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Um salve para Titina
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Magela Lima é jornalista e professor do Centro Universitário 7 de Setembro (Uni7), doutor em Artes Cênicas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA)

Magela Lima opinião

Um salve para Titina

.A atriz fez teatro, fez cinema, fez televisão, correu o Brasil e boa parte do mundo vivendo e sendo aplaudida pela vida que escolheu. Foi cedo, sim, mas foi muito feliz aqui
Tipo Opinião
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FORTALEZA, CE, BRASIL, 22-03-2013: Titina Medeiros, atriz, com imagem refletida no espelho do camarim do Theatro José de Alencar. Buchicho Estrelas. (Foto: André Salgado/O POVO) (Foto: André Salgado/ em 22-3-2013)
Foto: André Salgado/ em 22-3-2013 FORTALEZA, CE, BRASIL, 22-03-2013: Titina Medeiros, atriz, com imagem refletida no espelho do camarim do Theatro José de Alencar. Buchicho Estrelas. (Foto: André Salgado/O POVO)

2026 começou bem estranho para quem, dos palcos ou das plateias, viveu o teatro no Brasil nos últimos 20, 25 anos. É que perdemos todos no último dia 11 de janeiro, em decorrência de complicações de um agressivo câncer de pâncreas, diagnosticado em abril do ano passado, a atriz potiguar Titina Medeiros. Ela tinha 48 anos e estava em cena desde a adolescência. Titina era uma artista dessas, raras, em que o carisma potencializa o talento. Mesmo fazendo um papel miúdo, numa peça de produção modesta, ela brilhava. Sempre. E com intensidade.

A história de Titina Medeiros é a história de sonho, de superação e de talento que anima todo e qualquer coração. Na pequena Currais Novos, onde nasceu, na ainda menor Acari, onde se fez gente, e até mesmo em Natal, onde se firmou como atriz, talvez, parecesse impossível, improvável, que ela chegasse tão longe com sua arte. Mas chegou. Titina fez teatro, fez cinema, fez televisão, correu o Brasil e boa parte do mundo vivendo e sendo aplaudida pela vida que escolheu. Foi cedo, sim, mas foi muito feliz aqui.

Eu conheci Titina já "Titina do 'Fantástico'". Em 2003, ela participou do quadro "Brasil Total" no programa e transformou, com seu sotaque e seu sorriso, uma colaboração pontual em algo mais duradouro. Naquela mesma época, Titina também era garota propaganda de uma rede de lojas de material de construção de Natal. Ela fazia o que era preciso para poder fazer o que lhe era urgente. Titina tinha fome de palco, era de teatro, acima de tudo. De "Muito barulho por quase nada", quando nos encontramos, a "Sinapse Darwin", quando nos despedimos, pude ver essa paixão lhe fazer brilhar os olhos.

Vi o hilário "Barra/Shopping", vi "Roda Chico", caí nas graças de Maria e Dasdô de "Pobre de Marré", impliquei com "Sua Incelença, Ricardo III", vibrei com "Hamlet", "Abrazo" e "Meu Seridó". Vi diversas Titina Medeiros e queria ter visto mais. Titina foi muitas, ela tinha recursos de sobra para ser quantas quisesse em cena. Foi, entretanto, a mesma no que diz respeito ao empenho e ao respeito com que tratou seu ofício, seus parceiros de criação e seus públicos. No Clowns de Shakespeare, no Carmin ou na Casa de Zoé, Titina Medeiros suou na mesma proporção em que foi aplaudida.

Atriz dedicada e generosa, ela gostava de estudo, de processo, sobretudo, gostava de contracenar, gostava de elenco grande, gostava de troca. Assim, colecionou amigos e um currículo com performances tão distintas. Trabalhou com nomes centrais para a cena brasileira contemporânea, como Eduardo Moreira e Gabriel Vilela; andou de mãos dadas com figuras da tradição, a exemplo Dona Ilva Niño, sem se furtar ao encontro com o humor de Whindersson Nunes e Tirulipa. Viva, Titina! Viva!


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