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Em transição para reabertura, população deve manter isolamento social, afirmam médicos

O alerta para a Covid-19 ainda não passou, e medidas de isolamento e de higiene ainda são necessárias. Especialistas enfatizam a necessidade de fiscalização das atividades permitidas em novo decreto
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Paralisação dura de 7 às 16 horas da quarta-feira, 28 de julho (Foto: JÚLIO CAESAR)
Foto: JÚLIO CAESAR Paralisação dura de 7 às 16 horas da quarta-feira, 28 de julho

Mesmo com a tendência de estabilização apresentada na curva de novos casos na Capital nas últimas semanas, o cenário ainda é de alerta em relação à Covid-19, e o isolamento social continua sendo a medida mais eficaz contra o coronavírus.

O decreto estadual 33.608 permite a volta ao trabalho presencial para parte dos funcionários de setores como indústrias química, automotiva e de agropecuária e cadeias da construção civil e da saúde, mas também prorroga o isolamento social no Estado. Dessa forma, a circulação em praias, praças e calçadões, assim como reuniões e eventos que causem aglomeração, continua proibida em situações que não sejam de deslocamento para realizar atividades permitidas.

Para o infectologista Ivo Castelo Branco, coordenador do Núcleo de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC), há chance de a contaminação pelo coronavírus voltar a aumentar. "E quando vamos perceber isso? Daqui a duas semanas", afirma. "Quem pode fazer (o isolamento) tem que continuar, independentemente da flexibilização, porque é a maneira mais eficaz (de se combater a Covid-19)", defende, apesar de reconhecer que parcela da população não tem condições de mantê-lo.

"Nos apartamentos de classe média alta e de classe alta tem mais cômodos do que moradores, e as casas de baixa renda têm mais moradores do que cômodos", acrescenta Marcelo Gurgel, professor titular de Saúde Pública e membro do Grupo de Trabalho de Enfrentamento à Covid-19 da Universidade Estadual do Ceará (Uece). Em duas semanas de lockdown (bloqueio total e obrigatório) em Fortaleza, a média de redução no volume de tráfego foi de 50%, e apenas sete bairros conquistaram o percentual de 70% pretendido pelo Governo do Estado, segundo dados da Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC).

Um ponto destacado pelo professor é a necessidade de se estar atento para a interiorização da doença e de a Capital estar preparada para "ser a retaguarda" dos casos que serão transferidos do Interior. "O Ceará é bem ancorado (em termos de rede hospitalar) quando se compara com estados do Nordeste, mas a provisão de leitos de UTI (Unidades de Terapia Intensiva) não acompanha essa expansão que se teve (em governos anteriores). Lembrando que a Covid-19 está convivendo com a ocorrência de outras doenças", afirma.

Ao precisar sair de casa, a indicação é intensificar o uso de máscara, lavar as mãos com água e sabão ou utilizar álcool gel 70% e atentar para a limpeza de maçanetas, anéis, relógios, óculos e superfícies contaminadas. "Cuidado com a veiculação pelas mãos, ao pegar em superfícies, no elevador, no ônibus e tirar o sapato quando volta para casa. Quem usa óculos tem que lavar com água e sabão", relembra o infectologista.

Em entrevista ao O POVO, publicada no último dia 31, o governador Camilo Santana (PT) afirmou que essa semana definirá se o plano de reabertura terá prosseguimento ou não, dependendo do respeito às regras sanitárias e da diminuição dos números relativos à Covid-19. Os especialistas apontam a necessidade de fiscalização.

"Há uma dificuldade grande de fazer a fiscalização, de ver quem está ou não cumprindo o isolamento. Quem vai garantir que a indústria da construção civil, que tem uma liberação inicial de 30% que vai aumentando, tem 30% do canteiro em funcionamento?", questiona Gurgel.

 

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