Neivia Justa é jornalista, empreendedora, palestrante, mentora, professora, fundadora e líder da JustaCausa, com 30 anos de experiência como líder de Comunicação, Cultura, Diversidade, Equidade e Inclusão em empresas como Natura, GE, Goodyear e J&J. Criadora do programa #LíderComNeivia e dos movimentos #OndeEstãoAsMulheres e #AquiEstãoAsMulheres, foi a vencedora do Troféu Mulher Imprensa e do Prêmio Aberje 2017 e, em 2018, foi eleita uma das Top Voices do Linkedin Brasil
.Torço para que o espanhol volte a ser obrigatório e que a história da América Latina seja implementada com profundidade no currículo do Ensino Médio brasileiro. Temos uma riqueza singular de identidades, sotaques, cores e sabores que vale conhecer, respeitar e valorizar
Foto: Thais Mesquita
Segundo estudo, durante a pandemia, latinos e outras minorias mantiveram os cinemas funcionando
No semestre passado, fui aluna da disciplina sobre América Latina no curso de Relações Internacionais da PUC-SP. No primeiro dia de aula, Arthur Murta, nosso professor, nos perguntou se nos reconhecíamos como pessoas latino-americanas. De bate-pronto, eu disse que não. Tivemos uma discussão riquíssima sobre porque nossa identidade brasileira é tão desconectada da latinidade. Sempre achei que isso se devia principalmente à diferença de idioma. Pura ignorância.
De agosto a novembro de 2025 aprendi, com uns 40 anos de atraso, o que eu deveria ter estudado na escola sobre a cultura, a história e a geopolítica da região. Minha geração (X) foi criada sob a influência do "sonho americano" e resquícios das "cortes europeias". Tanto é assim que francês e inglês fizeram parte do meu currículo desde menina. Aprender a falar espanhol não era sequer uma possibilidade. Sonhávamos em fazer intercâmbio nos EUA ou na Europa.
Nunca esquecerei o estranhamento que senti quando desembarquei na Cidade do México, pela primeira vez, em 1980, voltando da Disney. Não visitei nenhum outro país da região até vir morar em São Paulo e começar a trabalhar em empresas globais. Em 1996, comecei a estudar espanhol para me comunicar, sem ruídos, com o time mexicano da Timex. Voltei ao país a trabalho. Conheci, como turista, a Argentina, o Paraguai e o Uruguai.
No começo dos anos 2000, responsável pela comunicação da Natura, conheci o Chile e voltei à Argentina e ao México, sempre cumprindo agendas corporativas. Minha relação com a América Latina ficou adormecida por quase uma década até que, em 2011, assumi a comunicação da GE no Brasil e voltei a interagir com "mis hermanos". Três anos depois, passei a liderar a comunicação da Goodyear na região e, aí sim, comecei a entender nossa diversidade histórica, cultural, empresarial e política.
Torço para que o espanhol volte a ser obrigatório e que a história da América Latina seja implementada com profundidade no currículo do Ensino Médio brasileiro. Temos uma riqueza singular de identidades, sotaques, cores e sabores que vale conhecer, respeitar e valorizar.
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