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Leitos de UTI para Covid-19 reduzem 33% em Fortaleza

Com redução de indicadores, leitos de UTI destinados exclusivamente à Covid-19 passam a atender outras demandas. Com diminuição da oferta, taxa de ocupação subiu
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Reducao na oferta de leitos de uti para covid19 (Foto: luciana pimenta)
Foto: luciana pimenta Reducao na oferta de leitos de uti para covid19

Em Fortaleza, 33% dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTIs) da rede pública que eram destinados exclusivamente para atendimento de Covid-19 durante o pico da infecção mudaram de perfil, passando a atender outras demandas hospitalares. Conforme a plataforma IntegraSUS, da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), há um mês, 501 leitos públicos eram destinados a pacientes com o novo coronavírus. Agora, são 335 leitos na Capital.

 Com a redução da oferta de unidades de internação de alta complexidade, alguns hospitais apresentaram aumento no percentual de ocupação. O redimensionamento de leitos de internação no município acontece após a tendência de queda dos indicadores. Apesar do cenário, médicos avaliam que é preciso continuar em alerta para identificar sinais de aumento na demanda por Covid-19. A taxa de ocupação de leitos de UTI em Fortaleza é de 64,12%, somando unidades públicas e privadas. Há um mês, essa taxa era de 74,13%.

Entre o dia 22 de junho e ontem, 22 de julho, 166 leitos de UTIs foram direcionados a outras patologias. O Instituto Dr. José Frota (IJF) passou de 100 para 40 leitos de Covid-19. No Hospital Geral de Fortaleza (HGF), a oferta passou de 52 para 14 leitos. No Hospital de Messejana, o número passou de 73 para 50. O Hospital Leonardo da Vinci, destinado exclusivamente para a demanda da doença, continua com os 150 leitos de UTI infecção pelo patógeno. O Hospital Universitário Walter Cantídio (100%) e o Hospital Infantil Albert Sabin (93.75%) apresentam as maiores taxas de ocupação.

Conforme o epidemiologista Marcelo Gurgel, professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e membro do GT de Enfrentamento à Covid-19, o sistema de saúde começa a enfrentar o desafio da demanda represada de outras doenças. "Boa parte da demanda é retaguarda pós-cirúrgica de procedimentos com maior possibilidade de complicação, doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e procedimentos de retirada de câncer", explica.

"Vai ter uma pressão intensa porque houve uma repressão de toda a demanda desde março de procedimentos que não ocorreram. Alguns pacientes podem estar com situação mais comprometida porque a doença não espera", destaca. Conforme o epidemiologista, "o governo tem que ter cuidado com os passos que vai dar em termos de desafogar as filas de espera mas sem baixar a guarda em relação os cuidados para a Covid-19".

Segundo Elodie Hyppolito, hepatologista do Hospital São José e integrante do Coletivo Rebento Médicos e Médicas em defesa da Ética, da Ciência e do SUS, a unidade já está voltando a receber a demanda normal de outros casos. "O HSJ tem conduzindo de acordo com a necessidade. O ambulatório já voltou a funcionar com menor quantidade de pacientes marcados para que não haja aglomeração". Ela destaca que a central de regulação de leitos é um importante termômetro para, se necessário, "refazer a estratégia" de organização de leitos de UTI.

Fortaleza registra 40.452 casos e 3.617 óbitos. O que corresponde a 26,2% e 49,4% do total do Estado, respectivamente. O Ceará soma 154.381 casos de Covid-19 e 7.329 mortes pela doença, conforme atualização do IntegraSUS às 17h08min de ontem, 22. Foram 3.309 novos casos confirmados e 24 mortes a mais que o contabilizado no dia anterior.

 

Mundo

Mais de 15 milhões de casos do novo coronavírus foram detectados em todo o mundo, dos quais um milhão em menos de cinco dias, segundo uma contagem nesta quarta-feira às 13 horas.

 

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