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Diversão combina com respeito
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É secretária dos Direitos Humanos do Ceará. Soma quase 60 anos de atuação no serviço público, dos quais 48 anos foram dedicados ao Ministério Público do Ceará (MPCE), onde foi procuradora-geral da Justiça por cinco mandatos, além de ter tido outras passagens importantes pelo Poder Executivo estadual

Diversão combina com respeito

Os confrontos envolvendo torcedores no último Clássico-Rei são um exemplo de como contextos que deveriam ser de celebração e encontro acabam atravessados por conflitos e medo, o que é inadmissível
Tipo Opinião
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Fevereiro surgiu no calendário e o Carnaval já tomava as ruas do nosso país há algum tempo. Em Fortaleza, especialmente, o pré-carnaval é uma expressão forte da tradição festiva da cidade, com foliões ocupando os mais diversos espaços urbanos em uma intensa programação desde os primeiros fins de semana do ano. Com a aproximação da festa maior, um lembrete se faz necessário: o respeito precisa acompanhar a folia, porque o lazer só é pleno quando é vivido com direitos.

O Carnaval é expressão do direito ao lazer, garantido na Constituição Federal de 1988, e envolve ainda identidade, convivência, direitos culturais, direito à cidade e liberdade de expressão. Essa última não pode ser confundida com autorização, por exemplo, para o uso de fantasias que reforçam racismo, machismo e estereótipos sobre grupos minoritários nem para qualquer outro tipo de violência.

A festa é território de resistência e diversidade, em que todas as pessoas devem ter o direito de se divertir sem importunações. Isso passa pela garantia da pluralidade dos espaços, com respeito às mulheres, sem assédio ou importunação, e à população LGBTQIAPN. Proteger essa festa é proteger o direito à alegria e à convivência.

Mas o debate sobre violência e lazer não se limita ao Carnaval. Em diferentes espaços de vivência coletiva, como praças, parques e estádios, episódios de violência também interferem diretamente no direito de aproveitar o tempo livre com segurança e liberdade. Os confrontos envolvendo torcedores no último Clássico-Rei são um exemplo de como contextos que deveriam ser de celebração e encontro acabam atravessados por conflitos e medo, o que é inadmissível.

Em comum, esses espaços revelam o mesmo problema: quando a violência se impõe, o lazer deixa de ser direito e passa a ser privilégio. A pluralidade é essencial para a própria manutenção do lazer. Quando a violência se instala nesses espaços, desconsiderando a diversidade que neles existe, todos saem perdendo. Seja no carnaval ou no futebol, o tema exige atenção e debate público. Com a chegada dos dias de festa, fica o meu apelo por uma celebração marcada pelo respeito, pela diversidade e pela defesa do lazer como direito de todos.

Foto do Socorro França

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