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Plínio Bortolotti integra do Conselho Editorial do O POVO e participa de sua equipe de editorialistas. Mantém esta coluna, é comentarista e debatedor na rádio O POVO/CBN. Também coordenada curso Novos Talentos, de treinamento em Jornalismo. Foi ombudsman do jornal por três mandatos (2005/2007). Pós-graduado (especialização) em Teoria da Comunicação e da Imagem pela Universidade Federal do Ceará (UFC).

Lula ganha, Moro ganha — e Bolsonaro?

A leitura mais ligeira que se faz da surpreendente decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, é que o ex-presidente Inácio Lula da Silva saiu ganhando porque recuperou seus direitos políticos, da mesma forma que o ex-juiz Sergio Moro, pois este escapou (por enquanto) de um julgamento de suspeição no Supremo que, tudo indica, lhe seria desfavorável.

Como já é de conhecimento geral, Fachin anulou os processos contra Lula julgados na 13ª Vara de Curitiba: Triplex do Guarujá, Sítio de Atibaia, sede do Instituto Lula e doações ao Instituto Lula.

Lava Jato
Conforme avaliação do colega de jornal Henrique Araújo, a decisão de Fachin foi uma “tentativa de salvar a Lava Jato e de proteger Sergio Moro”, pois previa um cenário desfavorável ao ex-juiz na Segunda Turma da Corte. Se a decisão fosse pela suspeição de Moro, e tudo indica que seria, poderia haver um efeito dominó, atingindo outros processos da Lava Jato.

Incompetência
De qualquer modo, a defesa de Lula comemorou a decisão de Fachin, lembrando que a incompetência da 13ª Vara de Curitiba para julgar Lula era questionada desde 2016. Apesar de dizer que recebeu decisão do STF como “serenidade”, os advogados do ex-presidente dizem que “mancha histórica” nunca será apagada. De fato, vamos combinar que a Corte demorou um bocado para descobrir que Moro não deveria ser o juiz natural dos casos envolvendo Lula.

Superfície
E Bolsonaro, sai ganhando ou perdendo? O presidente, como sempre, fez uma avaliação tosca e reducionista da decisão de Fachin, dizendo que o ministro “sempre teve uma ligação forte” com o PT. Mas o placar aparente ficou assim: os petistas e parte da esquerda elogiaram a decisão de Fachin, os bolsonarianos, de modo geral, criticaram.

Porém, para além da superfície, o PT considera meia vitória o que aconteceu, pois quer mesmo ver julgada a suspeição de Moro. A extrema direita, por sua vez, avalia que Lula seria o adversário ideal para 2022, pois assim seria mantida a “polarização” que, supostamente favoreceria Bolsonaro.

2022
O deputado estadual André Fernandes (Republicanos-CE), apesar de não ter nenhum destaque nacional, talvez tenha verbalizado o que essa corrente pensa. Disse o seguinte: “Vai ser prazeroso ver Bolsonaro destruindo Lula nas eleições de 2022 para enterrar de vez a narrativa de que Bolsonaro só ganhou em 2018 porque o cachaceiro não foi candidato. Petistas, nos vemos em 2022”.

Elite
Lula aparece muito bem posicionado em todas as pesquisas de intenções de voto para a próxima eleição presidencial. Além disso, a ignorante elite brasileira já percebeu que Bolsonaro é bronco até para seus padrões rebaixados, fazendo o Brasil passar vergonha internacionalmente. Assim, será difícil que ele tenha apoio unânime desse setor, como aconteceu no passado.

E, a mais, eleição não se ganha de véspera. Por isso, seria bom a extrema direita baixar a bola, evitando cantar o ovo antes de a galinha pô-lo.

(Porém, seria benéfico se houvesse unidade na esquerda para construir uma proposta contemplando um amplo programa social, de modo a tornar o Brasil um país mais justo e igualitário.)


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