas manhãs de domingo, com cerca de dez anos de idade, tinha um compromisso: ir com meu pai a uma banca de revistas na Av. Aguanambi para comprar a edição de domingo do jornal O POVO", conta George.
"Ao chegar em casa, meu pai me entregava o caderno infantil e ficava com todo o restante do jornal. Foi meu primeiro contato com esse material. Aos poucos, tive curiosidade sobre o que continha a grande parte que meu pai separava para si", disse.
Curiosamente, anos antes, José Távora, o "distinto", trabalhou no "Folha do Povo", jornal inaugurado em 1959, criado por integrantes do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), cujo um dos fundadores era o seu irmão caçula, Elfredo Félix Távora Gonsalves. O impresso foi o primeiro veículo jornalístico do Amapá e, por ser oposição ao governo da época, alguns dos integrantes foram presos, como a dupla de irmãos.
George lembra também, dentre as seções das quais começou a gostar, da parte de Cinema, do caderno do Vida&Arte. Em seu interesse por escrita e leitura, chegou a enviar artigos para o jornal.
Anos e anos depois, quis a história que caminhos entre O POVO e eu se conectassem. George voltou algumas vezes à avenida Aguanambi, mas não da mesma forma.
"Mais de quarenta anos depois, ainda vou à mesma avenida Aguanambi. Não com meu pai, mas com meu filho. Vou deixá-lo na sede da empresa onde trabalha: jornal O POVO, de onde saiu o caderno infantil que pegava com tanto gosto nas manhãs de certos domingos", completou.
Este que vos escreve, chama-se Guilherme Gonsalves, sim com "s" mesmo no lugar do "ç". Este sobrenome veio do meu pai, José George, que herdou do pai dele, José Távora Gonsalves.
Tenho esta coluna que escreve sobre Política e sou repórter que colabora sobre Cinema no Vida&Arte. Não tive contato com meu avô. Com o meu tio-avô Elfredo, tive pouco, mas marcante. Só soube das suas ligações jornalísticas quando comecei a faculdade e já trabalhava na área. Quis o destino, mesmo sem eu saber, que aqui estivesse.
Parabenizo O POVO pelos 98 anos. Contar a história todos os dias ajuda a resgatar o passado que segue como reflexo do agora, como diz a reportagem especial já citada. Enquanto a vida insiste em seguir, registrando o presente para nos fazer presentes, registra o tempo, para nos fazer de passado e futuro.
Para José Távora Gonsalves e Elfredo Félix Távora Gonsalves, em suas memórias
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