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Plínio Bortolotti integra do Conselho Editorial do O POVO e participa de sua equipe de editorialistas. Mantém esta coluna, é comentarista e debatedor na rádio O POVO/CBN. Também coordenada curso Novos Talentos, de treinamento em Jornalismo. Foi ombudsman do jornal por três mandatos (2005/2007). Pós-graduado (especialização) em Teoria da Comunicação e da Imagem pela Universidade Federal do Ceará (UFC).

O que Tasso esperava de um líder de motim de policiais?

O capitão Wagner, a quem Tasso agora abomina, foi apoiado pelo senador como alternativa ao grupo Ferreira Gomes na disputa pela prefeitura de Fortaleza em 2016.

Em entrevista ao jornalista Henrique Araújo, nas Páginas Azuis do O POVO (3/1/2022), o senador Tasso Jereissati (PSDB) apresenta-se como um político afeito ao diálogo, cordato e conciliador. Por ainda manter esperança em uma terceira via, recusou-se a responder em quem votaria em um possível segundo turno entre Lula e Bolsonaro.

Entretanto, defendeu que, caso prospere a negociação entre o ex-presidente e Geraldo Alckmin, tal aliança poderia ajudar “a acabar com a desunião” que, para ele, fomentou o ódio “até dentro das famílias” brasileiras.

Mostrou-se preocupado com os rumos do Brasil sob Bolsonaro — “o pior governo da história do país” —, e com o futuro do Ceará, advertindo para o “risco” que correria o estado em uma possível eleição do Capitão Wagner (Pros) ao cargo de governador.

Tasso atribui-se a criação de uma “escola” de governar, que teria se tornado “exemplo de administração”. Para ele, o modelo vem sendo seguido por seus sucessores, mas Wagner representaria o perigo de retrocesso.

Até aqui, ainda que se discorde do senador, ele mantém a coerência. Mas continua espantosa a falta de capacidade de políticos experientes em avaliar pessoas e situações conjunturais. (Abordei o assunto recentemente em Ninguém pode acusar Bolsonaro de ter enganado o eleitor)

Wagner, a quem Tasso agora abomina, já foi apoiado pelo senador como alternativa ao grupo Ferreira Gomes na disputa pela prefeitura de Fortaleza, quando ele se opôs a Roberto Cláudio (2016).

O senador diz agora que ficou “decepcionado” com o pupilo, que hoje representa o bolsonarismo no Ceará. Não é a primeira vez que Tasso, tardiamente, reconhece “erros memoráveis”, tendo o feito o mesmo quanto ao apoio do PSDB ao presidente Michel Temer. Escrevi sobre o assunto em Autocrítica tardia.

Mas o que Tasso — que enfrentou dois motins de policiais militares em seu governo (1997 e 2000) —, poderia esperar de um tipo que liderou uma violenta greve de PMs em 2011? O movimento atemorizou o Ceará, acuou o então governador Cid Gomes no Palácio da Abolição e catapultou o Capitão Wagner a uma vitoriosa carreira política, com ajudinha do senador, que agora o vê como um perigo ao seu legado.

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