Plínio Bortolotti integra o Conselho Editorial do O POVO e participa de sua equipe de editorialistas. Mantém esta coluna, é comentarista e debatedor na rádio O POVO/CBN. Também coordenada curso Novos Talentos, de treinamento em Jornalismo. Foi ombudsman do jornal por três mandatos (2005/2007). Pós-graduado (especialização) em Teoria da Comunicação e da Imagem pela Universidade Federal do Ceará (UFC).
Ao sequestrar o autocrata da Venezuela, Nicolás Maduro e a mulher dele, Donald Trump deu uma grande banana para as leis internacionais, impondo a sua vontade como se fosse o imperador do mudo
Foto: Saul Loeb / AFP
EUA promoveram operação militar na Venezuela e alegam ter capturado Nicolás Maduro
Se há uma lição que é preciso aprender a respeito da extrema direita, é que seus líderes são capazes de tudo. Mesmo o que parece o impensável em qualquer aspecto da vida humana ou da política.
É muito comum ouvir analistas políticos afirmarem que “Trump fala, mas não faz”; que é um “grande negociador, por isso pede o máximo para obter o mínimo”, que sua política é errática ou mesmo que é “amarelão”, quando recua de alguma de suas decisões.
A extrema direita faz uma política que parece ser por impulso, mas tem método e propósito: instalar um governo autoritário, seja aqui, com Bolsonaro; nos Estados Unidos, com Donald Trump; ou em qualquer país onde esse movimento, perigosamente, ganha força.
Donald Trump não está em uma guerra contra as drogas ou preocupado se Nicolás Maduro é um ditador. Os Estados Unidos mantêm boas relações com as piores ditaduras do mundo, como a Arábia Saudita.
Pressionado em casa, Trump arranja uma guerra particular na tentativa de mudar os resultados das eleições de meio mandato, que se apresentam negativos para ele.
Além disso, Trump não está em guerra contra as drogas. A guerra que ele move é para pôr a mão no petróleo venezuelano e expandir, pela força, a influência americana nos Estados Unidos.
Aqui, no Brasil, a “polarização” vai se apresentar também nesse tema. A extrema direita brasileira vai justificar a invasão à Venezuela, mesmo que a ação ameace a soberania do Brasil.
Vergonhosamente, a extrema direita vai absorver todos os argumentos que Trump apresentará daqui a pouco, quando fizer seu pronunciamento para justificar sua ação criminosa. Os democratas vão se manifestar contra a invasão americana, ressalvando que isso não equivale a apoiar a ditadura de Maduro.
Ao sequestrar o autocrata da Venezuela, Nicolás Maduro e a mulher dele, Donald Trump deu uma grande banana para as leis internacionais, impondo a sua vontade como se fosse o imperador do mudo. O pior é que a ONU, enfraquecida como está, pouco poderá fazer.
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