Plínio Bortolotti integra o Conselho Editorial do O POVO e participa de sua equipe de editorialistas. Mantém esta coluna, é comentarista e debatedor na rádio O POVO/CBN. Também coordenada curso Novos Talentos, de treinamento em Jornalismo. Foi ombudsman do jornal por três mandatos (2005/2007). Pós-graduado (especialização) em Teoria da Comunicação e da Imagem pela Universidade Federal do Ceará (UFC).
Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
PRESIDENTE da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB)
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB) promete votar o fim da escala de trabalho 6x1 antes das eleições de outubro.
A tal escala impede que trabalhadores tenham dois dias seguidos de folga, dificultando a convivência familiar, a possibilidade de alguns momentos de lazer e um descanso reparador. Nada mais justo, portanto, do que corrigir essa arbitrariedade.
E, atenção: nenhuma empresa vai falir quando passar a vigorar a escala 5x2. Esse papo furado surge todas as vezes em que os trabalhadores conseguem arrancar algum benefício, que estão longe de constituir privilégio.
Falando nisso, a Câmara dos Deputados, sob errática direção de Hugo Motta, aprovou uma proposta revolucionária para uma pequena casta de servidores públicos, a escala de trabalho 3x1, que funciona assim: a cada três dias trabalhados o protegido ganha um de folga (sem prejuízo do fim de semana). O servidor que não usufruir o descanso, pode transformá-lo em pecúnia.
É preciso reconhecer que essa é uma proposta revolucionária surgida em mentes brilhantes para engordar salários e ludibriar o imposto de renda. Não há precedentes no Brasil e ouso dizer, em todo o mundo, de norte a sul, de leste a oeste do planeta. Mas não parou por aí, entre aumentos e penduricalhos o estipêndio pode chegar a R$ 92 mil, o dobro do texto constitucional.
Mas o melhor de tudo foram os argumentos que o maquinista do trem da alegria usou para justificar a extravagância cometida.
Falando em um evento para banqueiros, Motta disse que a medida seguiu critérios fiscais e que teria sido aprovada de forma responsável, respeitando o orçamento da Câmara.
Mas o argumento central de Motta seria risível, não fosse patético, sendo difícil saber em qual esconso ele foi buscar argumentos. Segundo o presidente da Câmara, nada mais fez do que prover uma justa "equiparação", pois copiou o que já seria realidade nos outros poderes.
Faça-me o favor: em vez de demandar para que os demais poderes se enquadrem na lei, Motta resolve também desrespeitá-la. Se todos agissem da mesma forma, o Brasil viraria um vale-tudo, que já parece vigorar no Congresso Nacional.
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