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Pais lamentam suspensão de aulas e cobram vacinas contra a Covid-19

Vice-presidente do Sindicato das escolas particulares alega retrocesso e diz que vai reorganizar cronograma de aulas para ampliar encontros remotos
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Alunos aguardam responsáveis na saída de colégio particular (Foto: JÚLIO CAESAR)
Foto: JÚLIO CAESAR Alunos aguardam responsáveis na saída de colégio particular

Pais de alunos foram surpreendidos com a decisão estadual de suspender as aulas presenciais por dez dias no Ceará. Na saída dos estudantes de uma escola particular de Fortaleza, nesta quinta-feira, 18, os responsáveis lamentaram a medida, válida até 28 de fevereiro em todo o estado, e reafirmaram a necessidade de vacinar a população contra a Covid-19.

“É um negócio sério. Uma vez que já tem todo o cuidado e aparato, não havia necessidade. Como professor, sou a favor da aula presencial. O pessoal sempre reclama da aula virtual. É diferente você estar na sala de aula e o aluno perguntar. O grande problema desse dramalhão que está na cara de todo mundo é a política”, opina Augusto Pessoa, 75.

O educador lembra das aglomerações registradas durante as eleições municipais de 2020. Enquanto esperava o filho que estuda o 9º ano, Augusto pontuou a necessidade de reforçar os cuidados. “A gente já está falando da terceira onda. Virá a quarta. A única saída é todo mundo se cuidar.”

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O economista Narlon Sales, 60, afirma que a aula presencial é importante para todos os alunos. Porém, sob o contexto pandêmico, reconhece que a situação é delicada. Tendo em vista, principalmente, os gargalos criados por conta das classes remotas. “É difícil de resolver. Nós não temos hospitais para atender a alta demanda. A vacinação não foi efetivada. No Brasil, está pior ainda. Israel já vacinou quase metade da população. Aqui, nós estamos num marca-passo violento”, reclama.

Outro ponto destacado pelo microempresário trata da politização da pandemia da Covid-19. Para ele, estão tratando a tragédia sanitária como um cabide de votos. Assim como o professor, Narlon critica o comportamento dos políticos durante as últimas eleições e o da população nas festas de fim de ano.

Enquanto esperava os dois filhos saírem da escola, Carlos Henrique, 50, operador de receptivo de turismo, defendeu que outros setores deveriam fechar antes. Para ele, é preciso ter atenção às aglomerações na periferia. “É complicado! Fica o filho de 10 anos em casa. O pai e a mãe têm de trabalhar. Como ele vai estudar de frente pro computador? Não assiste. No ano passado, entendo que estávamos no auge da pandemia, mas eles foram muito prejudicados.”

Questionado se a circulação da nova variante justifica o fechamento das escolas, Carlos diz que tem medo, mas é preciso vacinar a população. Para ele, não depende apenas do Governo Estadual. “É preciso pressionar o Governo Federal para disponibilizar as vacinas. Com variante nova ou não, a pandemia está aí. Só vai parar quando tivermos vacinação”.

"Dificuldade cognitiva"

Diretor do Colégio Master Sul, na Cidade dos Funcionários, Francisco Linhares lamenta a suspensão das aulas presenciais. Para ele, haverá uma expansão dos problemas causados no ano passado, quando as instituições permaneceram fechadas de março a setembro .

“Identificamos uma dificuldade cognitiva muito grande por parte das crianças. Nós temos tido esse problema relacionado ao desenvolvimento e ao desempenho acadêmico. A gente percebe que, quando as crianças retornaram para o presencial, além da questão emocional, elas tiveram um desempenho acadêmico muito diferente daquelas que permaneceram em casa.

Para Linhares, a reabertura das unidades de ensino não se trata apenas de uma questão comercial. “Quem sofre principalmente são as famílias. Por isso, queremos pedir o apoio dos responsáveis.”

O decreto estadual permite encontros presenciais quando não for possível fazê-lo remotamente. As aulas para crianças de até três anos e atividades práticas do ensino superior estão liberadas. Nas redes, pais pediram para ampliar a permissão para toda a educação infantil.

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