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Plínio Bortolotti integra do Conselho Editorial do O POVO e participa de sua equipe de editorialistas. Mantém esta coluna, é comentarista e debatedor na rádio O POVO/CBN. Também coordenada curso Novos Talentos, de treinamento em Jornalismo. Foi ombudsman do jornal por três mandatos (2005/2007). Pós-graduado (especialização) em Teoria da Comunicação e da Imagem pela Universidade Federal do Ceará (UFC).

Incorrigível, Bolsonaro fez na ONU o que costuma fazer por onde passa

Não será necessário listar aqui os erros, invenções, falsidades, mentiras e agressões que constaram da fala de Bolsonaro na ONU. Estão expostas em várias notícias e artigos em todos os jornais, aqui e no exterior, tornando o Brasil motivo de chacota e preocupação em todo o mundo.

Na segunda-feira (20/9/2021), poucas horas antes do discurso do presidente Jair Bolsonaro na 76ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), escrevi o artigo Está errado quem pensa que Bolsonaro vai abrandar o discurso na ONU.

No texto, critiquei a análise de um jornalista da Globonews preconizando que o presidente faria um discurso "defensivo" na abertura do evento, provavelmente confiando em “fontes” próximas ao governo. É evidente a existência de um setor menos truculento no governo que gostaria que Bolsonaro adquirisse alguns trejeitos de estadista.

Se essas foram as fontes do jornalista, é claro que dirão ao jornalista, "em off", claro, que haverá moderação,o que é natural. Se for ouvida uma fonte do segmento mais feroz do governo, qual o interesse em abrir o conteúdo do discurso? Possivelmente dirá o contrário do que realmente vai acontecer para enganar a “imprensa vendida”.

O fato é que existe muita gente que — por interesse ou ingenuidade — gosta de confundir análise com desejo. Porém, quando se trata de jornalismo, o tirocínio têm de ter mais abrangência. Além do mais: 1) Bolsonaro já deu inúmeras provas de que é incorrigível, acreditar no que ele diz equivale a enganar-se propositalmente. 2) O presidente desistiu de governar para todos os brasileiros, optando por voltar-se unicamente ao propósito de agradar à malta de extrema direita que o segue fielmente.

“Portanto, no Brasil ou no exterior, resta a Bolsonaro falar diretamente para a horda que o apoia, independentemente das barbaridades que ele faça ou venha a fazer. Pois assim costumam ser os fanáticos. E a dose da droga — mentiras, xingamentos, criação de inimigos imaginários — tem de ser cada vez maior para manter a turba excitada.”

O parágrafo acima, entre aspas, está no artigo citado no início deste texto, e representa o sumo do discurso que o presidente fez na ONU. 

Mas n ão será necessário listar aqui os erros, invenções, falsidades, mentiras e agressões que constaram da fala de Bolsonaro na ONU. Estão expostas em várias notícias e artigos em todos os jornais, aqui e no exterior, tornando o Brasil motivo de chacota e preocupação em todo o mundo.

Ou seja, Bolsonaro fez na ONU o que sempre se espera dele, pelo menos aqueles que não perderam a capacidade de enxergar o óbvio.

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