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Plínio Bortolotti integra do Conselho Editorial do O POVO e participa de sua equipe de editorialistas. Mantém esta coluna, é comentarista e debatedor na rádio O POVO/CBN. Também coordenada curso Novos Talentos, de treinamento em Jornalismo. Foi ombudsman do jornal por três mandatos (2005/2007). Pós-graduado (especialização) em Teoria da Comunicação e da Imagem pela Universidade Federal do Ceará (UFC).

Brasil, um país de favelas

O mais grave problema do Brasil é a pobreza e a desigualdade. Se algum candidato disser que seu principal trabalho será combarter a corrupção, responda que ser honesto e exigir honestidade não é programa de governo, é pré-requisito para quem se dispõe à vida pública.

Nesta semana publiquei o artigo Brasil, um país que passa fome, a partir de estudo da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssam) mostrando que 55,2% da população brasileira vive algum grau de insegurança alimentar, ou seja, tem dificuldade para conseguir comida ou precisa reduzir a quantidade e a qualidade do que come. Desse total, quase vinte milhões vivem em insegurança alimentar grave, ou seja, passam fome.

O trabalho da Rede Penssan mostra ainda que o número de favelas no Brasil mais que dobrou, em dez anos. Os dados utilizados foram do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que contou 6.329 “aglomerados subnormais”* em 323 municípios em 2010, estimando ter o número subido para 13.151 em 734 cidades, em 2019.**

Segundo essas projeções, um em cada quatro domicílios em condições precárias ficam nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Mas como acontece também com a insegurança alimentar, a situação é pior no Norte e Nordeste: Belém, com 55,5% de seu total de residências; Manaus com 53% e Salvador com 42%.

Por qualquer ângulo que se olhe, o Brasil vive problemas de grande gravidade, uma situação dramática mesmo. Ainda que se considere que a pandemia tenha contribuído para desarranjar a economia, a falta de ação do governo em diversos setores é patente, incluindo o enfrentamento à Ciovid-19, pois, sem a pressão da sociedade o início da vacinação teria demorado mais ainda.

Além disso, o preço da gasolina vai às alturas, comprar gás de cozinha está se tornando um sacrifício, a carestia dos alimentos leva as pessoas ao desespero, e a inflação de dois dígitos está batendo às portas.

E, por óbvio, quem paga a conta da crise são os brasileiros mais pobres, que se veem em um beco sem saída.

Se todos estamos no mesmo barco, como se diz por aí, alguns estão bem guarnecidos em camarotes, enquanto a maioria está remando nos porões, com a água batendo no pescoço.

Para lembrar: o mais grave problema do Brasil é a pobreza e a desigualdade. Se algum candidato disser que seu principal trabalho será combarter a corrupção, responda que ser honesto e exigir honestidade não é programa de governo, é pré-requisito para quem se dispõe à vida pública.

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* Aglomerado subnormal: é uma forma de ocupação irregular de terrenos de propriedade alheia – públicos ou privados – para fins de habitação em áreas urbanas e, em geral, caracterizados por um padrão urbanístico irregular, carência de serviços públicos essenciais e localização em áreas com restrição à ocupação. No Brasil, esses assentamentos irregulares são conhecidos por diversos nomes como favelas, invasões, grotas, baixadas, comunidades, vilas, ressacas, loteamentos irregulares, mocambos e palafitas, entre outros. (IBGE)

** Os dados de 2010 são do Censo e os de 2019 são estimados pelo IBGE, com base em estudos, para subsidiar a operação do próximo Censo, em 2022, e podem ser revistos.

 

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