Vertical é a coluna de notas e informações exclusivas do O POVO sobre Política, Economia e Cidades. É editada pelo jornalista Carlos Mazza
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O clichê reza que, passado o Carnaval, o ano político começa para valer, com as articulações em movimento e os atores dedicados a seus projetos. Para o governador Elmano de Freitas (PT), o passo mais importante agora é a desincompatibilização de secretários, que deve incluir a saída de nomes cujo capital é forte o suficiente para impactar na formação da chapa. Entre eles, estão Domingos Filho (PSD), Jade Romero (MDB) - que deixa a pasta da Proteção Social, mas não a vice - e Chagas Vieira (sem partido). Desses quadros, os holofotes vão se voltar sobretudo para Domingos, que comanda um bloco familiar e partidário de peso, e Chagas, cotado para múltiplas posições na aliança - de articulador da campanha pela reeleição até suplente para senador.
Do futuro de Chagas, porém, sabe-se quase nada ainda. É possível que se filie ao PSB para buscar um mandato, mas qual, o de senador ou de deputado federal? E, se for para a Câmara, como viabilizaria apoio entre prefeitos?
Hoje espécie de super-secretário de Elmano, às vezes concentrando mais atenção que o governador, o chefe da Casa Civil deve assumir tarefas importantes à frente desse grupo cujo principal objetivo é reconduzir o petista.
Já Domingos está jogando ora parado, ora no ataque. Parado porque está bem contemplado no arco governista - ele é secretário, e a filha, vice-prefeita. Mas talvez o PSD consiga mais uma fatia: a vice de Elmano para a disputa.
Essa é uma vaga sobre a qual os aliados não têm falado muito abertamente, talvez porque, até semanas atrás, o debate estivesse mais voltado para a possibilidade de Camilo Santana concorrer ao Abolição pela terceira vez.
Outro jogador que move suas peças abaixo do radar é o senador Cid Gomes (PSB). A sinalização dada por ele, e no meio do Carnaval, de que pode aceitar coordenar a chapa de Elmano, sugere que as arestas entre os dois foram aparadas.
Esse entendimento entre Cid e Elmano deixa claro que, para que o ex-governador pessebista entre de fato na campanha de 2026, é fundamental que o ministro Camilo deixe o aliado livre para fazer as tratativas que julgar necessárias.
No pós-Carnaval, o Supremo deve continuar na linha de tiro na esteira dessa crise provocada pelas relações entre o ministro Dias Toffoli e Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco Master. A tendência é de que PF e STF se engalfinhem no meio da avenida.
O deputado federal Eunício Oliveira (MDB) se mantém na dianteira em termos de manifestações de apoios de prefeitos e outras lideranças na briga por uma vaga para o Senado. O emedebista, por ora, não tem um plano B.
A tendência é de que, até abril, o governismo tenha de sentar para bater o martelo sobre os dois nomes que realmente vão postular mandatos na Câmara Alta pelo bloco camilista. Até lá, cada um dos cotados segue apostando.
Balanço: a ver agora qual o balanço do Carnaval de Fortaleza, que certamente apresentou avanços neste ano (limpeza e segurança, por exemplo). Entre moradores, porém, há a expectativa de que a festa pode se tornar maior e mais diversa, sem esse ranço de competir com Olinda e Recife ou Salvador e Rio.
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