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Ceará e Fortaleza caminham em direções opostas no futebol feminino em 2026
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Jornalista e colunista de futebol feminino do Esportes do O POVO. Graduada em Jornalismo no Centro Universitário Sete de Setembro (Uni7). Já passou por assessorias de imprensa e foi repórter colaborativa da plataforma de notícias VAVEL Brasil

Iara Costa esportes

Ceará e Fortaleza caminham em direções opostas no futebol feminino em 2026

Enquanto um projeto campeão busca sobreviver por meio de uma união, outro — mesmo após um ano difícil — escolhe investir e seguir adiante
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Fortaleza, Ce , BR - 21.11.25 - Classico Rainha - Primeiro jogo da final do campeonato cearense feminino entre as equipes do Ceará e Fortaleza no Estádio Presidente Vargas (FCO FONTENELE/O POVO) (Foto: FCO FONTENELE)
Foto: FCO FONTENELE Fortaleza, Ce , BR - 21.11.25 - Classico Rainha - Primeiro jogo da final do campeonato cearense feminino entre as equipes do Ceará e Fortaleza no Estádio Presidente Vargas (FCO FONTENELE/O POVO)

Na última vez em que esta coluna foi atualizada, há um mês, no fim da temporada do futebol feminino, a resolução de final de ano pedia que erros de outrora não fossem cometidos — ou, caso fossem, que não se repetissem da pior maneira possível. Sem o desejo de soar como aquelas pessoas que adoram dizer “eu avisei”, é como se, de alguma forma, eu e todo mundo que acompanhava as Leoas já estivesse prevendo que o Fortaleza seguiria um caminho oposto ao trilhado no histórico ano de 2025 para a modalidade. Mais do que decisões pontuais, o que se desenha agora é um contraste claro: enquanto um projeto vencedor tenta se manter vivo a partir da união com outro, um rival que veio de um ano difícil aposta em investimento e continuidade.

É sabido, no meio do futebol, que o feminino depende de uma verba que não é somente sua. Os dirigentes pouco fazem para mudar essa narrativa, já que, para eles, torna-se extremamente confortável não gastar energia com a modalidade e desmontar um projeto vencedor utilizando isso como argumento quando necessário. Não dá, no entanto, para dizer que o time tomou uma decisão “extremamente difícil”, como afirma a nota oficial que comunicou o encerramento das atividades, quando essa decisão foi tomada um dia após o novo CEO do clube assumir. Soou quase como se fosse uma das primeiras decisões que foram tomadas — certamente não a mais difícil.

Se o universo ainda for capaz de escutar minha resolução de final de ano, a esperança está na união com o R4 — que, aos trancos e barrancos, resiste — e que está em tratativa para que os dois projetos se unam e, consequentemente, se mantenham vivos. Caso venha a disputar a Série A1, vale ressaltar que o Fortaleza terá direito — como cada clube participante — a uma cota fixa de R$ 720 mil na primeira fase, com acréscimo de R$ 20 mil a cada partida de primeira escolha do detentor com transmissão nacional. O dinheiro certamente será uma boa base de apoio, ainda que esteja longe do ideal para o mínimo. 

Do lado do Ceará, o caminho é bem mais positivo. Se no ano passado o investimento era de apenas R$ 714 mil, neste ano o valor ganhou um acréscimo de R$ 554.066,67, chegando ao montante de R$ 1.268.266,67. Se exatamente um ano atrás, em minha primeira coluna do ano, eu salientei o quanto aquele investimento era ruim, neste momento é justo que o aumento — mesmo com o rebaixamento da principal fonte financeira — seja exaltado.

O Vovô parece ter entendido bem a importância de melhorar o projeto e, também, de seguir avançando com ele, esteja o time masculino na divisão que estiver. Além da expectativa de fazer um ano provavelmente melhor do que o anterior, quando a equipe ficou no quase em todos os principais torneios que disputou, a esperança é de que volte ao caminho que, em outros tempos, a levou ao acesso à elite com título nacional conquistado. Até lá, a (re)caminhada é longa, mas é louvável que o primeiro passo tenha sido dado para frente.

Foto do Iara Costa

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