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Facção ameaça prestadores de serviço no Cidade Jardim II

Serviços como internet, TV a cabo e gás já foram prejudicados pela situação. Há relatos de que uma distribuidora de gás foi alvejada a tiros
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Foto da inauguração do Cidade Jardim II, no Conjunto José Walter, em junho de 2018 (Foto: Marcos Studart/Divulgação/Governo do Estado)
Foto: Marcos Studart/Divulgação/Governo do Estado Foto da inauguração do Cidade Jardim II, no Conjunto José Walter, em junho de 2018

Prestadores de serviço que precisam trabalhar no Residencial Cidade Jardim II, no bairro Conjunto Prefeito José Walter, têm recebido ameaças de criminosos.Serviços como internet, TV a cabo e gás já foram prejudicados pela situação. No Cidade Jardim II age a facção criminosa Comando Vermelho (CV).A Polícia Civil investiga as denúncias.

No caso de distribuidoras de gás, O POVO apurou que a Polícia Civil recebeu denúncias de que, pelo menos, quatro empresas teriam recebido mensagens ameaçadoras.O objetivo dos criminosos seria fazer com que as revendedoras vendessem gás mais para barato para eles, para que pudessem revender. Ao menos, uma delas deixou de atender o Cidade Jardim II, conforme relato de morador.

Relato obtido por O POVO aponta que até mesmo ataque a tiros foi realizado. Em fevereiro, uma revendedora foi alvejada por cinco disparos dias após receber mensagens de que precisaria de "autorização" dos criminosos para entregar gás no condomínio. No mesmo mês, funcionário de outra empresa foi abordado por homens armados que disseram que ele não poderia entregar gás no residencial sem permissão. Outro relato obtido pela reportagem foi de um entregador cuja moto foi alvo de tentativa de incêndio.

A situação vem desde, pelo menos, o ano passado. Em outubro último, um homem apontado como liderança do CV no condomínio foi preso e, posteriormente, acusado de impedir que provedores de internet, televisão a cabo e gás prestassem serviço no Cidade Jardim II. "Eles só liberam se pagar uma taxa para eles", afirmou um PM no inquérito que indiciou Leonardo Nascimento de Medeiros, o "Coringa". O depoimento ainda afirmava que moradores disseram estar usando apenas internet por dados móveis por causa da situação. O acusado também ordenaria expulsões de moradores, conforme denúncia do Ministério Público.Em depoimento, Leonardo negou o crime. Ele disse não ser conhecido por Coringa e que trabalhava como bombeiro hidráulico. Ele afirmou, porém, de fato, ter ouvido de um cliente que um homem conhecido como Coringa estava proibindo o uso de internet. Ele aguarda julgamento, marcado para 5 de outubro.


Em nota, a Polícia Militar informou manter no Cidade Jardim base fixa do programa Proteger. “Além disso, a região recebe o policiamento por viaturas que atuam preventiva e ostensivamente”. A PM reforçou que, em casos de suspeita, os cidadãos acionem-na por meio do telefone 190 ou, não sendo possível evitar o delito, registrassem Boletim de Ocorrência em delegacia física ou eletrônica — no site ww.delegaciaeletronica.ce.gov.br/beo/.

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