Joelma Leal assume como ombudsman do O POVO no mandato 2023/2024. É jornalista e especialista em Marketing. Atuou como editora-executiva de sete edições do Anuário do Ceará, esteve à frente da coluna Layout por 12 anos e foi responsável pela assessoria de comunicação do Grupo, durante 11 anos.
Foto: Reprodução
Exemplo de cabeçalho em páginas de conteúdos do O POVO Lab na edição impressa
Matérias pagas. Matérias patrocinadas. Matérias vendidas. São muitas formas de classificar os conteúdos produzidos pela área de Negócios de um grupo de comunicação. No O POVO, como parte da estrutura do setor comercial, há o O POVO Lab, definido como "estúdio de branded content" do Grupo. Ou seja, de forma resumida, um conteúdo produzido para uma marca.
Na semana que passou, foram várias as inserções, no impresso, de conteúdos do Lab, indicados com a tarja "conteúdo customizado" no topo da página e o expediente com os nomes da equipe envolvida da produção, a começar pelo diretor-geral de Negócios.
O primeiro deles, dessa semana, pode ser conferido no domingo passado, Dia das Mães, logo após as páginas de Ciência & Saúde, que tratavam o tema maternidade. A página "customizada" trazia conteúdos relacionados à medicina reprodutiva.
A sequência chamou a atenção de integrantes do Conselho Consultivo de Leitores. Mesmo com a explicação que o conteúdo não era editorial, logo sem interferência da Redação, mas, sim, assinado pelo time de negócios, não foi o suficiente. Afinal, "customizado" é algo bem amplo e dá margem a interpretações diversas.
O conselheiro e cineasta Roger Pires explicitou seu incômodo: "Na posição de conselheiro, e, portanto, dispensando uma atenção maior ao jornal, percebo que algumas páginas e conteúdos são diferentes. O visual, o texto. Nem são 'do jornal', nem são publicidade. O que são então? Como chegaram até ali se não por critérios jornalísticos? Ao ler os rodapés e letras menores, leio que são 'customizados'. Foi pago para estar ali ou não? O que é conteúdo customizado? Na Universidade, no curso de Jornalismo, não me lembro disso…".
"Penso que os leitores não se incomodam em passar o olho em algo que foi pago para estar na página (vide propagandas enormes, às vezes feias, às vezes bonitas), mas o incômodo tem origem em não saber exatamente. Em ter que perguntar, pesquisar. Publicidade é publicidade. Pronto. A sensação de estar sendo ludibriado para acreditar que não são publicidade é um problema ético, por mais que a sustentabilidade e interesses comerciais mereçam atenção e justifiquem. Por fim, acredito que os conteúdos customizados podem ser aceitos (os desta semana do bolsa atleta, por exemplo, são ótimos, bonitos, não como o 'especial fertilidade'', que parece ter sido diagramado no Canva e não no O POVO), desde que expressamente ditos como #publi ou seja lá qual o termo e hashtag", complementa o conselheiro.
Ao questionar os responsáveis pelo material se na avaliação da área, o uso de "conteúdo customizado" é suficiente para comunicar ao leitor, levando em consideração que nas redes sociais, por exemplo, a sinalização é mais clara ao inserir "publi" nas publicações afins.
A editora executiva do O POVO Lab, Paula Lima, afirma que: "A área de negócios e a Redação de Jornalismo definiram o termo 'conteúdo customizado' como o mais correto para sinalizar os conteúdos que são produzidos por jornalistas do O POVO para marcas, empresas e instituições que estejam financiando aquele produto, o que é definido como branded content".
Escolhas são feitas, avaliadas e ponderadas. Quando necessário, alteradas. É perceptível que o "customizado" não tem comunicado. Portanto, não seria o mais correto. É legítimo que conteúdos desta natureza sejam veiculados, faz parte do mercado, desde que, além de estar sinalizado, esteja claro para a audiência.
Coberturas sociais
Outro conteúdo que rendeu retornos por parte dos leitores foi uma cobertura fotográfica na coluna da jornalista Lêda Maria. Na última quarta-feira, 15, foram três páginas seguidas, quando, geralmente, é publicada apenas uma, duas vezes por semana, às segundas e quartas, no caderno Vida & Arte. Fotos repetidas, até, compuseram o álbum.
Leitores indagaram: "Um total de 59 fotos sem a identificação dos autores. Acho que não foram do O POVO", observou um. Outro complementou: "Nessa quarta-feira, foram três páginas de colunismo social no caderno de Arte. Achei tão desproporcional! Nossas manifestações estéticas e culturais são tão relevantes e inúmeras. Acaba sendo uma perda grande, um desvio de informação. Sugiro um caderno especial ou a inclusão em outra seção". Em tempo: há alguns anos, O POVO veiculava o caderno People, voltado exclusivamente para coberturas fotográficas de eventos da Cidade.
Paula conta que "no caso de cobertura fotográfica de eventos o conteúdo publicado é apenas de imagens sem a customização ou participação da equipe de jornalismo do estúdio de branded content, O POVO Lab. A prática de cobertura fotográfica de eventos sociais não é considerada cobertura jornalística, dessa forma, não exige a sinalização de conteúdo customizado. É um conteúdo produzido pelo próprio colunista e está publicado com a sinalização de coluna".
O fato é que chama a atenção o número de páginas e a falta de clareza acerca da origem do conteúdo. Se o primeiro caso não comunica, o segundo é ainda pior por não haver sequer a sinalização que se trata de um conteúdo editorial ou de anúncio, logo, sim, conteúdo pago.
Jornalismo útil
"Ônibus de Fortaleza. Mais da metade das linhas sofre redução de viagens". Essa foi a manchete do O POVO do dia 3 de maio. A reportagem produzida por Kleber Carvalho destrinchou o cenário desse modal. O que, a princípio, seria uma pauta caída, por falta de retorno da Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), transformou-se em um raio x fundamental para mudanças futuras.
O repórter utilizou o Catálogo de Serviços da Prefeitura, que traz todos os horários das linhas de ônibus da Capital, e constatou o resultado. O assunto, como não poderia deixar de ser, repercutiu entre os órgãos responsáveis e medidas estão sendo tomadas a fim de mudar a realidade dos usuários.
Na sexta-feira, 17, a manchete de Cidades já foi outra: "52 novos ônibus irão compor 40 linhas do transporte público de Fortaleza". Como bem disse o jornalista Érico Firmo: "...quando o jornalismo bem feito consegue expor de forma tão evidente a capacidade transformadora, de modo tão presente na vida das pessoas — até as que nem sabem que a reportagem existiu — é um canal de reencontro com a missão e a razão de ser do nosso ganha-pão".
Azuhli…
Essa semana também foi de pesar, ao recebermos a notícia da partida da artista plástica Azuhli. Integrante do Conselho Consultivo de Leitores 2024, Azuhli era doce, gentil e atenciosa. Reconhecida por seu talento, tinha uma legião de admiradores e era um dos nomes mais importantes da arte contemporânea do Ceará.
Forte abraço aos amigos e familiares.
Uma das homenagens do O POVO à artista Azuhli
Crédito: Reprodução
Ôpa! Tenho mais informações pra você. Acesse minha página
e clique no sino para receber notificações.
Esse conteúdo é de acesso exclusivo aos assinantes do OP+
Filmes, documentários, clube de descontos, reportagens, colunistas, jornal e muito mais
Conteúdo exclusivo para assinantes do OPOVO+. Já é assinante?
Entrar.
Estamos disponibilizando gratuitamente um conteúdo de acesso exclusivo de assinantes. Para mais colunas, vídeos e reportagens especiais como essas assine OPOVO +.