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Despejo em Quixeré envolve agrotóxico altamente nocivo e banido pela UE e OMS
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Despejo em Quixeré envolve agrotóxico altamente nocivo e banido pela UE e OMS

Limpeza do local foi realizada nesta quinta-feira, 28, uma semana após o incidente (Foto: Divulgação/Adagri)
Foto: Divulgação/Adagri Limpeza do local foi realizada nesta quinta-feira, 28, uma semana após o incidente

Laudo da Perícia Forense do Ceará (Pefoce) concluído nesta semana identificou como um inseticida e nematicida organofosforado o material despejado em 19 de agosto sobre áreas comuns e uma residência de uma comunidade de Quixeré, no Vale do Jaguaribe. A Polícia Civil abriu investigação para apurar detalhes do incidente.

“Um Boletim de Ocorrência (BO) foi registrado na Delegacia de Quixeré e uma perícia foi realizada pela Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce), identificando que trata-se de um inseticida e nematicida organofosforado. As investigações estão a cargo da Delegacia de Polícia Civil de Quixeré”, afirma nota da Secretaria da Segurança Pública do Ceará.

Segundo fontes da coluna, foi identificado o composto químico Terbufós, usado para controle de vermes, besouros e outras pragas agrícolas. Apesar de ter comercialização permitida no Brasil, o composto tem uso proibido em países da União Europeia e possui classificação IA (extremamente perigoso) pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

“Os organofosforados são pesticidas altamente tóxicos para o meio ambiente e para os seres vivos”, alerta a médica endocrinologista Eveline Fontenele, do Hospital Universitário Walter Cantídio. “Esse químico pode levar ao desenvolvimento de sintomas neurológicos como sintomas de dormência, sensação de queimação ou parestesias, e a depender da dose e tempo de exposição, fraqueza muscular, paralisia, crise colinérgica e morte”, diz.

Material foi recolhido nesta quinta-feira

O episódio aconteceu na terça-feira da semana passada, 19, com focos de agrotóxico sendo despejados sobre o telhado, o piso da área de serviço e até objetos pessoais de uma família, como brinquedos, roupas e recipientes para armazenamento de água. Por conta do risco de intoxicação e do forte odor, uma família precisou deixar uma residência atingida.

A limpeza do local só foi realizada nesta quinta-feira, mais de uma semana após o incidente, por agentes da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Ceará (Adagri). Prestando assistência à população atingida, Padre Júnior, da Cáritas Diocesana de Limoeiro do Norte, relata clima de “medo geral” na região desde o episódio.

Na semana passada, a Polícia Civil abriu investigação sobre o caso, inclusive para apurar se o despejo do material ocorreu de forma intencional. Por conta de casos de despejo na comunidade, pelo menos duas pessoas precisaram procurar auxílio médico na região. (Carlos Mazza e Camila Maia - Especial para O POVO)

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