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O martelo de Donald Trump
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Plínio Bortolotti integra o Conselho Editorial do O POVO e participa de sua equipe de editorialistas. Mantém esta coluna, é comentarista e debatedor na rádio O POVO/CBN. Também coordenada curso Novos Talentos, de treinamento em Jornalismo. Foi ombudsman do jornal por três mandatos (2005/2007). Pós-graduado (especialização) em Teoria da Comunicação e da Imagem pela Universidade Federal do Ceará (UFC).

O martelo de Donald Trump

Existem 70 mil imigrantes detidos nos Estados Unidos, 74% deles sem ficha criminal. Cerca de 605 mil pessoas foram deportadas desde janeiro de 2025
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 Gelo se quebrando na geleira no nordeste da Groenlândia em 27 de agosto de 2020 (Foto: AFP)
Foto: AFP Gelo se quebrando na geleira no nordeste da Groenlândia em 27 de agosto de 2020

“Para o homem com um grande martelo, todo problema parece um prego”. Essa é a lógica que move o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acima de qualquer outra consideração.

O que parecia “loucura” para uma boa parte dos analistas, eu sempre vi como uma lógica da extrema direita. Os disparates são apenas um método, um disfarce, para chegar ao resultado pretendido. Os sinais são sempre dúbios, permitindo várias interpretações, deixando um suspense no ar.

Um caso exemplar são os imigrantes. Quando Trump fez uma ofensiva verbal violenta, dizendo que os expulsaria às centenas de milhares, muitos analisaram como “maluquice”. Argumentavam que essa política seria impossível, pois não haveria lugar para prender tanta gente e que o impulso de Trump seria contido pela Justiça nos casos mais extravagantes.

Aqui está o resultado; o ICE (polícia de imigração) está barbarizando, agindo como uma guarda pessoal de Trump. Segundo Politic Fact (Instituto Pointer), existem 70 mil imigrantes detidos nos Estados Unidos, (74% deles sem ficha criminal). O Departamento de Segurança Interna dos EUA afirma que 605 mil pessoas foram deportadas desde 20 de janeiro de 2025, ano da posse de Trump.

No momento em que a Groenlândia entrou na mira, nas primeiras declarações, alguns diziam ser uma tática do “grande negociador” para chegar no melhor resultado possível para ele, e que a ameaça não passaria das palavras. O ataque à Venezuela calou esses argumentos.

O alvo da vez é a Groenlândia, ameaçada de sofrer uma medida de força, caso a Dinamarca não ceda o território aos Estados Unidos. Trump chegou a dizer que estava desobrigado de resolver o assunto pacificante, depois de não ter ganhado o prêmio Nobel da Paz. Seria apenas ridículo se não fosse trágico.

Nesta quarta-feira, em Davos, ele disse haver desistido da solução militar para tomar a Groenlândia:

"Eu não preciso usar a força. Eu não quero usar a força. Eu não vou usar a força. Tudo o que os Estados Unidos estão pedindo é um lugar chamado Groenlândia".

Quem quiser acreditar no presidente americano sugiro a releitura da primeira frase do artigo.

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